Tilápias no Paranapanema

Produtores de peixe no sistema de tanque-rede, que atuam na bacia do Paranapanema, pedem sucorro ao Ibama. Há mais de um ano eles estão solicitando que o órgão inspecione seus equipamentos para a concessão da Licença Ambiental. O Ibama, segundo eles, ''não inspeciona e não libera a licença''. No entanto, o Ibama pune, com pesadas multas, quem está produzindo; multas que variam conforme a quantidade de gaiolas: R$ 3 mil, R$ 8 mil e R$ 25 mil.

Neste caso, é claro que a produção é irregular. Mas os piscicultores tentaram fazer tudo dentro da lei.

O Ibama tem suas razões para regulamentar a atividade. Pelo que os produtores reconhecem, a licença é negada porque a criação da tilápia está sendo questionada por ambientalistas, por se tratar de peixe exótico. Mas a tilápia está convivendo no Paranapanema há cerca de 20 anos, disseram. Além disso, é um produto de muita aceitação no mercado.

Uma fonte da Associação dos Piscicultores de Tanques-rede do Paraná informou que há produtores planejando mudar para o lado do Estado de São Paulo, na outra margem do rio. Pelo menos dois produtores, ouvidos por este jornal, confirmaram o interesse. Segundo um dos produtores, da região de Porecatu, o Estado de São Paulo estimula a pesca por se tratrar de atividade interessante para a economia local.

A prefeitura de Nantes (SP) tem projeto de incentivo à piscicultura, apostando na proteína de baixo custo para famílias carentes e merenda escolar.

Os produtores querem orientação, não querem descumprir a lei. E querem obedecer ao Ibama. Não adianta permitir o erro para depois punir. A técnica de reprimir os efeitos - ao invés de evitar a causa - faz lembrar o setor de trânsito, que deixa o motorista cometer a infração para, depois, autuá-lo. Deveria orientar, disciplinar. Mas o trânsito faz parte da fúria fiscal. Não deve ser o caso do Ibama.

Debate em Bandeirantes:

No próximo dia 15, na Faculdade Luis Meneghel, em Bandeirantes, será realizado encontro de piscicultores de tanques-rede da Bacia do Paranapanema. É possível que o assunto venha à tona. O temário do encontro é técnico e inclui palestras de empresários do setor como o engenheiro agrônomo Ricardo Neukirchner, da Aquabel, de Rolândia.

Outro tema: Política de Incentivo à Piscicultura de Tanques-redes do Estado de São Paulo, pelo pesquisador cientifíco do Programa de Piscicultura do Institudo de Pesca de SP, Luiz Marques Ayrosa.

Os temas do Encontro de Piscicultores em Bandeirantes incluem outras palestras como a do professor Júlio Hermann Leonhardt, doutor em aquicultura.

LEITURA DINÂMICA
- Na base da Medida Provisória. De novo.

- Como foi dito ontem, uma MP liberando o plantio de soja transgênica está pronta para ser assianda pelo presidente Lula.

- A medida se limita ao cultivo da nova safra, que já começa a ser plantada no País, sem entrar em detalhes sobre as regras para a autorização de pesquisa, produção e comercialização de organismos geneticamente modificados

- Para os técnicos, começa uma nova discussão, agora em torno da CTNBio e como tratar, agora, da biosegurança.

- Para os produtores, a liberdade para escolher entre a transgênica e a convencional. E a orgânica.

DROPS
Inflação adiada
Quem não comprou inusmos para a próxima safra vai enfrentar (novas) altas em vários itens. Os custos da colheita terão que ser revistos por conta do transporte. A inflação neste último trimestre será inevitável. Desta vez a alta virá na esteira de aumentos sucessivos do petróleo.

Depois das eleições
Novas altas em vários setores ocorrerão após as eleições. Nos últimos meses ocorreram dois fenômenos de manipulação de dados: o primeiro foi um ''surto'' de crescimento da economia que só os índices oficiais acusaram. O segundo foi um esforço para represar a inflação a todo custo.

Como mola espiral
Agora, quando o governo tirar o pé da espiral inflacionária, ela vai subir com força total. A espiral está pressionada por interesses políticos: os institutos são convidados a mostrar crescimento e geração de empregos. Mas devem escamotear indícios de inflação.

Petróleo tem forte alta
A rigor ninguém mentiu. Apenas não se mostrou a realidade que, agora, vem à tona. Motivo real é que não falta. Por exemplo: ontem o preço do petróleo teve forte alta de US$ 54,45/barril. A informação está nas fontes de análise de mercado das commodities, indicando que o fato exerceu influência nesse mercado.

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