O trigo em debate
O Brasil tem que decidir como pretende administrar o abastecimento do trigo e derivados. E o que quer fazer na próxima safra. Principalmente neste momento em que o Banco Central intervém no câmbio para valorizar as exportações mas que, naturalmente, não poderá impedir o aumento dos custos com importações no ano que vem.
A Folha Rural convidou representantes de vários segmentos da cadeia produtiva do trigo para discutir a tendência do setor. Será hoje, das 9 às 12 horas, no Sindicato Rural de Londrina.
O diagnóstico não é animador, apesar da importância econômica do alimento. Para mudar o cenário atual é preciso boa vontade de todos os agentes envolvidos, da produção ao varejo.
O trigo é o campeão nacional em importações do agronegócio (perto de US$ 900 milhões no ano passado). No entanto, há potencial para aumentar a produção, através da ampliação de área e ganhos em produtividade. Falta, então, uma política de governo - não no sentido intervencionista, mas de estratégia de produção e comercialização, com papel bem definido - e que a iniciativa privada, notadamente o setor industrial, consiga se despojar dos interesses imediatos e assuma uma postura mais cooperativa.
No ano passado, o mapeamento da cadeia do trigo, realizado pelo Instituto Uniemp - Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa em parceria com o Programa de Agronegócios da Universidade de São Paulo (Pensa) mostrou a necessidade de unir o trabalho de todos os envolvidos no setor para aumentar o consumo dos produtos derivados do trigo (pão, biscoitos, ração animal, massas, etc) e, consequentemente, a produção no país.
Mas as propostas não evoluíram. Uma delas, o aumento da demanda, se tornaria estéril sem um projeto de sustentação da produção.
Implantada a safra de verão, aproxima-se o momento em que os três Estados do Sul e os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, iniciam o planejamento da safra de inverno. Restam três meses. Nesta altura, o setor produtivo sentirá a falta de indicadores que sinalizem para a viabilidade e a segurança dos investimentos na cultura.
Está aí a oportunidade para se discutir rumos. A tentativa de oferecer uma contribuição aos órgãos do governo e aos próprios agricultores pode se manifestar nesta oportunidade.

LEITURA DINÂMICA

- O trigo é nosso:

- Se ninguém tem dúvida sobre a importância social do trigo - presente todos os dias na mesa do brasileiro nas mais variadas formas -, os números expressam a importância econômica do cereal.

- Assim, se as estatísticas disponíveis estiverem corretas, a produção brasileira de trigo atende a 30% das necessidades internas.

- No ano passado as importações de trigo representaram quase o mesmo que todas as outras importações agrícolas juntas - gastou-se com trigo US$ 872 milhões, contra US$ 974 milhões consumidos na compra externa de outros grãos e, principalmente, insumos.

- Brasil deveria colher neste ano 44% do volume necessário para atender o consumo de 10,7 milhões de toneladas/ano.

DROPS

Boi engorda na Bolsa
Os contratos agropecuários em aberto no mercado futuro da BM&F atingiram o recorde de 48,9 mil posições. Um dos responsáveis por esse recorde foram os 14,8 mil contratos em aberto registrado nas negociações com boi gordo. A soja, ao somar 2.335 posições, também obteve recorde.

No pasto
No mercado físico, o pecuarista paulista tenta reter o boi no poasto para pressionar alta. A prática está dando resultado. Se o preço no aumenta na valocidade esperada, pelo menos o mercado está ''comprador'' conforme a linguagem do ramo. Ou seja, os frigoríficos não têm tanta facilidade na oferta.

Mês de consumo
Historicamente, dezembro é o mês em que o consumo aumenta, principalmente na segunda quinzena e quem é do ramo sabe. Os órgãos de governo também estão prevendo aumento na demanda de alimentos tanto no Natal como na virada do ano. Os suinocultores, pelo menos, estão apostando nessa lei do mercado.

O frango que o diga
O quilo do frango vivo voltou a subir ontem nas granjas do interior de São Paulo e um pouco menos no Paraná (ver indicadores da página 2). A redução na oferta de aves para abate explica o aumento. O quilo da ave foi negociado a R$ 1,90, com altas de 5,6% ontem e de 26,7% no mês.

Situação do boi é diferente
O preço do boi não está aumentando. Apenas está sendo corrigido. No ano passado, nesta época, a arroba foi comercializada por R$ 62,00 em São Paulo e R$ 60,00/61,00 no Paraná (preço máximo, a prazo, para descontar Funrural).

Safra elevada
A safra de grãos deverá atingir 134 milhões de toneladas no próximo ano, conforme estimativas do IBGE. Se confirmado, esse volume supera em 12,3% os 119,3 milhões deste ano. Em 2003, conforme lembra a Agência Folha/vaivém das commodities, a produção nacional tinha sido de 123,6 milhões de toneladas.

Soja e milho
Os dois líderes - soja e milho - vão continuar crescendo em produção no próximo ano. A safra de soja deverá atingir 63 milhões de toneladas, 28% a mais do que neste ano, quando a produção registrou forte quebra. A produção de milho da safra de verão sobe para 32,6 milhões de toneladas, com alta de 5%.

Soja Bolsa
Não houve pregão na Bolsa de Chicago, ontem, em virtude do feriado (Dia de Ação de Graças - Thanks Giving). Hoje a Bolsa de Chicago reabrirá, porém com horário reduzido em suas operações. Segundo a FNP Agroinformativos, no mercado interno registramos baixas de R$ 0,50 a 1,00/sc em Brasília, Balsas, Dourados e Norte do Paraná.

Soja: média no Paraná, ontem
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,95/saca (+0,15%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,34/saca (+0,24%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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