Demonstração de união

Independente do que cada cidadão urbano pensa sobre a soja transgênica (os questionamentos são positivos) é justo reconhecer a fibra dos produtores paranaenses e a união deles em torno de sua entidade de classe, a Federação da Agricultura (Faep) e seus sindicatos. Não foi a única demonstração de companheirismo, mas certamente uma das mais importantes.
Em menos de duas semanas, o movimento pela liberação do plantio da soja transgênica recebeu 35 mil assinaturas de produtores.
Originais e cópias das listas de assinaturas do abaixo-assinado serão levados a Brasília, para serem encaminhados à Presidência da República e Congresso Nacional.
Nesta terça-feira, o presidente da Faep, Ágide Meneguette, vai se encontrar com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e integrantes da Comissão da Agricultura da Câmara Federal. Meneguette esteve ontem na Assembléia Legislativa, em Curitiba, para a entrega do documento a deputados estaduais.
Liderado pelo Sindicato Rural de Cascavel, entre o fim de outubro e o começo de novembro, o abaixo assinado estendeu-se a entidades rurais patronais de outras regiões, cooperativas e associações de produtores. Representa um nível de adesão inédito, contra uma medida que, além de impedir decisões de livre arbítrio de plantio, é considerada também inconstitucional.
A pronta resposta e a forte adesão dos produtores paranaenses surpreendeu lideranças agropecuárias, do movimento pró-liberação do cultivo da soja modificada geneticamente. Agricultores do Sudoeste e Oeste procuraram espontaneamente suas entidades para assinar o abaixo assinado.
O documento é, ao mesmo tempo, denúncia e petição. Este é o pensamento dos produtores, através da sua entidade. Protesto contra a Medida Provisória 223, que restringe o plantio de soja transgênica a poucos produtores. Denúncia - dizem -, devido a discriminação aos milhares de produtores do Estado que não contam com sementes para plantio próprio, ainda obrigados a plantar conforme a escolha do Estado.
É petição na medida em que defende a mudança da MP 223, para estender a todos o direito de plantar a semente geneticamente modificada. Outra solicitação da Agricultura paranaense é a interveniência do presidente da Lula para que seja suspensa a proibição, pelo Governo do Estado, de embarque de soja transgênica no porto de Paranaguá, que vem aumentando o custo de transporte de soja paranaense para portos de outros estados, reduzindo o preço pago aos produtores rurais.

LEITURA DINÂMICA

Os produtores paranaenses não querem o Paraná declarado área livre de soja transgênica.
Para a Faep, seria uma nova discriminação e uma decisão equivocada do governo estadual, com uma lei de proibição de transgênicos que teve a sua vigência suspensa pelo Supremo Tribunal Federal - infelizmente após o encerramento do prazo para assinatura do Termo de Responsabilidade no ano passado.
No abaixo assinado também é dado o alerta, para outra situação:
Seguinte: Como milhares de agricultores já manifestaram a disposição de plantar semente transgênica - como fizeram no passado seus colegas gaúchos, posteriormente anistiados pela lei -, haverá uma grande quantidade de produto transgênico na próxima colheita, mas plantada clandestinamente.

DROPS

Notícia nacional
A polêmica sobre soja transgênica no Paraná é notícia nacional. A Agência Estado divulgou ontem: Produtores do Paraná vão pedir ao Ministério da Agricultura que recuse pedido feito pelo governador Roberto Requião (PMDB) para que o Estado seja reconhecido como área livre de transgênicos na safra 2004/05.

Para entender melhor
A Medida Provisória 223, de 14 de outubro de 2004, que autorizou o cultivo de soja geneticamente modificada na safra 2004/05, prevê essa possibilidade. O governo do Paraná pediu, em 22 de outubro, o reconhecimento de área livre ao Ministério da Agricultura. A solicitação ainda está em análise.

A posição dos produtores
O pedido dos produtores paranaenses está em abaixo-assinado que será entregue amanhã (hoje) ao Ministério da Agricultura, em Brasília. Uma cópia também será encaminhada à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.

Ocepar e Faep
Mais de 35 mil produtores assinaram o documento, informaram à Agência Estado as assessorias de imprensa da Faep e da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). No documento, eles também pedem o fim da proibição do embarque de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá.
A Agência Estado cita dados fornecidos pelas assessorias de imprensa da Ocepar e Faep. A posição da Ocepar é importante porque as cooperativas do Paraná são modelo de trabalho e eficiência. São respeitadas.

70 milhões de hectares
No documento, os produtores argumentam que mais de 70 milhões de hectares são cultivados com sementes transgênicas no mundo. Desse total, 43 milhões de hectares são plantados com soja transgênica. De acordo com as assessorias, estudos da Faep, Ocepar e Associação dos Produtores de Sementes (Abrasem) revelam que se o Paraná plantasse 100% de soja transgênica os agricultores reduziriam em 13,6% os custos de produção.

Prejuízo
Ainda segundo a Agência Estado: A proibição do embarque de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá resulta em prejuízo de R$ 1,4 bilhão, mostram os estudos.

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