Burocracia atrapalha

Um dirigente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) fala que está tudo muito bem com a pesquisa. Deve estar ligeiramente enganado, pelo menos com relação à biotecnologia. Neste caso a burocracia para importar produtos biológicos trava estudos, conforme denúncia da Agência Estado, ontem.

Pesquisadores da área de genética e biotecnologia vêm enfrentando barreiras burocráticas para importar produtos básicos de laboratório. Eles têm o dinheiro, mas não conseguem comprá-los. O problema começou há cerca de quatro meses, com a publicação de uma circular do Ministério da Agricultura exigindo a apresentação de Certificado Zoossanitário Internacional para a importação desse material. Detalhe: o documento não existe em lugar nenhum do mundo.

A intenção era regulamentar a importação de produtos de origem animal e microbiana, mas, pela inexistência do tal certificado, acabou por paralisar as importações. ''Costumo reclamar das empresas, mas desta vez elas estão com mãos e pés atados. É impossível cumprir as exigências da carta'', desabafa a pesquisadora Santuza Teixeira, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estuda a genética do parasita Trypanosoma cruzi e está tendo de usar material emprestado de outros laboratórios.

Segundo a diretora-executiva da Associação Brasileira da Empresas de Ciências da Vida, Gisela Bellinello, a circular bloqueia cerca de 200 produtos, com impacto de 5% no faturamento do setor. ''Simplesmente paramos de vender, porque não temos como importar. O documento que eles pedem não existe.''

LEITURA DINÂMICA
- Primatas da agricultura...

- Não caberia grafar ''primatas do meio ambiente'' porque primatas, por razões óbvias, como a vida arborícola que levavam, eram ecologicamente mais evoluídos.

- Seguinte: 25 anos atrás, este jornal fez uma reportagem, talvez a primeira, sobre a contaminação do bicho-da-seda, por agrotóxicos. Foi em Sertanópolis e Nova Esperança. Sericicultores perderam uma ''safra''.

- O vizinho (irresponsável!) fazia aplicação aérea de fungicida na soja. O vento levou o veneno para as amoreiras que foram cortadas e destinadas (pelo produtor descuidado) à ''alimentar'' o bicho-da-seda.

- Irresponsabilidade de um; descuido do outro.

- Incrível mas ainda hoje (reportagem na Folha Rural do próximo sábado) ocorrem contaminações por deriva.

- Nada mudou.

- Ainda há quem aplique veneno na hora errada, no lugar errado e com o vento incerto. Portanto, ainda há derivas.

- Não vale jogar culpa no agrotóxico ou seu fabricante.

- No Rio Grande do Sul, também uns 25 anos atrás, um sujeito disparou uma arma de fogo contra um avião. Seu advogado alegou legítima defesa.

- Ninguém está fazendo apologia desse tipo de revide. Armas, hoje, são proibidas.

- Diante de casos de deriva a conclusão é a seguinte: não há consciência, não há fiscalização, não há receituário agronômico, não há um órgão que cuide do ambiente, não há nada!

- Está tudo abandonado. Não se sente a presença de órgãos comprometidos com o ambiente.

- Deriva é falta de consciência. Qualquer pessoa minimamente preparada sabe que é preciso evitar.


DROPS
Cooperativas da Espanha
A Cooperativa Integrada está recebendo a visita de um grupo de três diretores de uma cooperativa espanhola interessados em conhecer o sistema cooperativista brasileiro, além de discutir formas de interação e de projetos comerciais entre a cooperativa londrinense e a européia.

Convênio com UEM e Integrada
O convite surgiu através do intercâmbio entre a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade de Alicante. O grupo fica três dias no Paraná e vai conhecer propriedades de cooperados da Integrada, especializados em grãos e frutas, nas regiões de Mauá da Serra e Floraí. Além de também visitar as indústrias de milho e fios de algodão da cooperativa em Andirá e Assaí.

Soja Chicago
Os contratos futuros da soja registraram altas ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). As altas variaram de 1,50 a 8,50 centavos de dólar por bushel. O novembro subiu 8,50 centavos fechando a 5,1050 dólar por bushel. Segundo análise da FNP, a princípio não há fato novo no mercado capaz de justificar a reação do mercado.

Relatório Usda
Os rumores sobre o próximo relatório do Usda de 12 de novembro, são baixistas (especula-se que o órgão irá rever para cima as projeções de safra nos EUA), e o impasse com a China (o mercado comenta que no última semana havia cancelado cerca de 290 mil toneladas contratadas previamente) não teve novos acontecimentos.

Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,57/saca (+0,72%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,88/saca (+1,11%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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