OSWALDO PETRIN
Tribunal agrário
Em meio ao agravamento da questão agrária, provocado por incompetência ou por estratégia do próprio governo, o País começa a debater um tema polêmico, a criação do virtual tribunal agrário, sugerido pelo próprio Presidente da República.
Os integrantes do Conselho da Justiça Federal discutirão hoje, em Londrina, a criação do tribunal agrário, especializado em conflitos no setor, que poderia funcionar no sistema de varas agrárias. A idéia, segundo a Agência Estado, tem o apoio do presidente do conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, e de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, considerou a proposta positiva.
Mas não há, no País, uma posição clara, para justificar a proposta. Os argumentos giram em torno da ''era da especialização'', mas seus defensores não aprofundam nem associam a criação com exacerbação da crise.
A sugestão de criação das varas especializadas em conflitos agrários foi bem recebida no STF, tribunal responsável por analisar a constitucionalidade de leis.
A pergunta que os produtores fazem é se o novo tribunal fará cumprir as reintegração de posse, ignoradas pelos governos estaduais.
LEITURA DINÂMICA
- Dias atrás, foi divulgada a ação do Ministério da Reforma Agrária para viabilizar o Haiti.
- Comentamos aqui que os técnicos do governo brasileiro garantirão a redenção daquele país amigo. Sério!
- E é bom que seja assim, afinal, países ricos - sem problemas sociais, como o Brasil - têm mais é que ajudar os pobres. Do mundo inteiro.
- Ontem veio uma notícia que, por certo, salvará outros povos, no caso, o chinês.
- Seguinte: ''Embrapa leva tecnologia brasileira à China'', diz a notícia.
- Mais: ''Um Brasil com soluções tecnológicas adequadas aos vários ecossistemas. É o que a Embrapa mostra até amanhã (hoje) na Exposição Brasil-China, realizada no Centro de Exposições Internacionais da China, em Pequim.
- Mais adiante: Os chineses estão tendo a rara oportunidade de conhecer o algodão colorido, não poluente e de forte apelo no mercado.
- E, no país de onde a soja se originou, são mostradas cerca de 200 cultivares desenvolvidas pela Embrapa, altamente produtivas e adaptadas aos diversos ecossistemas.
- Por certo, depois dessa exibição tecnológica, os chineses nunca mais vão duvidar da nossa soja transgênica
- É isso aí, gente. ''Nóis capota mais num breca''.
DROPS
Solvente no óleo
Indústrias de soja participam hoje, em Brasília, de reunião com uma missão chinesa da Administração Estatal de Grãos daquele país. O assunto é uma nova exigência da China: redução do solvente hexano no óleo de soja bruto degomado. A Abiove informou que a exigência não é uma barreira sanitária intransponível.
Ecologicamente errado
Saiu na agência noticiosa France Presse, ontem, para o mundo inteiro: a soja na América do Sul, está invadindo áreas de florestas. Para a ONG ambientalista WWF, a expansão da soja ameaça de extinção vários animais e espécies de árvores centenárias. Até 2020, a produção mundial da oleaginosa deverá subir 60%, diz a WWF.
Coisa de concorrente
Para o fazendeiro de grãos em Mato Grosso, o paranaense Joel C.Deltrejo, ex-Ponta Grossa, isso não passa de ciúme dos norte-americanos que temem a supremacia da soja brasileira. No ritmo que vai, o Brasil dominará o mercado mundial da soja.
Produção
A próxima safra de soja do Brasil, ano-safra 2004/2005, que começará a ser semeada nas próximas semanas - ou assim que chover -, deverá encostar na casa de 60 milhões de toneladas. Esta previsão, da Conab, está bem próxima da previsão da Abiove (61,5 milhões) e bem distante da previsão do Usda (66,00 mi de t).
Safra atual
A Conab divulgou os números da última safra, 2003/04. A estimativa de produção foi elevada ligeiramente para 49,8 milhões de t, ante 49,7 milhões estimadas em julho. O Brasil havia colhido 52 milhões de t na safra anterior (02/03).
Bolsa não manda
Ao contrário do que ocorre na temporada cheia de comercialização, as cotações internacionais da soja não estão exercendo influência sobre os preços internos da soja. Ontem a Bolsa de Chicago fechou em alta para todos os contratos. Mas o mercado interno não deu bola.
Paranaguá
Foi um dia de poucos negócios, quase nada, segundo a Corretora Granoeste. No Porto de Paranaguá o preço máximo de referência foi R$ 43,50. Em Ponta Grossa, R$ 43,00. No Norte, Noroeste e Oeste do Paraná, variações entre R$ 39,00 e R$
39,50. Um dos preços mais baixos do ano.
Vender ou não vender?
Há corretores sugerindo que os produtores não vendam. Outros aconselham: vendam um pouco e façam um preço médio ao longo de todo o ano. Agora é tarde para falar em preço médio, para quem deixou de vender quando o preço estava R$ 8,00 acima do atual valor. Isto deveria ter sido feito com preços em alta. Agora está muito baixo; a média final será baixa. Quem deixou de vender na melhor oportunidade, três meses atrás, agora tem mais é que segurar.
O mercado, um gelo
Agora o mercado da soja entra em recesso. Fim de semana já não funciona plenamente. Depois vem o feriado de 7 de setembro no Brasil, terça-feira; antes disso, na segunda-feira, o feriado nos Estados Unidos, Dia do Trabalho. Mercado só volta na quarta-feira da próxima semana.





