OSWALDO PETRIN
BC mexe no câmbio
Bons prenúncios para os produtores de soja e setor exportador. O Banco Central - contrariando tudo que havia garantido até semanas atrás -, vai entrar no mercado e comprar dólares. Isto pode puxar o câmbio, aumentando a paridade em favor do mercado de commodities, inclusive as commodities agrícolas.
Tanto é boa a notícia que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz F. Furlan - que é ligado aos exportadores de frango - classificou como ''notícia alentadora'' o anúncio feito ontem pelo Banco Central de que o Tesouro Nacional vai comprar cerca de US$ 3 bilhões até o primeiro semestre de 2005.
O governo comprará cerca de US$ 3 bilhões até o primeiro semestre de 2005, que a taxa de câmbio ideal para os empresários de comércio exterior é de R$ 3.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também gostou. Ele disse que o Brasil terá uma política cambial mais realista.
''É um nível equilibrado que não tira a competitividade do produto brasileiro no exterior'', afirmou.
Ajuste cambial médio. Mas ajuste fiscal tem que ser forte, com corte de despesas públicas. De janeiro a outubro, as despesas do governo subiram 13% acima da inflação. Se o governo não tivesse gastado assim, não haveria necessidade de aumento de juros.
LEITURA DINÂMICA
- Os sem-terra, que só vivem protestando, preparam agora marcha contra a política econômica do governo. Este protesto até que tem cabimento.
- O dirigente do MST João Pedro Stédile defendeu ontem o presidente do (Incra), Rolf Hackbart, criticado por associar o agronegócio aos assassinatos de sem-terra.
- ''O Rolf disse alguma bobagem ontem? Qual a verdade que ele falou ontem?'', perguntou se dirigindo à platéia da Conferência Nacional Terra e Água, em Brasília.
- O próprio Stédile respondeu :''É que ele vinculou a (dificuldade de realização da) reforma agrária ao novo modelo econômico''.
- Hoje, participantes da Conferência Nacional Terra e Água fazem marcha até o Banco Central (BC) pedindo a mudança da política econômica e a demissão do presidente do BC, Henrique Meirelles.
- O fato é que o presidente do Incra, Rolf Hackbart, mostrou desconhecimento total sobre o agronegócio brasileiro.
- Mas conseguiu o que os políticos mais gostam perseguem: espaço na mídia.
- Sobre a Conferência da Terra, é provável que Lula não compareça para não ser hostilizado pelos companheiros.
DROPS
Forte queda na Bolsa
A ferrugem asiática empurrou o preço da soja para cima nos úlitmos dias e o mundo ficou de olho no comportamento do mercado futuro da soja na Bolsa de Chicago. No Brasil - que também sofre com a ameaça do fungo - o mercado começava a reagir conforme os preços internacionais, quando as cotações desabaram.
Oferta de contratos
Motivo: grandes fundos de commodities entraram ofertando papéis para a realização de lucros em cima da alta por conta da ferrugem. Nem a ferrugem suporta a pressão da oferta.
Como foi
Os contratos futuros da soja registraram significativas baixas ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). As baixas variaram de 4,00 a 8,00 centavos de dólar. O janeiro perdeu 7,25 centavos por bushel, fechando a 5,540 dólares por bushel.
Feriado nos EUA
Como hoje é feriado nos Estados Unidos, muitos ''zeraram'' suas posições na iminência de ''revira voltas'', uma vez que os pregões eletrônicos noturnos funcionarão normalmente - informa análise da FNP, sobre o assunto.
Soja: média no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,90/saca (-0,09%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,31/saca (-0,40%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Sobre a ferrugem
Os ''players'' ainda não sabem mensurar, como se comportará o agricultor, no plantio da próxima safra, no caso de haver uma disseminação da doença - diz a FNP, com base em informações de empresas especializadas em análise de mercado nos Estados Unidos.
Redução de área
Especula-se que poderia haver uma forte redução de área frente ao milho, porque a Monsanto conseguiu unir em uma única variedade do cereal as características Round Up Ready e Yeldgard. A primeira traz resistência ao herbicida glifosato e a segunda a pragas que atacam tanto a raiz quanto a parte aérea da planta. O aumento no custo de produção com o tratamento da ferrugem asiática seria o maior motivo para a forte adesão a esta variedade de milho.





