OSWALDO PETRIN
Fontes de crédito
Na ausência de financiamento em quantidade suficiente, produtores poderão recorrer aos recursos do mercado. O Plano Agrícola e Pecuário, lançado em junho deste ano, criou alguns instrumentos de comercialização. Um deles deles é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), um título que poderá ser emitido por cooperativas, instituições financeiras e empresas de securitização para levantar recursos junto a investidores no mercado financeiro.
Hoje, na Cooperativa de Campo Mourão (Coamo), técnicos do Ministério da Agricultura apresentarão o novo título desdobrado em três papéis para atender a públicos diferentes: o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), que será voltado para cooperativas e empresas; a Letra de Crédito ao Agronegócio (LCA), a ser utilizado por instituições financeiras; e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), focado nas empresas de securitização e sociedades de propósito específico.
Também será discutido o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), um papel que representa promessa de entrega de produto agropecuário depositado em armazém, e o Warrant Agropecuário (WA), um título de crédito que confere direito de penhor sobre o produto descrito no CDA.
Os dois títulos são casados e emitidos pelo armazenador a pedido do depositante. O CDA e o WA serão uma ''nova moeda'' para os produtores, que poderão vender o certificado como se vendesse o produto ou levantar um empréstimo com o WA. Não há incidência de impostos, como o ICMS, a cada negociação dos títulos. A tributação ocorrerá apenas na etapa final de consumo.
LEITURA DINÂMICA
- Os preços do petróleo terão um peso maior, este ano, na composição de custo de produção de grãos. Lavouras mecanizadas têm demanda maior.
- Desde janeiro tem havido evolução no mercado. Ontem, por exmeplo, a alta foi de US$ 2/barril.
- Alta de ontem foi influenciada pela redução dos estoques nos EUA, que atingiram nível mais baixo em cinco meses.
- Confederação Nacional da Agricultura ainda está fazendo os cálculos mas acredita num custo maior.
- A economia do petróleo na agricultura pode ocorrer de duas formas: redução no uso de agrotóxicos, encurtando os ''passeios'' do trator...
- Usando o sistema de plantio direto que dispensa as operações de areação, necessitando apenas de herbicidas.
DROPS
Seca pressiona
O preço do boi gordo estacionou ''em baixa'', em relação ao seu comportameto em julho e agosto. O preço máximo no Estado do Paraná, que chegou a R$ 62,00, na praça de Maringá, no mês passado, estava ontem em R$ 60,00 (US$ 20,3). A seca está pressionando a oferta no Estado de São Paulo, refletindo nas demais regiões de pecuária.
Novo recuo
As chamadas escalas de abate estão mais folgadas que no mês passado. O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou em R$ 61,22/arroba, baixa de 0,02% no dia. A prazo, a cotação ficou em R$ 62,16/arroba, queda de 0,02%.
Exportações
O vice ministro da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, no último dia 26, negou versões de que as negociações entre o Japão e os Estados Unidos estavam adiantadas no sentido de restabelecer as exportações norte-americanas de carne bovina para o Japão. Segundo o vice ministro, ainda não existe uma previsão para o término das negociações, que dependem de um parecer da Comissão de Segurança Alimentar japonesa para um desfecho. Veja pág.2
Exportações 2
As exportações estão aumentando. Os embarques de carne bovina devem somar 1,6 milhão de t e render US$ 2,2 bilhões neste ano. Em 2003, os embarques atingiram 1,3 milhão de toneladas, que renderam US$ 1,5 bilhão ao País. Os números foram revisados para cima.
Exportações 3
No acumulado de janeiro a julho de 2004, as exportações de carne bovina somaram 964.964 t (+32,81%). Em valores, as vendas externas renderam US$ 1,313 bilhão no acumulado do ano, crescimento de 71,49% em comparação com o resultado dos sete primeiros meses de 2003.
Soja reage na Bolsa
Contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem na Bolsa de Chicago (CBOT) em alta para quase todos os prazos. As altas variaram de 4,25 a 11,25 centavos de dólar por bushel. O contrato de setembro, subiu 9,25 centavos fechando a 6,3650 centavos de dólar por bushel. Já o contrato Novembro de 2005, único vencimento a cair, perdeu 0,75 centavos de dólar por bushel.
Furacão francês
O mercado foi sustentado por especulações climáticas, mas desta vez, o mercado deixou de especular sobre a possibilidade de geadas e começou a admitir a hipótese do furacão Francês. O furacão Francês, está na região das ilhas de Bahamas com ventos de até 225Km, e deverá até chegar a costa leste dos Estados Unidos na próxima quarta feira, trazendo chuvas além do normal.
Sites sobre clima
As informações são de sites meteorológicos americanos analisados ontem pelos técnicos da FNP Agroinformativos. As previsões não dão por confirmada em definitivo a previsão de tempo. Na Bolsa de Chicago, porém, previsões já são suficientes para especulação.
Paranaguá
No mercado interno, mesmo com as altas de Chicago, não houve registro de aumento de preço em Paranaguá. O prêmio sobre o setembro baixou de +70 para +60. Já maio/2005 está sendo trabalhado entre 20 e 50. No mercado físico, houve altas de R$ 1,00/sc sobre Cascavel e R$ 0,70/sc sobre Cuiabá.
Atitude do produtor
Ficar atento aos efeitos do furacão Francês. De todas as especulações climáticas que apareceram nos últimos dias, apenas esta tem fundamento, lembram os técnicos da FNP. No caso das chuvas, dependendo dos preços elas podem beneficiar o produto brasileiro. Entretanto, é preciso ficar atento à pressão da colheita americana e à redução da demanda Chinesa. São fatores baixistas.





