Imposto sobre a farinha

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) está apelando ao governo para que dê ao trigo o mesmo tratamento que vem dando a outros produtos, em termos de incentivo fiscal. Apesar da sua importância na alimentação popular (cesta básica) o trigo não tem isenção e o consumo da farinha está caindo.

O trigo ficou de fora da isenção de PIS/Cofins dada pelo governo em julho para os produtos da cesta, como arroz, feijão e farinha de mandioca. A desvantagem tributária é de 9,25% e, segundo a indústria do trigo, vem tirando mercado da farinha de trigo em favor da farinha de mandioca e do arroz.

A Abitrigo pediu ontem ao governo para que estenda ao trigo a isenção dos dois impostos por meio da Medida Provisória 202, que altera a legislação tributária referente ao Imposto de Renda, PIS/Pasep e Cofins.

A MP é uma das que trancam a pauta do Congresso e deve ser votada na semana que vem.

Para o proprietário do Moinho Pacífico, Lawrence Pih (entrevistado ontem pela Agência Estado, Jane Miklasevicius), não faz o menor sentido a farinha de trigo recolher PIS/Cofins e a farinha de mandioca não. Ele lembra que a farinha de trigo foi a escolhida para ser enriquecida com ferro e ácido fólico, atendendo a pedido da Organização Mundial de Saúde. Pih enfatiza, ainda, que o consumo do cereal caiu no primeiro semestre, em decorrência da queda da renda do brasileiro. De acordo com seus cálculos, nos primeiros seis meses do ano a indústria reduziu a moagem em 5%. ''Com o crescimento da economia no segundo semestre e a isenção do PIS/Cofins, esperamos a recuperação do consumo e fechar o ano empatando com o ano passado'', disse.

Em 2003, a indústria processou 9,4 milhões de toneladas de trigo. O presidente da Abitrigo, Francisco Samuel Hosken, que ontem voltou a Brasília para reforçar o pedido da indústria ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, espera a votação da MP para a próxima quarta-feira. ''Outubro foi um mês ruim para as vendas de farinha, certamente já refletindo a isenção de PIS/Cofins para o arroz e mandioca'', disse.


LEITURA DINÂMICA
- A Embrapa divulga bem suas atividades, o que é positivo. Os textos são bons e ricos em dados.

- Só que a Embrapa exagera:

- Ontem, por exemplo, um press-release da Embrapa Gado de Corte, com sede em Campo Grande, foi distribuído para a imprensa do Paraná (e certamente de todo o País).

- Matéria de serviço? Utilidade pública? Algum alerta sobre sanidade? Algo que intreressa a todo o País? Alguma descoberta científica?

- Nenhuma das hipóteses:

- A informação dava conta que nesta sexta-feira, às 8 horas, aquela Unidades da Embrapa recebe as visitas do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues; do governador do Estado do MS, Zeca do PT, e do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Motivo: solenidade de lançamento da terceira etapa de vacinação contra febre aftosa no MS e de ato simbólico de lançamento do Centro Tecnológico da Carne.

- Convenhamos: não é um acontecimento nacional. É rotina!

DROPS
Boi gordo/alta
O mercado da carne bovina está apostando no aumento do consumo neste final de semana para alavancar os preços da arroba do boi. A alta esperada para outubro não aconteceu porque o gado de corte fica a mercê do monopólio de compra (oligopsônio). Mesmo assim, pecuaristas dão como certo um aumento de pelo menos R$ 1,00/arroba.

Boiada concorrente
Se o mercado consumidor aumenta, não adianta frigoríficos requisitarem gado de outras regiões para forçar baixa na sua área de atuação. Isto acontece muito no Estado de São Paulo, mas só resolve temporariamente. O fato é que eles precisam de boi gordo. Se a oferta for baixa, chega num ponto que vão ter que melhorar o preço.

Aliás, ontem, frigoríficos paulistas tiveram que pagar vaca gorda a R$ 55,00/arroba.

Novos mercados
Com o monopólio dos frigoríficos, os produtores vão procurar outros mercados. E conseguem. Estão chegando aí missões da Coréia do Sul, Malásia e China. Este mês e novembro essas missões têm programa de visitas a frigoríficos e abatedouros, onde se processam os bovinos e aves. Objetivo: inspeção do controle sanitário nacional e dos estabelecimentos exportadores.

O boi gordo no Paraná, ontem, foi comercializado por R$ 59,00 (US$ 20,8/arroba). O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$ 60,98/arroba (+0,08%). A prazo, a cotação ficou em R$ 62,13/arroba (+0,24%).

Soja: média no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 33,55/saca (-1,32%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,90/saca (-1,00%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Soja Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram em baixa nesta quinta feira na Bolsa de Chicago (CBOT). As quedas foram entre 4,00 e 14,75 centavos de dólar por bushel. O novembro, caiu 14,75 centavos fechando a 5,0950 centavos de dólar por bushel. Na semana passada chegamos a falar sobre a tática de compras antecipadas da China, para burlar as altas antecipadas dos fretes marítimos.

Perda de 33%
Os preços atuais dos produtos agrícolas não favorecem os produtores. A soja vale hoje no mercado interno 33% a menos do que em novembro de 2003, diz o analista José Pitoli - em entrevista à Agência Folha, vaivém das commodities. Há um ano a saca custava R$ 44,3. Ontem estava a R$ 30.

Trigo e milho também
Milho e trigo seguem o mesmo caminho de quedas. O primeiro teve redução de 17,2% em comparação a novembro de 2003. No caso de trigo, a queda é de 12%. Somados os gastos com a elevação dos insumos e a alta da inflação do período, a produtividade será bem menor neste ano.

mockup