OSWALDO PETRIN
Multa transgênica
Em mais um capítulo da soja transgênica, o governo do Paraná protocolou ontem pedido para que o Estado seja reconhecido como área livre de transgênicos na safra 2004/05.
Detalhe: o volume de soja geneticamente modificada no Paraná não permite declarar o Estado como ''zona livre de transgênicos'', segundo o Ministério da Agricultura (Veja mais nesta página)
Enquanto isso, alguns técnicos não gostaram do que foi divulgado no ''Diário Ofidial da União'' no último dia 22: os agricultores que decidirem plantar soja transgênica terão de assinar, como no ano passado, um documento no qual confessam que sabem que estão cometendo um ato ilícito, ao usar sementes geneticamente modificadas.
O decreto cria o Termo de Compromisso, Responsabilidade e Ajustamento de Conduta (TCRAC). O documento segue os mesmos parâmetros do usado em 2003. O agricultor que não assinar o termo e plantar sementes geneticamente modificadas está sujeito a uma multa de R$ 16.110, que pode ser acrescida em 10% para cada tonelada produzida. O limite da multa é o dobro do valor da colheita.
Como se vê a indústria da multa, para saciar a fúria arrecadadora do governo federal, não perdoa nem uma questão ainda dúbia como a soja transgênica.
O TCRAC, esta sigla-obcena, deverá ser entregue pelos agricultores que usam a soja transgênica até o dia 31 de dezembro. O documento está disponível nas agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
LEITURA DINÂMICA
- Denúncia
- Dois produtores rurais de Antonina, no litoral do estado, fazem graves denúncias nesta terça-feira pela manhã aos deputados da CPI da Terra.
- Pedro Paulo Pamplona teve a propriedade invadida em 31/03/2004 e Paulo Cleve do Bonfim em 24/05/2004. A Justiça determinou a reintegração de posse e o MST deixou as áreas invadidas.
- Mas os sem-terra permanecem em frente às propriedades e impedem o acesso dos produtores com ameaças de morte.
- Durante a audiência, os produtores também vão fazer denúncias que atingem o MST e a questão do pedágio no Paraná.
- A informação é da Faep.
- Revista ''Veja'' desta semana entrevista o ex-presidente do Incra, Francisco Graziano Neto.
- Ele critica o projeto de reforma agrária, dizendo que ele não passa de ação política e ideológica.
- Graziano diz ter estudado dezenas de acampamentos e assentamento, do Pontal do Paranapanema (SP) a Eldorado dos Carajás (PA). O resultado está no livro ''O Carma da Terra no Brasil''.
- Ele diz que os assentamentos são um fracasso total.
- Denúncia de desperdício:
- Na Gleba XV de Novembro, em Ponta do Paranapanema, ''terra do festejado José Rainha, foi montada uma grande cooperativa que recebeu em valores da época 8,5 milhões de reais de financiamento público para comprar 42 tratores, construir laticínio e silos.
- Mas os tratores sumiram e as instalações estão abandonadas, ''para quem quiser ver''.
- Graziano diz que alguns assentametnos funcionam, uns 100, entre 5 mil.
- Ele também afirma: ''o modelo fundiário defendido pelo MST e encampado pelo governo Lula é falido''.
----------------------
DROPS
Barreira sanitária
Veja como é importante o fator sanidade e como ela serve de prestesto para atrapalhar os países que exportam. As exportações de carne suína recuaram para 47,6 mil toneladas no mês passado, 19,3% menos do que em agosto e 7% abaixo do volume de setembro de 2003. É a primeira vez, desde maio, que há queda em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse recuo se deve ao embargo russo.
Barreira sanitária 2
Por este motivo os pecuaristas acham importante seguir corretamente a vacina do gado contra a aftosa. Concorrentes do mundo inteiro estão torcendo para que o Brasil sofre algum tropeço. Pelo jeito não são só eles. Os governos federal e estadual precisam mostrar mais compromisso com a sanidade.
Reunião de sanidade
Amanhã representantes de várias entidades da pecuária estarão reunidos no Sindicato Rural de Londrina para tratar de assuntos da sanidade. No caso da aftosa, é provável que eles apresentem um manifesto de apelo ao governo para que tome posição diante na cessidade de medidas preventivas, como a vacina.
Soja tem alta em Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem em alta na Bolsa de Chicago. As altas variaram de 11,00 a 15,00 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, subiu 11,00 centavos fechando a 5,41 centavos de dólar por bushel.
Mercado interno não repercutiu a reação de Chicago.
Detalhes
Interpretando esse resultado, analistas da FNP, disseram ontem que o relatório de sexta feria do Comodities Futures Trading Comission mostraram que o mercado tinha 45,19 mil lotes comprados e 92,84 mil lotes vendidos. Por isso os operadores de mercado iniciaram suas ondas de compra para saírem da posição de novembro antes do primeiro dia de notificação que será no próximo 29 de outubro.
E houve chuvas durante todo o final de semana nas principais áreas produtoras norte americanas.
Exportações de grão
As indústrias processadores de soja diminuíram as exportações de grãos neste ano. As estimativas são de que essas indústrias colocaram 10,55 milhões de toneladas de fevereiro a setembro no mercado externo, 11,6% menos do que no mesmo período anterior, informou a Agência Folha, vaivém das commodities.
China atrapalha
Uma das explicações para essa redução pode ser o embargo chinês, que afetou mais as multinacionais. Já os dados da Secex mostram caminho inverso para o período. Neste ano, foram exportados 17,1 milhões de toneladas, 400 mil toneladas acima do volume de igual período de 2003.





