Lula vai autorizar soja transgênica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou ontem a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em encontro de mais de duas horas no Palácio do Planalto, que pretende liberar nesta semana o plantio de soja transgênica.

Enquanto os produtores começam o plantio, o governo ainda não sabe se vai editar uma nova medida provisória ou incluir a autorização em uma MP que já está na pauta da Câmara - informou ontem a Agência Estado. É certo entre os assessores, no entanto, que a decisão só vai valer para a safra deste ano. A autorização para o plantio representa uma derrota política para a ministra, que defende a adoção de uma legislação mais rígida sobre o assunto.

Diferentemente do último encontro com Lula, em setembro, a ministra deixou o Planalto sem falar com a imprensa e se recolheu em seu gabinete, com ordens para que os assessores não dessem detalhes da audiência com o presidente. Ela conseguiu, no entanto, que Lula não assinasse a medida provisória. Até as 19h30, a Secretaria de Imprensa do Planalto informava que ''a tendência era a de o presidente não assinar hoje a MP''.

Na semana passada, a bancada ruralista na Câmara propôs ao governo incluir na medida provisória 192, que trata de títulos da reforma agrária, um ponto liberando o plantio de soja transgênica. O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, apresentou a sugestão ao presidente Lula, que a aceitou. No entanto, os próprios líderes ruralistas acabaram reclamando da parte da MP que tratava dos títulos agrários. A sugestão acabou em impasse. Ontem o Palácio do Planalto ainda avaliava a possibilidade de incluir na MP 192 a liberação do plantio de soja transgênica. Também foi avaliado um texto bem enxuto de uma medida provisória que trata apenas da liberação do plantio, sem entrar, por exemplo, na questão da comercialização.

Lula está preocupado em demonstrar que a decisão do governo não é uma afronta ao Congresso. O Senado aprovou, com modificações, a proposta da Lei de Biossegurança, que retorna agora para a Câmara. O projeto inclui a questão da soja transgênica e temas não menos polêmicos, como a liberação de pesquisas com células-tronco.

Marina esteve no Palácio acompanhada do secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco. Os dois ouviram do presidente a informação de que o governo vai mesmo liberar o plantio de soja transgênica.


LEITURA DINÂMICA
- O Departamento de Agricultura dos EUA divulga hoje que a produção ficará perto dos 82 milhões de toneladas.

- Algumas empresas, no entanto, prevêem safra de até 84,6 milhões de t.

- O mercado já se antecipou à confirmação dessa supersafra. O contrato de soja de maio da Bolsa de Chicago está próximo de US$ 5,50 por bushel, contra US$ 6,50 há 40 dias.

- O feriado de hoje mantém o mercado fraco durante toda a semana.

DROPS

O joio e o trigo
O pão e sua matéria-prima, o trigo, estão sendo alvo de debates neste espaço. Cooperativistas, Associação da Indústria de Mandioca e médicos já se pronunciaram. Hoje vamos publicar a resposta do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná (SIPCEP), assinada pelo seu presidente, Joaquim Cancela Gonçalves, sobre as críticas do médico João Dias Ares:

Posição da indústria
''O SIPCEP concorda com o Dr. João com relação à falta de uma política para o trigo no Brasil, não só do trigo como de toda agricultura. É necessário deixar claro alguns pontos onde há controvérsia, no caso do trigo:

1) As panificadoras não adicionam farinha de mandioca ao pão,
2) A proposta do deputado Aldo Rebelo é para a obrigatoriedade da adição de 20% de fécula de mandioca, o que está em tramitação em Brasília,
3) A panificação se mantém atenta e, é contra a obrigatoriedade,
4) Não acreditamos que haja atualmente panificadoras misturando fécula de mandioca no pão, pois há falta do produto no mercado e, o preço é cerca de 55% mais caro que a farinha de trigo,
5) Quanto ao pão de borracha, o dr. João deve ter consumido pão em panificadoras clandestinas, que tem mão-de-obra desqualificada e, fabricam produtos sem as mínimas condições de higiene, sendo uma bandeira do SIPCEP combater as panificadoras clandestinas que fazem uma concorrência predatória e desleal,
6) Sabemos que o trigo brasileiro não contém o mesmo PH do trigo argentino ou canadense, consequentemente tendo uma qualidade pouco inferior,
7) A panificação moderna está profissionalizando sua mão de obra, sendo esta uma das bandeiras do SIPCEP, inclusive iniciamos o PROPAN (Programa de Apoio a Panificação) com recursos próprios e, hoje já disponibilizamos esta iniciativa para todos os panificadores paranaenses através do SEBRAE;
8) Acreditamos que para termos um trigo de melhor qualidade, triticultores, moinhos e panificadores terão que sentar à mesa e discutir investimentos em escolas e profissionais, e discutir uma agenda para o setor, como existe no Canadá, México e EUA.
9) Finalizando, informamos que nos dias 1 e 2 de dezembro, no congresso da indústria paranaense, promovido pela FIEP, a panificação estará discutindo os rumos a serem tomados e, esperamos que os triticultores e moinhos se aproximem para encontrarmos soluções em conjunto, em prol de um trigo de alta qualidade.

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