OSWALDO PETRIN
Risco de inflação
Novo alerta sobre o risco iminente de inflação.
A decisão do governo de adiar o reajuste dos preços dos combustíveis para depois das eleições municipais foi criticada ontem por um órgão do próprio governo, o Conselho de Política Monetária (Copom), colegiado do Banco Central, aquele que não hesita em reajustar as taxas básicas de juro.
O Banco Central alertou que a demora do governo em reajustar os valores da gasolina e do diesel levará a mais aumentos de juros para conter as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos.
Esta é a segunda vez que o BC diagnostica a aceleração da inflação. Segundo o BC, conforme a demora dos reajustes de tarifas oficiais, aumenta as chances de descontrole de preços.
O BC faz esta afirmação através de um documento chamado ''Ata'' da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Na Ata do Copom os diretores do BC se mostram preocupados com a ''intensidade e a persistência'' na alta do preço do petróleo no mercado externo e o impacto na inflação de 2005. O documento foi divulgado ontem pela Agência Estado.
O documento do BC usa de linguagem sutíl para mostrar os riscos da inflação no início do ano que vem:
''A deterioração das expectativas para a inflação de 2005 ainda não estancou, a despeito da apreciação da taxa de câmbio, do comportamento favorável da inflação, da queda recente dos preços internacionais de importantes commodities e da sinalização de aperto na política monetária ao longo dos últimos meses''.
E dá-lhe juros: diante da combinação de petróleo em alta com reforço nas apostas de piora na inflação, os diretores afirmam que continuarão elevando a taxa de juros nos próximos meses. Nos últimos dois meses, a taxa básica de juros subiu 0,75 ponto porcentual, passando de 16,25% em setembro para 16,75% na semana passada.
LEITURA DINÂMICA
- Juros altos ''castram'' as compras, reduzem a demanda e mantêm os preços estáveis.
- Mas isto não basta. Juros demoram para surtir efeito e só vão transparecer nas contadas da economia em 2005.
- Até lá a inflação vai subir pela postura defensiva do comércio que teme a reposição de estoques.
- Não está descartada uma forte remarecação de preços na virada do ano.
- Fartura das safras agrícolas pode evitar alta dos alimentos, mas não vai conter outros itens como vestuário, aliguel, etc.
- E tem as tarifas públicas: os preços adminsitrados pelo governo são os que puxam a inflação.
DROPS
Soja, novo capítulo
As divergências entre governos federal, estadual e produtores, com relação ao plantio de soja transgênica ganhou novo capítulo, ontem. O presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Emílio Menegatti, disse que os agricultores não vão mais se ''acovardar'' diante da proibição do plantio da soja no Estado. Veja nesta página.
Artigo de Ágide
Em artigo para a Folha Rural deste sábado, o presidente da Faep, Ágide Meneguette, explica as contradições da medida provisória (MP) da soja transgênica e diz que a Federação vai agir judicialmente para impedir que seja mantida (na MP 223) a discriminação contra seus produtores.
MP foi equívoco
''A medida provisória nº 223, de 14 de outubro último, que liberou o plantio de soja transgênica, contém uma inconstitucionalidade ao discriminar produtores rurais em relação ao direito de semear''.
Área livre, um atraso
O Governo Federal errou ao querer delimitar a alguns produtores o direito de produzir soja transgênica e o Governo do Estado age equivocadamente quando pede que o Paraná seja área livre do produto ou proíbe sua exportação pelo porto de Paranaguá. Ambos estão laborando contra o desenvolvimento da nossa agropecuária e contra nossos produtores rurais.
Não é crime, mas...
Meneguette diz em seu artigo que ''Ao editar a Medida Provisória, o Presidente da República considerou que não é crime plantar soja transgênica. Contudo somente são autorizados a plantar aqueles produtores que possuem sementes próprias (Artigo 1º), sendo vedada a aquisição semente ou plantio - mesmo do produtor - semente colhida em outro Estado''.
Genética bovina
A Central Bela Vista inicia um novo conceito de comercialização de genética bovina: ''De criador para criador''. O programa foi criado em parceria com seus clientes objetivando ampliar e modernizar o mercado brasileiro de sêmen e de embriões. Caberá à Bela Vista industrializar o sêmen e garantir a qualidade, segundo o presidente da empresa, Jovelino Mineiro, à Agência Folha, ontem.
Álcool: a commodity
Atuando tanto na área de pecuária como na de grãos, Mineiro diz que a commodity do futuro será o álcool. ''Foi lamentável o esfriamento do Proálcool. Foi falta de visão.'' Para o empresário, o Brasil já poderia estar muito mais adiantado nesse setor se tivesse dado continuidade ao programa.





