OSWALDO PETRIN
Eles acreditam!
Algumas coisas são toleráveis, outras não. Que o governo mantenha alta a taxa de juros básicos, estabelecida pelo Banco Central através do Comitê de Política Monetária (Copom), tudo bem. Não é defensável sob o ponto de vista macroeconômico, mas é compreensível, no contexto político e também considerando o enfoque tímido que o atual governo dá à economia.
Agora, o que faz rir, é a ''justificativa'' apresentada pelos diretores do BC e divulgada ontem pela imprensa. É pura heresia.
Assim: ''O ritmo acelerado de recuperação da economia brasileira também é apontado pelo Copom como um elemento que requer cautela redobrada na condução da política de juros no País.
Traduzindo: o Copom acha que ''o ritmo acelerado da econoia exige juros altos porque há tanto consumo no mercado que pode haver uma explosão de demanda e, assim, gerar a inflação.
A economia numa crise dessas e os burocratas fazendo esse tipo de colocação para justifiar a manutenção dos juros nas alturas. É gozação.
Seria melhor não ''justificar'' nada. Afinal, os juros básicos não exercem qualquer influência na economia. Pode, naturalmente, contribuir para manter altos os juros de mercado. Mas isto não vai pesar muito sobre uma economia combalida, em que os consumidores fogem do crediário porque não confiam na estabilidade do emprego.
O que eles chamam de ritmo rápido da recuperação, não passa dos dados - ainda efêmeros dos tímidos sinais de recuperação - divulgados por fontes do governo. São reações localizadas. Não alavancam emprego, não mudam nada. Ou quase nada para ser razoável.
De repente os técnicos do BC estão acreditando nos dados - oficiais - que a imprensa em geral está divulgando sem questionamento algum.
LEITURA DINÂMICA
- Tem mais:
- O Conselho de Política Monetária chama atenção para crescimento no uso da capacidade instalada da indústria brasileira, onde alguns segmentos já estão atingindo níveis de utilização próximos a patamares recordes.
- ''Dados recentes de absorção doméstica de bens de capital e da atividade da construção indicam a retomada dos investimentos - mas em pontos de inflexão na dinâmica da atividade econômica como o atual.
- Para o BC, no cenário atual, com demanda se expandindo rapidamente, o Copom defende que é preciso monitorar ''com muita atenção'' o risco de descompasso entre o produto efetivo e o potencial.
- Acredite se quiser.
DROPS
Soja recua em Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem, quinta, na Bolsa de Chicago (CBOT) em baixa para todos os meses. As quedas variaram de 6,00 a 6,75 centavos de dólar por bushel, o contrato de setembro, baixou 6,50 centavos fechando a 6,1675 centavos de dólar por bushel, o novembro fechou com queda de 6,00 centavos, sendo cotado a 6,0650 centavos por bushel.
Por conta do clima
Analistas de preços de commodities alertaram ontem que o mercado é volátil e se comporta em função da influência do clima sobre o comportamento da safra norte-americana, cujas informações variam muito.
Oportunidades de negócios
A FNP Agroinformativos voltou a alertar que o mercado ''está totalmente especulado'', em virtude das informações desencontradas sobre o clima nos Estados Unidos. Somente nestas mesma semana vimos o mercado ceder e reagir em cima das previsões climáticas. Por isso tem enfatizado na ótima oportunidade que os produtores estão tendo para liquidarem suas soja.
Vender aos poucos
Os produtores devem aproveitar estas altas oportunas de mercado interno (mesmo em dia que Chicago trabalhou em baixa) e vender aos poucos. Trabalhem sempre com preço médio, e não esperem a colheita americana iniciar, pois irá coincidir com a pressão de venda da maioria dos produtores que precisarão de recursos para iniciar o plantio.
Vendas estão lentas
No relatório de exportação do Usda, divulgado ontem, os índices de soja vendida superaram as expectativa do mercado; foram vendidas na semana passada 545 mil toneladas contra uma previsão de 250 a 400 mil. Mais uma vez a tese de que as lavouras vão muito melhores do que eles querem nos vender, pelo fato destes números não terem causado efeito altista no mercado, foi menos impactante que as previsões de situação das lavouras.
Mercado interno
No mercado interno estabilidade a leves baixas com relação a quarta-feira. No Porto de Paranaguá houve recuo de R$ 1,00/saca; em Rondonópolis de até R$ 0,50/sc. Houve uma negociação intensa na região de Cuiabá.





