OSWALDO PETRIN
Ferrugem da soja na Bolsa de Chicago
A ferrugem asiática, ou ferrugem da soja, mexeu com o comportamento do mercado futuro, ontem, na Bolsa de Chicago.
É isso mesmo: o fungo da ferrugem da soja circulou ontem pelo pregão da World Chicago Board of Trade. Dias atrás ele foi comentado na famosa publicação Oil World.
As altas variaram de 12,50 a 20,50 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro subiu 12,50 centavos fechando a 5,230 dólar por bushel.
''A grande propulsora das altas de hoje (ontem) foi a ferrugem asiática'', comenta análise da FNP Agroinformativos, de São Paulo com base em fontes de Chicago.
O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou nota oficial afirmando que em Louisiana foram detectadas duas áreas infestadas pela doença.
Ao mesmo tempo, a Embrapa divulgava a confirmação de casos da doença no Norte do Paraná e Mato Grosso (Primavera do Oeste e Ipiranga).
No caso dos EUA, para este ano, as perdas são ínfimas, uma vez que o ciclo está no fim. Mas no Brasil as coisas se complicam.
É verdade que Bolsas fomentam especulações e que o impacto no mercado soa mais como oportunismo dos agentes. Mas especulações só ocorrem em cima de fatos reais e a ferruge, hoje, é a grande preocupação dos plantadores de soja.
''No Brasil estes dados preocupam - diz análise da FNP -, uma vez que sequer chegamos à metade do plantio e já se confirmam os primeiros casos, fato que acarretará aumento de custo e diminuição de produtividade.
Vale lembrar que amanhã (hoje) é dia de relatório de oferta e demanda pelo Usda e ontem especulava-se muito sobre uma nova revisão da produção americana de soja.
Como a notícia surgiu no final da tarde, a repercussão no mercado interno não se manifestou.
LEITURA DINÂMICA
- Medida firme:
- Os gaúchos tomaram uma medida concreta para conseguir uma definição na política de abastecimento do trigo.
- As cooperativas gaúchas que comercializam cerca de 62% da produção estadual de trigo decidiram sair do mercado por tempo indeterminado, numa tentativa de provocar reação no preço.
- Foi uma medida firme, necessária. As cooperativas no Rio Grande do Sul têm clareza que é necessário pressionar e mostrar força.
- O valor da saca está abaixo de R$ 21,00 contra o custo produtivo de R$ 29,00.
- O preço está muito baixo no RS. No Paraná, ontem, o preço máximo chegou a R$ 22,20, em Ponta Grossa.
- Os produtores gaúchos também estão dispostos a reduzir a área destinada ao trigo no próximo inverno, caso o mercado não acene com reação dos preços.
- A decisão de sair do mercado foi ratificada em reuniões pelo interior. O presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, argumenta que os recursos do governo federal para os instrumentos de sustentação não estão chegando ao produtor. Fonte: site do Correio do Povo/Agrolink.
DROPS
Boi gordo tem nova alta
Analistas de mercado acusaram ontem novas altas nos preços da arroba do boi e forte tendência de que os preços se manterão em ascensão. ''Frigoríficos exportadores dizem possuir escalas para o dia 23, porém, há fortes suspeitas de falhas. No geral, essas escalas estão sendo formadas para a próxima semana, ou seja, são curtas''. afirma José Vicente Ferraz, de São Paulo.
Pouca oferta
Em São Paulo, foram registrados negócios com vacas a R$ 57,00/arroba e animais não rastreados com mesmo preço de rastreados no mercado interno (R$ 60/arroba, preço à vista e livre de Funrural. Em Goiás, a oferta ''sumiu'' e os preços não mudaram. Na região de Rondonópolis (MT) paga-se R$ 1,00/arroba a mais, no boi e na vaca. No atacado os preços ficam estabilizados.
No Paraná
O preço máximo de R$ 59,00/arroba foi registrado em três praças do Paraná: Guarapuava, Umuarama e Maringá. Detalhe: preço a prazo para descontar Funrural. Mas é visível a redução do fluxo de oferta também no Paraná, principalmente no Noroeste.
Carne para a China
Esta senaba surgiu um forte fator de alta para o boi: o Brasil está prestes a aumentar as vendas de carne para a China. O Brasil exigirá da China um maior acesso aos mercados de carnes, de soja e de frutas daquele país como contrapartida ao pedido chinês de ter sua economia reconhecida como de mercado. O assunto será tratado durante a visita do presidente chinês ao Brasil, Hu Jintao, que chega hoje 11 em Brasília. No caso da carne, ainda não se conseguiu vendas substanciais para a China: US$ 30 milhões no ano passado.
Para a Coréia
O Brasil quer vender carne também para a Coréia do Sul. Ontem, depois de uma visita de 11 dias, veterinários coreanos encerraram inspeção em 40 abatedouros de aves localizados no Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Coréia do Sul tem interesse em comprar carne de frango do Brasil.
Frigoríficos credenciados
O presidente da Coréia, Roh Moo-Hyun, visitará o Brasil entre os dias 16 e 18 e na oportunidade é possível que anuncie o credenciamento de frigoríficos para venda ao país.
Embriões de elite
Gugu Liberato foi quem comprou o lote mais caro do leilão realizado ontem pela AgroZurita, em São Paulo, conforme a Agência Folha/vaivém das commodities. Gugu pagou R$ 168 mil e ganhou o direito de escolher embriões das vacas de elite que Ivan Zurita, dono da AgroZurita, mantém em fazendas nos EUA e no Canadá. Também participaram do leilão, entre centenas de pecuaristas, os grandes fazendeiros Faustão e Ratinho.





