OSWALDO PETRIN
Soja vive fase de transição
É uma das poucas fases difíceis do mercado da soja. A pequena reação do mercado futuro, ontem, na Bolsa de Chicago (contrato de novembro subiu 6,00 centavos fechando a 5,1550 centavos de dólar por bushel), atribuída ao bom desempenho da indústria de esmagamento, não muda o cenário de baixa que o setor ainda tem pela frente e que deve chegar à virada do ano.
A cada dia, mais e mais agricultores expressam sua preocupação com o mercado. Não se trata de natural lamento de quem deixou de vender na hora certa. Trata-se de uma conjuntura que não anima; inclui aqueles que venderam a safra anterior no melhor momento, no pico da comercialização e, por certo, estão capitalizados.
É comum aos interesses dos 243 mil produtores de diferentes portes, grandes, médios ou pequenos, que cultivam mais de 22 milhões de hectares. Trata-se de um setor forte, de portentosos 10 bilhões de dólares em exportação em 2004, quando se soma a receita de grãos e derivados. Ou, então, 11% de tudo que o País vende ao exterior.
Mas soja é soja. E enquanto houver gente para comer no mundo inteiro, a soja terá sempre mercado garantido. É por essa razão que a questão é conjuntural. Na última temporada de comercialização ocorreu o inverso: para uma previsão de 60 milhões de toneladas (30% da oferta mundial, segundo a Abiove), a colheita ficou em 50,6 milhões de toneladas.
Ferrugem no Centro-Oeste e estiagem em várias regiões produtras foram as causas da redução. O mercado vinha de uma safra norte-americana igualmente baixa, ao contrário do momento atual em que cada informação sobre o desempenho da produção dos Estados Unidos, provoca queda na Bolsa de Chicago. Embora o mercado futuro responda aos impulsos da especulação, é ele quem acaba ditando a tendência no mundo inteiro.
Paralelamente, tudo o que acontece com o mercado da soja tem rápida repercussão porque a soja é uma das commodities que apresentam demanda intensiva de capital. E o mercado vive este momento de certa forma tenso. A retomada do ritmo normal de comercialização pode surpreender e acontecer ainda este ano, mas não é esta a previsão das empresas de consutoria de mercado.
LEITURA DINÂMICA
- Até as 21 horas de ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, estavam reunidos no Palácio do Planalto.
- De manhã, o ministro da Agricultura havia informado, em Piracicaba (SP), que Lula assinaria, ainda ontem, a medida provisória liberando o plantio de soja transgênica.
- Marina se opõe a esta medida. Tentava reverter o quadro.
- O ''pega'' entre o ministro e a ministra não é novidade para ninguém.
- A divulgação da MP era esperada para ontem à noite, no Palácio do Planalto.
DROPS
Difícil reversão do mercado
O produtor de soja está diante de um cenário de difícil reversão, este ano, na opinião de analistas da Granoeste, de Cascavel. O atual quadro de preços baixos deve continuar até final do ano, completam outros analistas. A taxa cambial e os prêmios nos portos brasileiros se apresentaram em pequena alta mas parece efêmera, segundo fonte da Bolsa de Mercadorias.
Preço no Porto
Pequenos negócios no Porto de Paranaguá entre R$ 34,50 e R$ 35,00 animaram um pouco o mercado na tarde de ontem. No Oeste e Norte do Paraná os preços oscilaram entre R$ 32,50 e R$ 33,00/saca. Os preços desta semana e da semana passada são considerados os mais baixos dos últimos oito anos.
Festa do plantio
Nem só de preço vive o agricultor. Se a soja não vai bem no momento, o início da nova safra é motivo de alegria. A Emater/Paraná anunciou que hoje, em Maringá, será realizada a ''Festa do Plantio'', marcando o início oficial da safra 2004/05. A Emater espera cerca de 2 mil agricultores de 20 regiões do Estado.
Festa 2
A iniciativa teve sua primeira edição em Campo Mourão, no início da safra passada de soja e sua sequência ocorreu em Ponta Grossa, que comemorou a Festa da Colheita, lembra o médico veterinário Renato Cardoso Machado, chefe do Núcleo Regional da Seab de Maringá.
Festa 3
Para abrir a Festa do Plantio os organizadores aguardam a presença lideranças como o vice-governador e secretário da Seab Orlando Pessuti; o presidente da Faep, Ágide Meneguette; o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.
Paraná é forte
Para quem tem dúvida sobre o peso do agronegócio, a Emater lembra que o território paranaense é de apenas 2,3% da área agricultável do País, mas é dos campos do Paraná que saem 25% da produção nacional de grãos.





