OSWALDO PETRIN
Crime ambiental
Fotos de satélite, interpretadas pela Fundação de Pesquisas Florestais, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), serão entregues hoje à CPI da Reforma Agrária. As fotos são para ilustrar uma agressão ambiental grave, uma das maiores da história.
A Fazenda Rio das Cobras, que abrigava a terceira maior floresta nativa do Paraná (atrás apenas da Mata Litorânea e do Parque Nacional do Iguaçu) teve 10.614,19 hectares dizimados pelo Movimento dos Sem Terra (MST), entre 1996 e 2002. A mata de araucária, que representava 51,2% da área total, em 1998 passou a ser de 26,3% e em 2002 representou, somente, 11,9% da área total.
O documento que acompanha as fotos - que dizem ser tecnicamente incontestáveis -, diz textualmente:
''A propriedade produtiva, de manejo florestal sustentável, entremeando áreas de monoculturas florestais com florestas nativas, foi criminosamente devastada, com conivência dos órgãos governamentais - apesar dos repetidos alertas feitos por técnicos do IBAMA e do próprio INCRA''.
A fazenda Rio das Cobras, é propriedade da empresa Araupel e fica nos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Espigão Alto do Iguaçu e Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do estado. E o documento será entregue ao coordenador da Comissão Técnica de Política Fundiária da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Tarcísio Barbosa de Souza. Ele acha que o estrago é um dos maiores crimes ambientais cometidos na história recente do país.
Com as árvores centenárias, podem ter sido destruídas espécies pássaros e animais silvestres.
Segundo Barbosa de Souza, os conflitos agrários no estado só pioraram depois que o secretário do Emprego e das Relações do Trabalho, Padre Roque Zimmerman, um simpatizante declarado do MST, foi nomeado para presidir uma Comissão de Mediação dos Conflitos Agrários. (Veja mais nas páginas de política, no 1º Caderno: deputados vão visitar fazenda invadidas pelo MST).
LEITURA DINÂMICA
- Sobre a denúncia acima, tudo vai terminar em pizza.
- É grave a acusação. Segundo o documento, o MST devastou 10 mil hectares da terceira maior floresta nativa do Paraná.
- Apesar disso, é difícil acreditar que, em tempo de populismo e cinismo, os deputados queiram conferir alguma consequência, como responsabilizar os culpados.
- Tudo vai cair no esquecimento. E os desmentidos terão mais espaço do que a denúncia, apesar da consistência e do parecer irrefutável.
- Achar que os responsáveis serão punidos, pode ser apenas um sonho de verão.
- Agora, com que moral esses órgãos de defesa do ambiente vão poder exigir mais alguma coisa, como reposição de matas, etc.
- Com que estímulo propretários rurais vão colaborar com campanhas de preservação.
- Está todo mundo desmoralizado!
- Os caras ficaram seis anos derrubando mata e ninguém viu. É melhor fechar todas as siglas que tratam do ambiente.
DROPS
Trigo no Centro-Oeste
A 13 Reunião da Comissão Centro-Brasileira de Pesquisa de Trigo será em Goiânia, entre 7 e 9 de dezembro. A programação terá também o 2º Seminário Técnico, com a participação de representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva do trigo. A realização é da Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Cerrados e Embrapa Trigo. O governo destinará mais de R$ 500 milhões de financiamento para o custeio do trigo no Centro-Oeste.
Inscrição no site da Embrapa Arroz e Feijão: www.cnpaf.embrapa.br.
Soja em alta
Os contratos futuros da soja registraram significativas altas nesta quarta feira na Bolsa de Chicago (CBOT). As altas variaram de 10,50 a 13,50 centavos de dólar por bushel. O contrato de março subiu 13,50 centavos por bushel, fechando a 5,58 dólares por bushel. O de janeiro ganhou 12,50 centavos, para 5,53 dólares por bushel.
Ferrugem nos EUA
Na análise da FNP, o mercado não teria o porque de vir registrando estas altas já que está ofertado. Atualmente as projeções são de um estoque final na ordem de 60 milhões de toneladas, ou seja sobraria no mundo uma safra brasileira inteira. Sendo assim o mercado vem trabalhando em cima de um único fator altista, a ferrugem asiática.
Exageros
''Nos EUA, cultua-se muito a teoria do ''ataque, desastre, fim do mundo e etc.'' - observa a análise da FNP -, e neste momento após aparecerem apenas 4 focos da doença em lavouras experimentais de soja, trabalha-se a hipótese que na safra 2005/06 100% das lavouras serão atacadas e que o prejuízo chegará a U$ 2 bilhões de dólares''.
Média no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 34,10/saca (+0,98%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,35/saca (+1,81%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





