OSWALDO PETRIN
Inflação sem crescimento
A retomada da economia - que economistas do governo e a imprensa chamam de ''forte retomada'' - pode não ter chegado aos lares dos brasileiros, porque só transparecem nas pesquisas. Mas os seus custos, com certeza, vão afetar os consumidores. A retomada tem seu preço, no caso seria o aumento da demanda de bens, que eleva os preços.
O motivo é o de sempre: não há produção nas indústrias para atender a demanda e, então, a lei da oferta e procura aparece, na sua forma perversa.
Em cima disso - ou, usando como pretexto - os bancos começam o exercício de futurologia que mais gostam: projetar a inflação e corrigir - para cima - os números projetados até agora, com a economia em frangalhos.
A palavra de ordem é repasse: e a possibilidade de repasse para os consumidores dos aumentos verificados nos preços no atacado são outros fatores que ameaçam o cumprimento das metas de inflação. Pelo lado externo, a maior preocupação do BC é a escalada do preço do petróleo, um oportuno bode-expiatório.
Foi com base nesta preocupação que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros para 16,25% ao ano. Mas antes de elevar as taxas permitiu que bancos - com base na pauta do Copom - aplicassem um aumento retroativo a julho nas suas tarifas. A notícia foi destaque nor jornais, dias atrás. A Caixa Econômica Federal chegou a desmentir a informação.
Mas, voltando à inflação: não há outro perigo de a inflação mudar sua trajetória a não ser pelo aumento das tarifas do governo - que impulsionam outros aumentos em cascata.
Com esse índice de desemprego e com milhares de pessoas no subemprego, não há risco algum porque não há consumo.
Ressalve-se, porém, que a produção brasileira é fraca (exatamente por falta de consumo), logo, qualquer aumento de consumo é suficiente para esgotar parcos estoques nas indústrias ou nos armazéns, sejam eles de bens de consumo imediato, como alimentos, ou de bens de consumo duráveis, como simples geladeiras.
Produção e consumo, ou oferta e demanda, estão nivelados em índices tão baixos que o povo com dinheiro na mão e cozinha vazia acaba sendo ameaça. Deveria ser o contrário, mas é tudo que a prosperidade não aceita. Porque prosperidade é loja cheia, cliente com pacotes nas mãos. Este cenário não existe, talvez em dezembro.
LEITURA DINÂMICA
- O Ministério da Reforma Agrária informou ontem que está distribuindo crédito através das várias modalidades do Pronaf.
- O que será que o Ministério da Reforma Agrária tem a ver com pequenos produtores?
- O anúncio ocorre poucos dias após a Fetaep fazer apelos insistentes em defesa dos pequenos produtores.
- Ainda esta semana, a entidade fez orientou que os produtores fossem rápido ao banco fazer suas propostas de financiamento. Ficou a impressão de que o dinheiro ''evapora'' rapidamente. Significa que a demanda é maior que a disponibilidade.
- Assim: A Fetaep está recomendando aos sindicatos associados que organizem os grupos de agricultores interessados nas linhas de crédito C e D do Pronaf para custeio da nova safra e busquem a contratação, nas agências do Banco do Brasil, o mais rápido possível.
- A pressa se deve à insuficiência de recursos para atender à demanda, que deverá ser parcialmente contornada com a antecipação dos R$ 58 milhões que seriam liberados no início de 2005.
DROPS
Preços baixos
Quem achou que a soja não poderia continuar caindo, após queda livre que começou no início de agosto...errou. Pois ontem as cotações de Chicago caíram abaixo do que os mais pessimistas poderiam prever para esta época do ano, informou ontem a Granoeste, com base no comportamento da Bolsa de Chicago.
Como foi
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão desta quinta-feira em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As baixas variaram de 0,50 a 8,25 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, perdeu 6,50 centavos fechando a 5,270 centavos de dólar por bushel. A pressão da colheita com bons volumes e rendimentos surpreendentes, superaram as perspectivas - especulativas - de geadas para o final de semana na zona produtora dos EUA.
Safra
IBGE confirmou a última safra brasileira de soja em 49,22 milhões de toneladas. Fica ligeiramente acima da estimativa anterior (49,18 milhões) e 4,4% abaixo das 51,48 milhões colhidas na temporada anterior.
Safra lá
Um número que estava sendo esperado: a produção de soja dos EUA foi revisada pelo Usda. Era de 65,8 milhões de t. Deve ficar em 66,79 milhões de t. Foi ganho em produtividade, de 2.246 kg/ha para 2.280 kg/ha.
Milho perde área
Paranaense é trabalhador: não vê a hora que chega a primeira chuva para sair plantando. Mas este ano a área de milho será menor dos últimos 30 anos. Deral prevê apenas 1,25 milhão de hectares, 7,3% abaixo da de 2003.
E produz menos grão
A fonte é oficial e foi citada ontem pela Agência Folha: Os paranaenses, líderes nacionais na produção de milho, devem colocar 7,1 milhões de t no mercado nesta safra de verão, 8% abaixo do volume anterior. A colheita da safrinha (safra de inverno) deste ano já está praticamente terminada, e o volume vai atingir 3,5 milhões de toneladas, segundo Vera Zardo.





