OSWALDO PETRIN
Publicídio à brasileira
O termo ''publicídio'' (neologismo à parte; aliás neologismos são necessários porque nenhuma lingua é estática) designa - nesta coluna - as incursões publicitárias que reúnem ingredientes que têm tudo para não dar certo. Acabam gerando efeito contrário aos objetivos propostos.
Falar do publicídio de cada dia, é uma tentativa de contribuir com algum tipo de subsídio para análise crítica.
Publicídios ocorrem a todo momento, e o canal mais comum, não o único, é a televisão. Estamos em tempos fartos, com as campanhas eleitorais subterraneas.
Publicídio cometem também algumas empresas cujo garoto propaganda tenta imitar o das Casas Bahia, por exemplo. Burrice. Ele é único. A criatividade das agências é que deveria ser lubrificada.
Certas campanhas lembram a atitude daquele militar em plena ditadura de março de 1964. Comandante de uma unidade, contrário ao golpe, ele encontrou uma forma original de colocar as pessoas contra a nova ordem política: passou a elogiá-la com muita, muita insistência. Não demorou para irritar seus mais tolerantes interlocutores, provocados a contestar o movimento.
O que dizer da propaganda da Petrobras, que não dá trégua? Alguém já parou para pensar o preço daquilo?. Povo pobre que sente na pele o custo do transporte incidente sobre a alimentação, o brasileiro deve ''adorar'' a propaganda da Petrobras.
É propaganda no sentido contrário. É publicídio!.
Aliás o governo federal exagera em publicidade. Não dá outra coisa na mídia a não ser espaço pago pelo erário.
Nada comprometedor, afinal os Tribunais de Contas estão ai para aprovar tudo.
No Brasil a publicidade oficial é algo que abeira à lavagem cerebral.
Em matéria de propaganda, o poder executivo, em todas as esferas, dá um show de desperdício e abuso. Algumas campanhas são bem produzidas; outras de extremo mau gosto. Algumas duvidosas. Todas, porém, são caríssimas.
Propagandas de governo não resistiriam a menor análise do Conselho de Autoregulamentação Públicitária (Conar). Conar?
O pessoal de criação desse rolo compressor - de norte a sul do País - não tem noção do ridículo.
Publicídio é o que fazem os candidatos em geral, nesses tempos de paixão pelas urnas. Quase sem exceção, são medíocres.
LEITURA DINÂMICA
- Menos publicídio e mais eficácia, é o que se espera, agora que a economia acena com chances de crescimento.
- Há, objetivamente, uma oportunidade de crescimento a uma taxa de 4,5% ao ano se forem mantidas as précondições para esse crescimento.
- Pela primeira vez, em 10 anos, temos acenos efetivos de um superavit em conta-corrente, por exemplo. As exportações crescem, a economia gera riquezas. Apesar de tudo.
- E a despeito da insustentabilidade de uma carga tributária de 39% e uma dívida líquida/pib de 58%, ou perto desse patamar.
- Melhor seria menos propaganda e mais resultados, aproveitando o bom momento.
- O que se vê, porém, é a corrida do voto, expressa de forma direta e indireta. E muito populismo.
- Na mesa do povo nada e no bolso de quem produz, a sinistra cartilha de Malan aplicada na íntegra.
- Afinal, como no Plano Real, o trocaram a hiperinflação pela hiper-tributação e pelo hiper-endividamento.
DROPS
Feriado providencial
Entre um domingo e um feriado, não há mercado na segunda-feira. Se a comercialização já vinha titubeante, imagine sem expediente em pleno meio de semana. Em termos de mercado de commodities também temos o nosso ''Independence Day'', que é providencial no atual contexto. Negócios no Porto de Paranaguá e Ponta Grossa estão parados desde sexta-feira e só retomam, para valer, amanhã à tarde. Ou na quinta.
Labbor Day
Mas a Bolsa de Chicago também não funcinou ontem. A segunda-feira foi feriado nos Estados Unidos, dia do trabalho (labbor day). Sendo assim o mercado interno, em decorrência do feriado de hoje, se antecipou. Traders, corretores e demais players de mercado, asseguram que na quarta-feira voltarão ao normal.
Entomologia
Hoje, às 8h30, em Gramado (RS), começa o Congresso Brasileiro de Entomologia. O presidente da Sociedade Brasileira de Odongologia veio a este jornal, dias atrás, para anunciar o evento. E hoje, quem fala é o chefe da Divisão de Acordos Sanitários do Ministério da Agricultura, Odílson Ribeiro.
Insetos, não pragas
Em dia com conceitos ecologicamente corretos, os técnicos deixaram de falar em ''pragas'' para designar insetos em geral. Até porque insetos podem ser benéficos. Os técnicos mudaram o tratamento e o manejo.
Pragas 2
Os agricultores também. Até porque eles acham que as pragas de verdade são criadas lá em Brasília. Apresentam voracidade no ataque aos lucros dos outros. O melhor controle é o preventivo. Mas sem manejo porque conviver com eles é dose. Bom feriado.





