Tarifa oficial inflaciona

No mesmo dia em que a ministra das Minas e Energia alertou os produtores de álcool para que não alterem muito os preços - pois o abastecimento não será refém dos fornecedores -, saem os dados do IBGE mostrando que quem puxa a inflação são os preços administrados pelo governo.

Pressionada pelos combustíveis, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 0,44% em outubro, ante 0,33% em setembro.

Os dados divulgados ontem pelo IBGE mostraram que o índice já acumulou alta de 5,95% em 2004 e superou o centro da meta de inflação para este ano (5,5%). Em 12 meses, a variação é de 6,86%.

Apesar da alta do IPCA, que é referência para as metas de inflação do governo, os analistas do mercado não mudaram as apostas de alta de 0,25 ponto porcentual ou 0,50 pp na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) na próxima semana, já que a elevação era esperada e veio dentro das previsões.

A ultrapassagem da meta neste mês também já era dada como certa pelo próprio mercado e o Banco Central, pois a taxa acumulada tinha encostado no limite em setembro (5,49%). Mesmo tendo extrapolado o centro da meta, a inflação mantém-se abaixo do teto estabelecido (8%, já que a meta permite variação de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo).

Em outubro, a maior pressão sobre a taxa foi dada pela gasolina, que subiu 1,45% após o reajuste de 4% definido nas refinarias a partir do dia 15 do mês passado. A segunda maior pressão também foi dada pelos combustíveis, no caso o álcool, que aumentou 5,31%. Outros impactos importantes de alta foram dados pelas passagens aéreas (5,03%), automóvel novo (1,29%), artigos de vestuário (1,12%) e telefone fixo (0,57%). Agência Estado.

LEITURA DINÂMICA
- Para contrariar o avanço da biotecnologia, o PT desobedece orientação do próprio Planalto.

- A bancada do partido na Câmara contrariou a orientação do Palácio do Planalto e decidiu aliar-se à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na tentativa de fixar no plenário da Câmara regras menos flexíveis para a liberação da produção de organismos geneticamente modificados.

- Leia-se soja transgênica.

- Segundo a Agência Estado, o texto aprovado pela comissão especial, ontem, libera pesquisas com células-tronco e permite o plantio de sementes transgênicos.

- Por 15 votos a 1 os deputados petistas decidiram dar apoio ao texto do deputado Renildo Calheiros (PC do B-PE), que estabelece um maior controle para a produção e venda de transgênicos - em relação ao projeto de Biossegurança que saiu do Senado - e foi derrotado na comissão especial.

DROPS
Exportação de suínos
A exportação de carne suína alcançou receita cambial de US$ 77,330 milhões no mês de outubro, com aumento de 19,2% sobre o mesmo mês em 2003. O resultado correspondeu ao embarque de 44.491 toneladas, representando redução de 10,5% na comparação com outubro do ano passado, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira da Indústria Processadora de Carne Suína (Abipecs).

Preço em dólares
Em outubro, o preço médio da carne suína brasileira foi de US$ 1.738/tonelada, 33% acima do verificado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, as vendas brasileiras apresentam, na comparação com os mesmos dez meses em 2003, um aumento de 35,5% na receita cambial, com vendas de US$ 611,869 milhões, e uma redução de 0,2% nos volumes, que somaram 417.610 toneladas. Segundo a Abipecs, o preço médio nos dez primeiros meses do ano é de US$ 1.465/tonelada, com um aumento de 36% em relação ao mesmo período de 2003.

O leite dos paulistas
A qualidade dos laticínios paulistas está melhorando, mas ainda está longe de um bom padrão. O Ministério da Agricultura (Mapa) iniciou pesquisa sobre as condições da fabricação do leite em 2001. Nenhuma empresa obteve A (a nota máxima) e 70% obtiveram a classificação D (a pior). A classificação atual do Mapa indica que apenas 11% dos laticínios estão com D, mas a evolução para A é de apenas 24% das empresas. Os dados apontam que 53% dos laticínios ainda estão com B.(Fonte: Agência Folha).

Exportação de lácteos
As receitas com a exportações de lácteos aumentaram 102,5% de janeiro a outubro em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o setor arrecadou US$ 68,6 milhões, contra os U$ 33,9 milhões registrados nos dez prime iros meses de 2003. Em volume, as exportações de lácteos somaram 50,3 mil toneladas, 61,7% a mais do que no ano passado.

Bolsa após ferrugem
Como era esperado, as notícias sobre ocorrência de ferrugem na soja norte-americana e no Paraná - embora verdadeiras - não seguraram o mercado em alta. O dia seguinte, ontem, já foi de oferta para realização de lucros. Os contratos futuros da soja registraram baixas na Bolsa de Chicago (CBOT). As baixas variaram de 2,50 a 8,00 centavos de dólar por bushel.

Relatório Usda hoje
O novembro caiu 2,50 centavos fechando a 5,2050 dólar por bushel. A confirmação dos dois primeiros casos de ferrugem asiática nos Estados Unidos, pelo Usda na tarde de quarta-feira, foram deixados de lado ontem e o peso do relatório falou mais alto. O mercado trabalha confiante de que a safra americana sofrerá nova correção para cima.

Diferença
Acredita-se que sejam elevados em 1 a 2 milhões de toneladas a safra norte americana. Especulação ou não todos sabem que muitas vezes estes relatórios não têm muita coerência, mas o impacto no mercado é imediato, conforme obsrva análise da FNP.

Preço médio no Paraná
Poucos negócios ontem nas praças de Ponta Grossa, Paranaguá, Maringá e Cascavel. O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,87/saca (+0,12%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,01/saca (+0,33%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

mockup