Reforço no crédito

O governo anuncia hoje aumento dos recursos para crédito rural de custeio na safra de verão, 2004/2005. O anúncio será feito pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin.

O Plano de Safra 2004/2005, lançado em junho, destina R$ 39,5 bilhões em recursos. O volume significa um aumento de 45% sobre os R$ 27,15 bilhões dirigidos ao setor na safra passada.

Isto, segundo o governo.

Dos valores anunciados, o Banco Central deve especificar quanto vem de dinheiro novo, injetado na conta da produção ou se o montante inclui créditos equivalentes a contratos em andamento. Geralmente, ao anunciar crédito para a produção, o governo inclui dinheiro que está na mão do agricultor, que foi disponibilizado, em parcelas, para a safra que está terminando.

A expansão do crédito de custeio e comercialização chegará a 34%, mas - segundo assessoria de imprensa do MAPA - será mais expressiva em investimentos: serão R$ 10,7 bilhões, ou 86% superior à safra 2003/2004.

Os juros foram mantidos, em sua maior parte, em 8,75% ao ano para os empréstimos de custeio, investimento e comercialização. Com novos mecanismos de financiamento, comercialização e seguro rural, será possível reduzir custos e riscos no agronegócio.

Do total, R$ 28,75 bilhões (+34%) serão aplicados em custeio e comercialização, com juros entre 8% e 9,5% ao ano.

No Moderfrota (modernização da frota agrícola), o total de recursos passará de R$ 2 bilhões para R$ 5,5 bilhões nesta safra. O Moderagro (renovação de pastagem e recuperação de solos) terá um aumento de 50% no programado, passando a R$ 600 milhões.

O Moderinfra (irrigação e armazenagem na propriedade rural) passará de R$ 500 milhões para R$ 700 milhões, além de ter ampliado o limite por produtor de R$ 400 mil para R$ 600 mil. Se reunidos em grupo, os produtores poderão financiar até R$ 1,8 milhão para a construção de um armazém coletivo. A linha de crédito Finame Especial do BNDES financiará investimentos pelas empresas prestadoras de serviços de armazenagem.

O programa de investimento para cooperativas (Prodecoop) terá R$ 550 milhões nesta safra, ante os R$ 450 milhões de 2003/2004.

O limite de financiamento de R$ 20 milhões poderá dobrar quando a cooperativa investir em outros estados.

LEITURA DINÂMICA
- Discursos do governo mostram um agronegócio rico, próspero, nadando em dinheiro.
- Não é verdade. A imprensa também é responsável por estatísticas que falseiam a realidade.
- O agronegócio é sim muito forte. Mas a ponta da produção não é.
- O primeiro elo da cadeia do agronegócio, a produção - o antes da porteira - é um mero transferidor de rendas.
- Exemplo 1: não fossem as exportações de cerca de 4 milhões de toneladas de milho, este ano, o setor estaria quebrado. As indústrias não absorveram toda produção e a pressão da oferta manteve os preços baixos...
- Exemplo 2: sementes, adubos, fertilizantes que estão sendo adquiridos para a próxima safra, absorvem toda a renda da safra anterior, porque aumentam os preços e ninguém controla.
- O agricultor leva uma vida relativamente tranquila - os bem-sucedidos - mas não se captalizam o suficiente para investir na terra; não melhoram o solo; vivem colhendo uma safra e plantando outra, para pagar os bancos.
- Não há pousio, ou seja não deixam a terra descansar por um ou dois anos.
- No Paraná isto vem ocorrendo há quase um século.
- Ainda bem que surgiu o sistema de plantio direto, que reduz as consequências dessa exploração...
- Viva o Bartz, um dos seus precursores/divulgadores da técnica; E parabéns para os técnicos como Garibaldi Batista, Celso Castro (Batata) e tantos outros.

DROPS
Semana começa com alta
Cotações na Bolsa de Chicago aumentaram ontem para todos os contratos. Motivo: as informações sobre novas previsões de queda de temperatura para esta semana na zona produtora. O atual estágio das lavouras no Meio Oeste norte-americano não suportaria frente fria, que raramente ocorre nesta época. O contrato de setembro fechou a US$ 6,23 por bushel (27,2 quilos).

Na defensiva
Segundo a Granoeste, de Cascavel, ontem foi mais um dia de ''baixa movimentação'' no mercado físico da soja no Paraná. Mais uma vez prevaleceu a posição defensiva dos produtores que, depois de longa espera, vêem a oportunidade de ''evolução positiva'' das cotações.

Lenta
A mais recente pesquisa de comercialização de soja da Céleres indica que as negociações no setor continuam lentas. Da safra 2003/4 foram vendidos apenas 73%. Já a comercialização da safra 2004/5 é de apenas 5%.

Paranaguá
Referências de preços, ontem, no Porto de Paranaguá: entre R$ 43,50 e R$ 44,00. No Oeste, Norte e Noroeste do Paraná, entre R$ 40,00 e R$ 40,50. Em Ponta Grossa, R$ 42,00/43,00, mas com poucos negócios segundo empresas exportadoras.

Milho
Mercado fraco. As indústrias não retornaram ao mercado contrariando previsões da semana passada. Preços do mercado de lotes ficaram entre R$ 16,80 e R$ 17,50/saca. No Porto de Paranaguá, R$ 19,00 a R$ 19,20/saca.

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