Combustíveis oneram a safra

De uma colheita a outra, os combustíveis acumulam um aumento de 24% na composição de custos, tomando como base médias entre milho e soja.
E há mais um aumento: os preços da gasolina e do diesel continuaram em alta na segunda semana após os reajustes promovidos pela Petrobras. O aumento na semana passada foi pequeno, de 0,2% e 0,3%, respectivamente, mas contradiz as expectativas de acomodação dos preços depois de uma primeira semana de repasses acima do esperado. Até agora, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os repasses para a gasolina e o diesel chegaram a 2,76% e 4,6%. A Petrobras estimava uma alta de 1,6% e 3,8%, respectivamente.
Logo na primeira semana os aumentos já haviam ultrapassado a estimativa da estatal. Revendedores e distribuidores explicaram que se tratava de movimento normal após reajustes, mas depois os preços recuariam, forçados pela concorrência entre os postos. De fato, os postos reduziram suas margens na venda de gasolina na segunda semana, depois de um aumento de 12,5% após os reajustes. De acordo com o levantamento de preços da ANP, a margem média da revenda no Brasil ficou em R$ 0,288 por litro na semana passada, uma queda de 3% com relação à semana anterior.
As distribuidoras, porém, mantiveram tendência de alta, com aumento de 0,7% no preço registrado na última semana. O vilão, desta vez, é o álcool anidro, que é adicionado à gasolina vendida nos postos. Segundo as distribuidoras, os aumentos refletem o repasse do preço do combustível. De fato, a pesquisa semanal de preços vem detectando, nas últimas semanas, uma tendência de alta no preço do álcool hidratado - o anidro costuma acompanhar a variação desse produto. Desde o início de setembro, o álcool subiu, em média, 6,8%, atigindo R% 1,387 por litro na última divulgação.

LEITURA DINÂMICA
- As exportações do agronegócio divulgadas ontem pela Secex mostram que o país deverá obter novo recorde no setor neste ano.

- Dois itens são importantes: soja e carnes. As receitas com soja não caem tanto quanto se previa, enquanto as com as carnes sobem mais do que o esperado.

- O complexo soja (grãos, farelo e óleo) já acumula receitas de US$ 9,13 bilhões de janeiro a outubro, 30% a mais do que no mesmo período de 2003.

- As exportações de soja em grãos renderam US$ 5,2 bilhões (28% a mais do que em 2003); as de farelo, US$ 2,91 bilhões (mais 39%); e as de óleo de soja, US$ 1 bilhão (mais 23%).

- Outro setor que surpreende é o de carnes. As receitas acumuladas até outubro somam US$ 4,3 bilhões, 49% a mais do que no mesmo período de 2003.

- As carnes de frango lideram as receitas, mas as bovinas são as que mais crescem percentualmente, conforme os dados da Secex.

- Os dados do governo mostram que as receitas com carne de frango, de janeiro a outubro deste ano, somam US$ 2,1 bilhões, 50% a mais do que no mesmo período de 2003.

- Em outubro foram exportados US$ 218 milhões, 66% a mais do que em outubro de 2003.

- As vendas externas de carne bovina renderam US$ 1,62 bilhão, 80% a mais do que os US$ 900 milhões de janeiro a outubro do ano passado. Já as receitas com carne suína subiram para US$ 592 milhões, 37% a mais do que em 2003.

- Mesmo sem tradição nas exportações de milho, o Brasil já soma US$ 571 milhões até outubro, 91% a mais do que em 2003.

- O mercado é favorável também para o açúcar, que teve alta de 51% nas receitas, mas ruim para o suco de laranja, que teve queda de 14% neste ano. (Agência Folha - vaivém das commodities).


DROPS
Agrotóxico ilegal no Paraná
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Para Defesa Agrícola (Sindag) enviou nota a esta coluna, ontem, informando que a Polícia Federal de Maringá apreendeu uma ''grande quantidade'' de agrotóxicos contrabandeados. De acordo com o site da Polícia Federal, foram presas dias pessoas, acusadas de roubo.

Sem documento
Os produtos apreendidos não tinham documentação legal ou receituários agronômicos. O receituário não é muito usado mas a documentação é importante. O material era trazido do Paraguai e seria comercializado nas cidades de Maringá, Mandaguaçu, Jussara e São Jorge do Ivaí.

Prejudica o ambiente
Dados do Ibama mostram que toda a cadeia produtiva e consumidora de produtos agropecuários é afetada pelo uso de agrotóxicos ilegais, falsificados ou contrabandeados. A maior parte desses produtos vem de regiões de fronteira e são, em geral, de origem duvidosa, não apresentando identificação na embalagem.

Pirataria de US$ 100 milhões
Dados do Ibama mostram que os maiores índices de pirataria observados vêm da sojicultura, sendo os herbicidas os preferidos dos contrabandistas. De acordo o Sindag, o prejuízo causado pela movimentação de agrotóxicos ilegais no Brasil foi da ordem de US$ 100 milhões em 2003.

Soja na Bolsa
Os contratos futuros da soja terminaram em baixa ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). As quedas foram entre 3,00 e 7,00 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, caiu 3,75 centavos fechando a 5,2425 centavos de dólar por bushel.

Clima favorável
A estabilidade do clima norte-americano, propiciando a retomada da colheita, ajudou nas baixas de ontem. O clima favorável em toda América do Sul, indica plantio sem maiores problemas para o Brasil e a Argentina, agindo diretamente no mercado como pressão baixista.

Poucos negócios no Paraná
Segundo a FNP, no Paraná, foram registrados poucos negócios no porto. Os preços mantiveram-se estáveis com relação a sexta feria passada. O clima em todo o país foi propício para a continuidade dos trabalhos de plantio. Os agricultores continuam aguardando o melhor momento para fazer vendas futuras. O preço máximo, ontem, foi R$ 33,00/saca, em Ponta Grossa.

Plantio
Especula-se que 20% de toda a safra nacional já esteja plantada e, por enquanto, não há registro de perdas ou replantio em parte alguma. Os números prévios da Secretaria de Comércio Exterior apontam para um volume exportado no mês de outubro de aproximadamente 920,6 mil toneladas contra 2,1 milhões de t no mesmo período do ano passado.

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