OSWALDO PETRIN
É propaganda enganosa
ou o dinheiro acabou?
Pode ser as duas coisas. O fato é que centenas de pequenos produtores do Paraná estão sendo prejudicados. Eles só querem plantar e produzir. Não têm apoio.
A Fetaep bem que tentou, muitas vezes, buscar recursos para a agricultura familiar. Mas não encontrou apoio do governo. Não por falha dela, que agiu certo, mas por desinteresse dos órgãos do governo.
Diferente do que diz a propaganda oficial - intensificada agora em tempo de eleições municipais - a agricultura familiar, está desamparada, em termos de financiamento. Pelo menos no Paraná.
Depois daquela armação da agência de propaganda do governo que montou um cenário de uma fazenda para produzir peças de propaganda (quem se lembra), tudo poderia acontecer.
Nenhum dos 25 mil novos contratos para financiamento de custeio da próxima safra foi assinado até agora. Essa gente produz alimento, trabalha duro, e precisa do recurso. É entre esses clientes que o Banco do Brasil tem o menor índice de inadimplência.
Afirmação do diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Mário Plefk, divulgada ontem: A explicação para a inexistência de crédito é a mesma tanto na superintendência do banco, nas agências ou na secretaria executiva do Pronaf no Paraná: o dinheiro acabou.
''A questão é esclarecer onde está esse dinheiro, uma vez que o montante aplicado não corresponde ao anunciado pelo governo. O problema é grave e pode ser discutido nos intervalos das agendas que ele terá à tarde'', observa Plefk.
A Fetaep dá um exemplo, o de município de Mandirituba: O Sindicato dos Trabalhadores local encaminhou ao Banco do Brasil duzentos pedidos dos quais nenhum foi atendido.
A revolta é grande no município, segundo a Fetaep.''A terra está preparada mas não tenho como comprar adubo e semente'', diz Cleci Lemos, de 37 anos, que cultiva hortaliças. ''No banco nos dizem que nem sabem se o Pronaf para os contratos novos sai'', completa. (Veja mais nesta página de Economia).
LEITURA DINÂMICA
- Nem grande, nem médio, nem pequeno.
- O governo não atende aos agricultores ditos médios e grandes por priorizar os pequenos. Teoricamente é correto priorizar o pequeno. Se possível, sem excluir os demais.
- Na verdade, pelo que se vê, o governo não prioriza o pequeno...
- Apenas não dá apoio suficiente (em crédito, em logística, etc) para os médios e grandes.
- O que chama de prioridade, não se caracteriza na prática. Apenas discrimina o grande, como se produzir em escala fosse crime.
- Pura discriminação ideológica.
- Se, a julgar pela bronca da Fetaep, o governo não atende nem a agricultura familiar, quem está sendo beneficiado?
- Talvez os assentados? Pelo menos isso.
- O governo tem que ajudar os pequenos, para que amanhã eles não tenham que se abrigar na lona dos assentados ou invasores. Ou seja para que a concentração da posse da terra não continue.
- Cada braço que deixa de plantar no campo é uma boca a mais a precisar de comer na cidade. Comer sem produzir. Se é que sem emprego alguém consegue se alimentar.
DROPS
Agricultura dá uma força
O agronegócio continua garantindo a entrada de dólares que a economia tanto precisa. As exportações de carnes deste mês já indicam uma evolução de 47% em relação às do mesmo período de 2003. Os dados foram divulgados ontem pela Secex.
É muita grana!
Segundo a Secex em informação transmitida pela Agência Folha, vaivém das commodities, se for mantido esse mesmo ritmo de vendas até o final do mês, as receitas do complexo carnes (bovina, suína e de frango) voltam a ficar próximas de US$ 550 milhões no mês.
Produção em escala
As exportações de soja também são maiores neste mês do que no mesmo período de 2003. Os números da Secex indicam que as receitas diárias atingem US$ 59,3 milhões, valor que supera em 49% o de setembro do ano passado. Só quem caiu foi a receita do suco de laranja.
Sem ameaça
O mundo vai produzir mais trigo: 611 milhões de toneladas na safra 2004/5, segundo estimativa do Usda, divulgada ontem. Os estoques fogem da ameaça de escassez para entrar na estatística da estabiliade já que o consumo também deverá crescer 2 milhões de toneladas.
Soja, ontem
Segunda-feira fraca. Os contratos futuros da soja terminaram o pregão desta sexta feira em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As quedas variaram de 0,75 a 5,25 centavos de dólar por bushel. O contrato de novembro, perdeu 4,25 centavos fechando a 5,530 centavos de dólar por bushel. Motivo: as notícias sobre clima são boas para a safra norte-americana. No mercado interno houve novos recuos nos preços em relação aos da semana passada nas praças de Ponta Grossa, Cascavel, Maringá e Porto de Paranaguá. Veja na pág.2.





