Fim de ano para a soja

Hoje, lº de dezembro, o ano praticamente termina para o mercado de algumas commodities agrícolas. Termina no sentido de que as chances de reação dos preços são minimas; o quadro já está bem configurado para os principais produtos. Possibilidade de alta só diante de fatores circunstanciais, de ordem política ou climáticas, por exemplo. Se depender de variáveis mercadológicas, tudo permanece como está até a virada do ano.

A soja é um desses produtos. Ontem, os contratos futuros de soja registraram novas quedas na Bolsa de Chicago. As baixas variaram de 2,75 a 5,50 centavos por bushel. O janeiro perdeu 4,75 centavos, para 5,3475 dólares por bushel.

Continua a pressão de vendas técnicas por parte de operadores, que se valeram das fortes altas em detrimento ao surgimento dos primeiros focos da ferrugem asiática nos EUA.

Segundo análise da FNP, ainda persistem no mercado, grandes ordens de vendas para realização de lucros em virtude as altas exacerbadas causadas pelo surgimento da ferrugem asiática nos EUA. Foram confirmados mais dois focos de ferrugem asiática no Estado do Mississipi.

No mercado interno houve altas de R$ 0,50 em Barreiras, nas demais praças estabilidade dos preços. O mercado de maneira unânime, se queixa da lentidão e falta de perspectiva de recuperação de preços no curto prazo. A FNP explica que isto vem acarretando em volumes inexpressivos de negócios, típico desta época do ano. Existe a possibilidade de mudança na trajetória dos preços, devido ao quadro de sobre oferta, somente em abril a maio do ano que vem quando começarem a surgirem as primeiras estimativas confiáveis de plantio de soja nos EUA.

O surgimento da ferrugem asiática em sete estados norte-americano e a iminência de encarecimento de 20% nos custos de produção, poderão acarretar diminuição de área de soja e aumento para o milho.

Ainda mais que a Monsanto já anunciou que para a próxima safra haverá semente de milho transgênico com resistência a Round Up e a pragas, em uma única variedade. Até então o produtor tinha que optar por uma ou outra resistência.

LEITURA DINÂMICA

- A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou ontem nota na qual comemora o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2004, com crescimento de 1% (considerada a sazonalidade).

- Mas ressalvou que tal comportamento aconteceu porque num período sem aumentos da Selic.

- No acumulado deste ano, somamos evolução de 5,3% do PIB, a maior desde 1995, com 7% na indústria.

- O ano de 2004 já está garantido no País: crescimento do PIB de 5%, com 6,5% no setor industrial.

- Só não devemos esquecer de que um ano de crescimento não basta. Precisamos de décadas de crescimento.

(Opinião do presidente da Fiep, Paulo Skaf).
DROPS
Ironia agrária
Em alusão aos 40 anos do Estatuto da Terra, o engenheiro agrônomo Francisco Graziano (Xico Graziano), ex-presidente do Incra, ex-secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, enviou a esta coluna algumas consideralções, que chama de ''Ironia agrária''. Graziano escreve com muita frequência nos jornais de São Paulo e Brasília, sobre problemas fundiários.

Xico Graziano
Há 40 anos (completados na última segunda-feira) era promulgado o Estatuto da Terra. A lei, histórica, estabelecia os parâmetros básicos para a realização da reforma agrária brasileira. O latifúndio era sua mira.

Promulgado por militares
Quem o promulgou foram os militares, um paradoxo. Afinal, a causa da reforma pertencia à esquerda. Lutar contra o ''imperialismo'' e o latifúndio, naquela época, era obrigação de quem se julgava progressista.

Ligas camponesas
Francisco Julião, advogado carismático, organizara o movimento das ligas camponesas no Nordeste. Terra para quem nela trabalha. Com Jango no poder, vislumbrou-se ter chegado o momento das grandes reformas de base. A começar pela terra.

Conceito de latifundio
Tudo não passaria de vã ilusão. O golpe militar de março de 64 cortou o sonho. Iniciou, porém, a gestação - exatos 9 meses - da nova lei agrária. No miolo da legislação, o conceito da empresa rural, em oposição ao latifúndio. Era preciso combater o latifundio, mais tarde o latifundio dito improdutivo.

Mercado é a favor
Sempre se afirmou, na história da economia política do campo, que a indústria nascente no Brasil apoiava a tese da reforma agrária. Fazia sentido. Derrubar a oligarquia abriria mercado interno para bens de consumo. Na política, uma classe média rural se alinharia com a burguesia. (Informações de Xico Graziano).

EUA confinam mais
O rebanho de gado confinado dos EUA chegou a 11,3 milhões de cabeças neste mês, número 2,4% maior que no mesmo período de 2003, confirmando as expectativas do mercado. A perspectiva de produção de carne bovina nos EUA varia entre estável e expansão moderada, apontam analistas. A incógnita do setor é o momento em que acontecerá a retomada das importações de rebanhos do Canadá. Fonte: Folhapress/vaivém das commodities.

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