-Quantas vezes não se ouviu falar que o mercado brasileiro não tem agressividade nenhuma no exterior e que nosso marketing é tímido? Ou que os exportadores ignoram centenas de nichos que poderiam absorver igual número de produtos? Pois é, o presidente FHC vai anunciar amanhã, no Rio, a criação da Agência de Promoção do Comércio Exterior. O anúncio ocorrerá durante o encerramento do 17º Encontro Nacional de Exportadores, evento que tem o patrocínio da Associação Brasileira de Comércio Exterior. Apesar do anúncio por FHC, a agência não fará parte da estrutura governamental. Estará integrada ao Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), que destinará os recursos necessários - cerca de R$ 50 milhões, inicialmente.
-Ao governo caberá a designação do gerente da agência, que seguirá a política de promoção comercial ditada pela Câmara de Comércio Exterior e terá apoio do Itamaraty e do MICT (Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo). Em princípio, a agência deverá se concentrar na promoção - por meio de publicidade e marketing - de produtos brasileiros. Também será responsável por dar assessoria técnica a pequenas e médias empresas que pretendam vender seus produtos no exterior, conforme a repórter Denise Chrispim Marin, da Agência Folha. A criação desse organismo foi motivada por dois dados que incomodam o governo.
-O primeiro é o fato de haver apenas 15 mil empresas exportadoras no país, quase todas de grande porte. Incluindo as que atuam nas áreas comerciais e de prestação de serviços, existem cerca de 5 milhões de empresas no Brasil. Outro dado relevante é a expectativa de crescimento anual de 10% das exportações em 97 e de outros 10% em 98. Embora relevantes, a elevação é insuficiente para se contrapor ao avanço das importações. As previsões de mercado mostram que o déficit comercial deste ano deve ficar em torno de US$ 9 bilhões e o de 98, em US$ 6,5 bilhões. Embora apontem declínio do saldo negativo, essas cifras ainda pressionam as contas externas.
-‘‘Mercodólar’’O presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA), Pedro Pou, disse anteontem à noite, em Buenos Aires, que o dólar pode transformar-se na moeda única do Mercosul se o bloco regional realmente avançar mais no seu processo de integração econômica. Pou explicou que, se a moeda única do Mercosul for aquela que circula num país monetariamente mais conservador, como os Estados Unidos, seria fácil enfrentar qualquer ataque especulativo, tanto interno como externo. O responsável pelo BC argentino considerou que os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) deveriam ter critérios mais conservadores do que os de Maastrich, que determina severos ajustes para chegar à moeda única européia, o euro, a partir de 1999. Ao se referir à moeda única para o Mercosul, Pou fez ressalva de que o tema ainda precisa de longa discussão, mas admitiu que a moeda comum ajudaria os países do Mercosul a defender-se dos ataques especulativos em tempos de crise. Expoara/grátis

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