Ambiente econômico ainda inseguro

Só porque o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem que a situação macroeconômica do País já permite o crescimento sustentado, a taxa de juros do crédito pessoal subiu pela primeira vez desde março de 2003.

Decididamente, não há condições de sustentabilidade macroeconômica; nem micro, a julgar pelos números do próprio BC, divulgados ontem.

Não é nada confortável a situação da economia, ao contrário do que afirmam os técnicos do governo e alguns eternos e incorrigíveis otimistas como Maílson da Nóbrega. Até porque os indicadores que expressam melhor a realidade da população - emprego, por exemplo - não mudaram e apontam para estagnação, ou seja não aumentam mas também não recuam. Há sim uma previsão de aumento de emprego, mas é para dezembro; é o empego temporário que acontece no comércio varejista. Esse crescimento localizado ocorre em todos os anos, são reações sazonais, e não expressam, necessariamente, mudança na economia.

Voltando aos juros - que aniquilam a economia e engordam os lucros dos banqueiros: no mês passado, a taxa média ficou em 73,8% ao ano, contra 71,7% do mês anterior. Eles estão aumentando, portanto. Foi também registrada uma pequena elevação na taxa cobrada no cheque especial, que subiu 0,5 ponto percentual e chegou a 140,6%. Os dados fazem parte da pesquisa sobre política monetária e operações de crédito, divulgada ontem pelo Banco Central.

Há um único indicador favorável ao comentário do presidente do Banco Central. É que o percentual de consumidores endividados que estão inadimplentes caiu de 44% em agosto para 40% em setembro, segundo levantamento da Fecomercio. Esse percentual é o segundo mais baixo do ano, maior apenas que os 39% registrados em fevereiro, quando a pesquisa da Fecomercio começou a ser feita.

Isto significa uma melhora da capacidade de pagamento das pessoas inadimplentes. Elas não saíram da inadimplência, apenas estão começando a pagar em dia.

LEITURA DINÂMICA
- A redução da inadimplência pode revelar outra realidade no comportamento dos consumidores: a renúncia da compra de alguns bens de consumo.

- Quem compra menos corre menos risco de endividamento. Como resultado, pode fugir do risco de inadimplência.

- Não há inadimplentes nos bairros muito pobres, porque a população - infelizemente - não tem acesso ao mercado; na verdade vivem à margem do mundo economicamente ativo.

- Para o comércio o ideal seria que o governo implementasse suas políticas sociais. Com isso poderia incorporar grandes contingentes entre as pessoas que consomem e fazer girar a economia.

- O governo tem que potencializar o consumo da população de baixa renda. Além do caráter social esses programas reativam a economia no pequeno comércio.

- Infelizmente políticas públicas não avançam. Seria necessário alavancar, por exemplo, o programa Fome Zero.

- Tudo isso é óbvio. Só vem à tona porque Meirelles fala que a economia tem crescimento sustentável. Não é correto. Não há sustentabilidade com tanta gente à margem do consumo e da produção.


DROPS
Milho só reage em outubro
O mercado permanece fraco, característica que deve prevalecer até o fim do mês. Mas não há perspectivas de mudanças em novembro, segundo sentimento dominante do mercado. Também a Granoeste, de Cascavel, diz que as negociações no momento estão mais dependente do mercado interno do que pode parecer. Neste caso, é só aguardar as indústroas moageiras retomarem suas compras.

Exportações ajudam
O bom volume de exportações refere-se a operações celebradas enter março e junho. As exportações brasileiras de milho devem chegar aos 5 milhões de toneladas neste ano, segundo estimativas da consultoria Céleres, de Uberlândia (MG). Até agosto, os dados da Secex já indicam 4,12 milhões de toneladas, volume bem superior ao 1,77 milhão de toneladas do mesmo período de 2003.

Quem compra
Cooperativas e trades voltam a exportar no próximo mês. O principal mercado de milho do Brasil neste ano é o Irã, que já comprou 1,05 milhão de toneladas de janeiro a agosto. A Coréia do Sul ficou com 899 mil toneladas e a Espanha, com 442 mil. Holanda foi a quarta maior importadora, com compras de 265 mil toneladas.

Dólar milho
A significativa queda das cotações internacionais e a variável câmbio estão inviabilizando a negociação de cargas do interior no Porto de Paranaguá, segundo a Granoeste, ontem. E, ontem, a Bolsa informou que um pool de empresas do Centro-Oeste, está fechando contratos para embarque via Santos, apesar da queda nas cotações do dólar.

Soja Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou ontem em R$ 37,17/saca, baixa de 1,25% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,95/saca, queda de 1,15%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Soja Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão desta terça feira em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As quedas variaram de 0,50 a 2,00 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, perdeu 1,50 centavos fechando a 5,4225 centavos de dólar por bushel. As previsões climáticas apontam para clima extremamente favorável as operações de colheita, consistindo-se na maior pressão baixista.

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