OSWALDO PETRIN
Frigoríficos ficam
até com o berro
Dizem que do boi aproveita-se tudo, com exceção do berro.
Mas isto só vale para a indústria. Para o produtor, as coisas são muito diferentes.
Numerosos subprodutos têm aplicação no mercado e aumenta o valor agregado para os frogorífico. Mas o pecuarista, que engordou o boi, esse não vê a cor do dinheiro. Só recebe pela carne, mesmo assim, não recebe o que é justo. O mercado é cheio de distorções.
Apesar dos investimentos em genética e também no rastreamento - atendendo a uma exigência do Sisbov -, os produtores não recebem nada por estas melhorias da qualidade.
O que os frigoríficos fazem é um disfarce grotesco: Na sua versão sobre o processo, depreciam o valor do animal não rastreado e alegam que creditam bônus aos que têm rastreabilidade. Só que isto não é real. Na prática, não é o boi rastreado que recebe prêmio; mas o não-rastreado é que tem o preço aviltado ou rebaixado.
Como o governo é omisso - não se mexe e não faz prevalecer padrões que ele mesmo discutiu e implantou -, o produtor não é remunerado por isto.
O fato é que os frigoríficos fazem a festa no atual sistema de comercialização.
O que ocorre hoje no mercado pecuário poderia ser resumido no seguinte - para ser curto e grosso. E verdadeiro:
Alguém definiu, um dia, que frigoríficos pagam (pelo boi gordo e sadio) o equivalente ao preço de uma vaca velha mas vendem ao preço de carne nobre...como de fato é a carne bovina brasileira.
A disparidade entre o preço recebido pelo produtor e o valor agregado (e não repassado) recebido pela indústria foi tema de reportagem ontem neste caderno de Economia.
O mercado envolve uma fortuna: Mesmo com o embargo russo, as exportações de carne bovina deverão atingir US$ 2 bilhões neste ano. Em 2003, o faturamento foi de US$ 1,5 bilhão. Em volume, as exportações deste ano podem atingir 1,6 milhão de toneladas, contra 1,3 milhão em 2003.
O abuso na comercialização é tema do editorial (a opinião da Folha) na edição de hoje.
LEITURA DINÂMICA
- Termina hoje o prazo para os proprietários de imóveis rurais entregarem a Declaração do Imposto Territorial Rural deste ano.
- A entrega pode ser feita pela internet (www.receita.fazenda.gov.br), somente até as 20h; por meio de disquetes, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal; e nos correios (formulário de papel, ao custo de R$ 2,70).
- Quem deixar de declarar pagará multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, cujo valor não poderá ser inferior a R$ 50.
- A Receita espera receber 4 milhões de declarações (mesmo número de 2003).
DROPS
Amido no pão
A coluna publicou, terça-feira, a opinião do médico e produtor João Dias Ayres, em apoio ao artigo do engenheiro agrônomo Yochiharu Outuki, diretor da Coopramil, de Andirá, intitulado ''O drama do trigo''. Na oportunidade, Ayres fez restrições à mistura do amido de mandioca à farinha de trigo. Ontem, a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM) se pronunciou a respeito.
Não é obrigatório
Com relação a notas ''Pão borracha'' e ''Difícil digestão'', a ABAM esclarece que o projeto de lei que prevê a adição de farinha de raspa de mandioca e de fécula/amido de mandioca à farinha de trigo ainda está em tramitação no Congresso. Portanto, não existe ainda obrigatoriedade de se proceder a mistura.
Digestão
Acerca da alegação de que o pão é de difícil digestão a ABAM sugere que o público consumidor consulte órgãos de pesquisa, cujos técnicos, especialistas na área, atestaram e aprovaram a técnica de adição da fécula/amido de mandioca à farinha de trigo. Foi com base na aprovação dos pesquisadores e técnicos que a ABAM iniciou uma ampla divulgação nacional da tecnologia, promovendo treinamentos de padeiros em diversas localidades, através de parceria com a Fundetec (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Cascavel).
Técnicos aprovam
Além da Fundetec, destacam-se entre os órgãos que pesquisaram e atestaram a adição CTAA, o Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), a FAO, a Unicamp (Universidade de Campinas); o Cerat (Centro de Raízes e Amidos Tropicais); o ITA (Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas); e, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Ingrediente eficaz
As pesquisas realizadas até o momento indicam que a fécula/amido de mandioca tem sido aceito, tecnicamente, como o ingrediente mais eficaz nesse processo. Os outros dois itens são, ainda, objeto de estudo e pesquisa. Os resultados indicam que a fécula/amido tem como efeito a melhora na estabilidade da massa, garantindo melhor tolerância nas fermentações longas e melhora no volume do pão, dando melhor estrutura ao miolo, tornando-o mais suave e com casca mais crocante, sem alterar o odor, visto que a fécula/amido é um ingrediente inodoro.
Em expansão
A mandioca é uma das culturas mais antigas do Brasil e gera milhares de empregos, do campo à indústria de farinha, polvilho e fécula/amido. Nos dois últimos anos é a cultura que vem melhor remunerando o produtor. É uma cultura em ampla expansão no país. Com a adição da fécula à farinha de trigo a produção brasileira dessa raiz deverá aumentar ainda mais, contribuindo para a redução da importação de trigo pelo Brasil, que compra lá fora 80% do trigo necessário ao seu consumo.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão da Bolsa de Chicago, ontem, sem posição definida. O mercado variou de alta de 2 centavos de dólar por bushel a baixa de 1,00 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, subiu 2,00 centavos fechando a 5,3350 centavos de dólar por bushel, já setembro de 2005, caiu 1,00 centavos de dólar por bushel fechando a 5,59 centavos.





