-Entrou em vigor ontem a nova alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). É ilusório achar que as indústrias (bebidas e montadoras de veículos) não irão repassar para o consumo. O método de fazer isto é que prima pelo bom-senso: é gradual e quase sem impacto porque será diluido no tempo. O merketing mostra sua inteligência tambem em épocas adversas como agora. O manual diz que se a crise lhe der um limão, o marketing aproveita e faz uma limonada. As distribuidoras de veículos conseguiram aproveitar o IPI para atrair público no final de semana.
-E os preços, em geral vão realmente aumentar? Há suporte no consumo para estes repasses? Os especialistas acham que não. Os preços podem subir num ritmo mais acelerado em novembro e dezembro, mas no médio e longo prazo o custo de vida tende a cair como consequência do esfriamento da economia provocado pela política monetária, segundo o presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, Juarez Rizzieri. Se segurar os juros no nível atual por seis meses é bem provável que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) volte a apresentar deflação, prevê Rizzieri. ‘‘Só que desta vez será preocupante porque o cenário é de recessão.’’
-A inflação média mensal está em torno de 0,3%, calcula Rizzieri. Sem as medidas econômicas anunciadas na semana passada, o custo de vida este mês subiria em torno de 0,2%. Agora, o impacto do reajuste das tarifas de combustíveis vai elevar a inflação para pouco mais de 0,5%, calcula. Apesar da queda dos negócios, especialmente os com venda a prazo, por causa da alta dos juros, analisa o economista, o comércio vai tentar repassar para os preços dos automóveis e bebidas.
-‘‘O crescimento das vendas de bebidas no verão facilita o repasse’’, afirmou. Rizzieri concedeu entrevista à repórter Salete Silva, da Agência Estado. No caso dos carros, as concessionárias, na sua opinião, vão repassar o IPI e tentar compensar essa alta com aumentos moderados dos juros. O efeito da alta de juros sobre o consumo é insuficiente para evitar o repasse desses aumentos agora.
-A partir do próximo ano, a inflação deve se acomodar em torno de 0,3% e a perspectiva daí para frente vai depender da política monetária. Se os juros continuarem alto, a tendência é de queda avalia Rizzieri. ‘‘Seis meses de juros vão resultar em desaquecimento com deflação’’, afirmou. O governo, segundo ele, tem de baixar os juros para evitar uma deflação com recessão, mas não deverá fazer isso enquanto o mercado financeiro internacional não der sinais claros de estabilidade. Para o economista Leonardo Rangel, da MCM Consultores, o governo não deverá manter os juros elevados por tanto tempo. Ele prevê para este mês uma inflação de 0,5% que deve reucar um pouco em dezembro e voltar a um índice maior em janeiro, como tradicionalmente acontece. Feira/Usados

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