OSWALDO PETRIN
Grãos transgênicos
''Plantar transgênicos, pelo menos a soja, está agora mais fácil do que chover'', brincava, ontem, o dirigente de uma cooperativa do Paraná, diante da aprovação pelo Senado (53 a 2) do projeto de Biossegurança.
Uma clara demonstração de força dos defensores da biotecnologia. Foi assim que parte da imprensa viu, ontem, a mesma decisão.
A interpretação vai além: os defensores dos transgênicos abriram caminho para uma autorização legal imediata para o cultivo da nova safra de soja transgênica no país, que já começa a ser plantada. É só chover. À noite, o Planalto analisava duas alternativas: a edição de uma medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a carona em uma MP que está para ser votada na Câmara dos Deputados.
O resultado de ontem não encerra o debate já que as novas regras para pesquisa, cultivo e comercialização de organismos geneticamente modificados, que podem dispensar estudos de impacto ambiental, ainda dependem de nova votação na Câmara dos Deputados, assim como as pesquisas com células-tronco a partir de embriões humanos.
Detalhe: A Agência Folha apurou que está descartada no Planalto a hipótese de o texto aprovado ontem ser transformado integralmente em medida provisória, com efeito imediato de lei. Isso só deverá acontecer com a parte do texto que autoriza o plantio de uma nova safra de soja transgênica.
Produtores gaúchos e paranaenses vão plantar do mesmo jeito. Independentemente da aprovação da lei, alguns produtores de soja do Paraná já estão se preparando para o plantio do produto transgênico. Vai ter plantação. E muita, diz o presidente do Sindicato Rural de Chopinzinho, a 400 quilômetros de Curitiba, Ênio Pigosso - em entrevista à Agência Estado, ontem. Nas regiões norte e noroeste muitos produtores admitiram, dias atrás, que plantariam grãos transgênicos de soja ou milho, se lhes fosse dada a autorização.
No ano passado o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), chegou a sancionar uma lei proibindo o plantio, comercialização e transporte de soja transgênica no Estado. Mas a lei foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo antes de o Congresso chegar a uma decisão final, a CTNBio já retomou a análise dos pedidos de liberação de transgênicos, suspensa desde 1998. Recentemente, a Justiça Federal restabeleceu os poderes da comissão de dar a palavra final sobre esses pedidos.
Na versão da lei de biossegurança aprovada ontem pelo Senado, em caso de discordância no governo em relação aos pareceres da CTNBio, caberia ainda um recurso a um conselho integrado por 11 ministros. Esse recurso teria de ser apresentado em 30 dias e analisado em outros 45.
LEITURA DINÂMICA
- Houve dois votos contrários ao projeto da Biossegurança: da senadora Heloísa Helena (Psol-AL), que já havia se colocado contra desde o início.
- E o do senador Flávio Arns (PT-PR), que saguiu a mesma postura contrária aos transgênicos do governo do Paraná.
- A comunidade científica continua sem falar e isso está sendo visto com certa preocupação tanto por parte dos que são contra como por parte da ala favorável.
DROPS
Seguro Rural
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou a Medida Provisória (MP) 217, que aumenta em R$ 40 milhões os recursos do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. A liberação da verba suplementar era uma reivindicação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que coordena o Fórum Permanente do Seguro Rural. O objetivo é cobrir as perdas dos agricultores na safra 2002/2003, estimadas em R$ 90 milhões. Desse total, o Fundo já dispõe de R$ 50 milhões.
Seca afetou 6,6 mil
Segundo levantamento da OCB, cerca de 6,6 mil agricultores foram prejudicados pela seca e tiveram de recorrer ao Seguro Rural. Os estados mais afetados foram São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. O gerente Técnico da OCB, Ramon Belisário, explica que o Seguro Rural já pagou parte das indenizações da safra 2002/2003, mas ainda faltavam recursos para cobertura total dos prejuízos.
Boi reage
Dias atrás, analistas da FNP previram pequena reação no preço do boi. Estavam certos, apesar da seca que geralmente pressiona a oferta do produto. Ontem o preço melhorou no Noroeste do Paraná. Em todas as regiões as escalas de abate já vinham encolhendo em relação à primeira quinzena de setembro.
Em SP R$ 62,00
A arroba do boi subiu para R$ 62 hoje em São Paulo, R$ 1 a mais do que no início da semana. A oferta de boi é menor e as escalas de abate encurtam rapidamente. Esses seriam os principais motivos da elevação de preços, segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria & Informativos.
Preço ainda é baixo
Mesmo com essa alta, a arroba continua perdendo para a inflação. Os R$ 62 atuais estão 3,33% acima dos R$ 60 de há um ano. Nesse mesmo período, o Índice Geral de Preços, da Fundação Getúlio Vargas, mostrou inflação de 11,74%. Nos últimos quatro anos, para uma inflação de 67%, os preços do boi subiram 44%. É preciso observar ainda que o aumento de preços de alguns fatores que entram na composição dos custos acumula números que ficam acima desses 67%.
Câmara da mandioca
A Câmara Setorial da Mandioca vai avaliar o uso de herbicidas; estudar a criação de um fundo para o desenvolvimento da pesquisa e estudar a viabilidade para adotar o georreferenciamento. Esses pontos foram fixados durante a primeira reunião da Câmara, acontecida nesta quarta-feira, em Paranavaí.
Nova reunião da Câmara Setorial da Mandioca está marcada para o dia 2 de dezembro na Unioeste, de Marechal Cândido Rondon.
Soja, ontem
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão desta quarta-feira novamente sem direção definida na Bolsa de Chicago (CBOT). O fechamento registrou queda de 1,0 e alta de 5,00 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, subiu 2,25 centavos fechando a 5,2625 centavos de dólar por bushel.
Mercado lento
O mercado continua sendo afetado pelas estimativas de colheita recorde e produtividade acima da mínima esperada. Ontem foram poucos os negócios no Porto de Paranaguá, com preço máximo de R$ 36,00.





