Safra da soja preocupa

A Agência Rural (AgRural) divulgou ontem a sua segunda estimativa da safra brasileira de soja 2004/05. Aponta uma área plantada de 22,74 milhões de hectares - ou 7% sobre os 21,27 milhões de ha da safra 2003/04.

Aumento de área, por enquanto, não significa necessariamente aumento de produção. Pelo contrário, a produção será menor (queda na produtividade). Mas é previsão que, comercialmente, dá margem para especulação.

De qualquer forma, o que pesa mesmo é a safra norte-americana - objeto do artigo do presidente da Faep, Ágide Meneguette, na Folha Rural do último sábado.

Ágide cida o último relatório do USDA: a previsão de uma safra de 77 milhões de toneladas saltou para quase 85 milhões, um adicional de quase 8 milhões a mais em face das condições ideais de desenvolvimento das lavouras naquele país.
A abundância da próxima safra mundial de soja e a possível retração do mercado, especialmente da China, fizeram os preços despencarem no Paraná para os atuais R$ 33,00 a saca, e para o futuro R$ 30,00 em plena colheita no primeiro semestre do próximo ano.

O presidente da Faep aponta dos custos de produção: Os custos de produção subiram desproporcionalmente: os fertilizantes em mais de 24%; os defensivos em 15%, o transporte - em razão da alta do petróleo - aumentaram quase 30%. Segundo levantamento feito pelo Deral, o custo operacional deverá superar os R$ 26,00 a saca, deixando uma margem reduzida para o produtor. Esse custo pode ser ainda maior se a lavoura for infestada pela ''ferrugem'', que demandará aplicações adicionais de defensivos, ou sofrer problemas climáticos que derrubem a produtividade.

Não há como fugir dessa situação de sufoco - diz ele - uma vez que o produtor rural maneja apenas uma das variáveis da equação: a sua própria produção. Não comanda o mercado mundial e, portanto, não pode influir na fixação dos preços. Não pode, também, influir nos custos fora da porteira, que tem impacto direto no preço que lhe é pago.

Tirar da lavoura e colocar no porto custa nos Estados Unidos 8,7% do valor da soja, na Argentina, 10,26%. E no Brasil, 23%. Por aí fica fácil verificar as desvantagens que levam nossos produtores. É bem verdade que nos Estados Unidos usa-se largamente o transporte hidroviário, condição esta que a natureza negou ao Paraná, e somente agora começa a ser utilizada no Centro/Oeste. Mas mesmo assim a diferença é brutal porque os custos de transporte e de tarifas portuárias são altíssimos.

É aqui justamente que os produtores têm a oportunidade de minimizar os efeitos de preços baixos e custos altos. É no transporte que é possível reduzir a diferença e aumentar a rentabilidade do produtor, tornando nossos produtos - e não apenas a soja - mais competitivos no mercado externo e mais baratos para o consumidor brasileiro. Rodovias sucateadas, pedágios escorchantes, e portos e ferrovias ineficientes são a causa deste prejuízo com que arca o produtor rural.

O artigo de Ágide Meneguette tem outros dados sobre custo da soja e mercado. Pode ser lido no site: www.folhadelondrina.com.br

LEITURA DINÂMICA

- O líder do PV na Câmara, deputado Edson Duarte, vai entrar hoje com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP 223, que liberou o plantio e a comercialização da soja transgênica na safra 2004/2005.

- A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 14.

- O PV questiona a constitucionalidade da MP com o argumento de que a liberação de organismos geneticamente modificados ocorreu sem a realização de estudo de impacto ambiental.

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DROPS
Quem perde área
Com a expansão da soja, quem perde? Segundo a AgRural, o aumento resulta da ampliação das áreas de fronteira agrícola, da redução da área dedicada ao milho e do avanço da oleaginosa sobre áreas de pastagem, mas é limitado pela combinação entre o alto custo dos insumos e a queda dos preços do grão.

Paraná cresce 4%
Entre os grandes produtores, o estado que deve ter o maior incremento é Mato Grosso, onde a área dedicada à oleaginosa pode chegar a 5,70 milhões de ha - um avanço de 11% em relação ao ano passado -, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul devem ampliar a área em apenas 4% e 2%. Mas o grande destaque fica por conta da região Nordeste do país. De acordo com a estimativa da AgRural, a área semeada com soja deve ter um avanço de 23% no Piauí, de 18% no Maranhão e de 10% na Bahia.

Área maior, safra menor
Mas, com o aumento da área (citada no início da coluna) a produção, que agora é calculada entre 61,40 milhões e 62,76 milhões de toneladas, é menor que a de 63,50 milhões estimada anteriormente. Isso acontece porque a projeção de rendimento médio foi reduzida de 46,7 sacas por hectare para um intervalo entre 45 e 46 sacas.

Uso de tecnologia
A produtividade tende a não ser tão elevada porque os atuais preços da soja não estimulam os produtores a investir tanto quanto deveriam em fertilizantes e defensivos agrí-colas.

Rendimento
Por isso, o rendimento de 45 a 46 sacas previsto pela AgRural (e em linha com a tendência apontada pelo histórico de produtividade da Conab) é válido para
condições climáticas normais. Caso ocorram problemas ao longo da safra, ele deverá ser reduzido. No ciclo 2003/04, O Brasil produziu 49,20 milhões de toneladas.

Couro
O 1º Encontro Nacional do Couro, hoje, em Novo Hamburgo (RS) quer posicionar o Brasil como referência internacional no lançamento de moda em couro. Evento é promovido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), a Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSUL) e Instituto Latino Americano do Couro.

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