Cientistas gostaram

O cientista paranaense Luiz Gonzaga Esteves Vieira, coordenador do laboratório de biotecnologia do Instituto Agronômico (Iapar), se considera satisfeito com a decisão tomada pelo Senado na última quarta-feira sobre transgênicos. ''Teremos condições de dar à sociedade as informações que ela necessita para decidir sobre o uso dos transgênicos''. (Entrevista na Folha Rural no próximo sábado).

Em termos de Brasil, pesquisadores da área de biotecnologia classificaram o projeto de lei aprovado pelo Senado um avanço em relação ao texto submetido à Câmara, que restringia os poderes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e proibia as pesquisas com células-tronco embrionárias.

Em resumo, para se ter idéia, o espaço da CTNBio corria o risco de ser ocupado por ministros. Que horror, que retrocesso! Na verdade esse risco ainda existe (ver abaixo) mas com o novo texto foi atenuado.

Entre as melhorias apontadas pelos cientistas estão o fortalecimento da CTNBio e a imposição de prazos para que contestações sejam apresentadas e avaliadas pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). ''Dá uma certa tranquilidade saber que as coisas não vão se arrastar para sempre'', disse o cientista Aluízio Borém, da Universidade Federal de Viçosa (MG) à Agência Estado, ontem.

Há críticas, entretanto, à possibilidade de submeter uma decisão de biossegurança a um conselho político de ministros. ''Não acho que seja um fórum adequado para discutir temas técnicos e científicos'', disse o pesquisador Marcelo Menossi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pelo projeto atual, a CTNBio tem a opção de exigir ou não o estudo de impacto ambiental.

LEITURA DINÂMICA
- Ambientalistas criticaram as mudanças e disseram que vão pressionar os deputados a retomar o projeto original.

- Para lideranças ambientalistas, a decisão final sobre a liberação de transgênicos no meio ambiente deveria ficar com o respectivo ministério.

- Ontem à tarde, produtores estavam animados, numa cooperativa do Oeste do Paraná. Mas percebe-se que ainda há desinformação a respeito.

- Para técnicos do setor privado, a adoção de produtos geneticamente modificados é irreversível, principalmente nos três Estados do Sul.

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