Tendência do câmbio

O comportamento do dólar já requer mais atenção depois que o Banco Central, embora negando, interveio no mercado.

Ontem, por exemplo, uma autoridade do governo saiu com essa: O dólar está barato e as empresas endividadas deveriam aproveitar o ''bom momento'' para comprar a moeda e liquidar dívidas atreladas à moeda americana. Este conselho, dado ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, poderia sugerir informação privilegiada, o que seria condenável. Mas não. É uma colocação eticamente aceitável, porque a preocupação do ministro está focada nas empresas que têm dívida atrelada ao dólar.

Esta é a visão de um experiênte empresário e ex-ministro da Indústria e do Comércio e da Agricultura, consultado ontem pela Coluna. Embora não reprove a atitude de Furlan, o empresário sugere prudência quando o assunto é dólar, num momento como o atual.

Uma coisa é certa: O governo interveio conscientemente no dólar. As colocações do ministro Furlan expõem abertamente uma visão de que dólar barato é algo que não vai durar muito.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que ''não há necessidade de o governo brasileiro controlar o processo de ajuste do dólar''. Cinismo à parte (porque o governo já mexeu no câmbio na semana passada anunciando portentosa compra de US$ 3 milhões), a afirmação sugere que o Banco Central não vai sair adquirindo todos os dólares da praça.

O dólar passou de patamares próximos a R$ 2,90 nas últimas semanas para cerca de R$ 2,74 ontem. A queda acompanha a desvalorização mundial do dólar ante ao euro e iene. Apesar da afirmação de Meirelles, o banco divulgou o Tesouro Nacional estará presente no mercado durante todo o primeiro semestre.

Ontem, o dólar comercial fechou em alta de 0,51%, cotado a R$ 2,748 para venda nos últimos negócios. Segundo informações de mesas de câmbio, a queda da taxa cambial para seu menor nível nos últimos dois anos e meio atraiu compradores como empresas com algum compromisso em moeda estrangeira, seja remessa de dividendos ou pagamento de contratos de importação.

Hoje será o dia para formação da taxa média de câmbio de referência para a liquidação dos contratos futuros de dólar negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) no dia 1º de dezembro.

Para alguns operadores, parte da alta de ontem também pode ser explicada pela atuação de investidores posicionados em contratos de compra, e portanto interessados na alta da taxa cambial, agindo no mercado à vista para puxar a taxa média (Ptax).

LEITURA DINÂMICA
- O preço do dólar gera bastante polêmica dentro do governo.

- Enquanto o presidente do Banco Central Meirelles e a equipe econômica têm defendido uma política de não-intervenção, o presidente Lula e o ministro Luiz Fernando Furlan, acham que o câmbio tem que facilitar as exportações.

- Os órgãos que decidem sobre a política cambial não estão tendo a necessária prudência com as informações.

- De repente, uma declaração pode ser interpretada de forma especulativa e os agentes econômicos pode promover uma corrida especulativa.

- A própria declaração do ministro Furlan sugerindo a compra de dólares, é uma declaração de risco.

DROPS

Soja cai em Chicago
Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago registraram expressivas quedas quedas que desestimularam qualquer negócio no Brasil, apesar da política cambial acenar com vantagens para os exportadores. As baixas variaram de 9,00 a 12,00 centavos por bushel. O contrato de janeiro caiu 9,00 centavos, para 5,3950 dólares por bushel.

Especulação e ferrugem
Segundo analistas, ainda persistem no mercado grandes ordens de vendas para realização de lucros em virtude as altas, na semana passada, causadas pelo surgimento da ferrugem asiática nos EUA. O bom desempenho do plantio no Brasil e na Argentina e as ótimas condições de clima nos dois países têm contribuído para a queda das cotações.

Oferta atrapalha
O mercado trabalha com a estimativa de três grandes safras, nos três maiores produtores: Estados Unidos, Brasil e Argentina. A Departamento Agrícola dos EUA, informou nesta segunda-feira que durante toda a semana passada, foram inspecionadas 34,3 milhões de bushels de soja, as estimativas eram de 27 a 32 milhões, e mesmo assim o mercado não reagiu tamanho o quadro de sobre oferta.

Pequenas baixas
No mercado interno a FNP registrou baixas de R$ 0,20 a 1,00/sc sobre Barreiras, Uberlândia, Dourados, Ponta Grossa e Passo Fundo. Em Rio Verde (Goiás), única praça a registrar alta, valorização de R$ 1,00/sc. Típico desta época do ano, todos os setores consultados têm registrado baixo volume de vendas.

No Porto de Paranaguá
No Porto de Paranaguá, registramos quedas no preço e no prêmio. Segundo pudemos apurar, as melhores ofertas do dia chegaram a R$ 35,00/sc e não houve volume significativo de negócios. O indicativo de prêmios também recuou, sendo registrado só para o SPOT +60, demais posições seguem com o referencial de sexta feira. Veja preços nos quadros dos indicadores da página 2 deste caderno de Economia.

Médias no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,12/saca (-1,46%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,05/saca (-1,79%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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