O imposto que pune

Apenas três semanas depois de o governo comemorar a desoneração de vários setores da economia, inclusive com relação a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), uma pesquisa divulga ontem mostra exatemente o oposto do que o governo alardeou.

Novo aumento da carga tributária está dificultando a expansão industrial e adiando projetos de contratação de empregados.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CDI), o aumento da alíquota da Cofins de 3% para 7,6% foi excessivo e significou ampliação da carga tributária.

Na opinião da maioria dos empresários a atividade econômica sentiu os efeitos do aumento dos impostos, segundo pesquisa feita com dirigentes de 1.297.

Os setores em que a pesquisa constatou maior número de empresários falando em aumento da carga tributária foram os de mecânica, bebidas, material de transporte, têxtil e química. O inverso foi verificado nos setores mobiliário (25%), couros e peles (30%), madeira (32%) e borracha (38%).

A sondagem da CNI sobre o impacto das mudanças no recolhimento da Cofins ouviu de 69% dos empresários entrevistados a afirmação de que os procedimentos se tornaram mais complexos. Os 69% incluem 24% que disseram que o procedimento se tornou muito mais complicado.

De acordo com a pesquisa, os empresários que mais se queixam dos novos procedimentos são os grandes: 83% entendem que o sistema se tornou mais complexo, e 31% desses disseram que se tornou muito mais complicado. Na indústria em geral, 50% afirmaram que o relacionamento de suas empresas com fornecedores e clientes se tornou mais complicado.

Quando considerados apenas os grandes empresários, a queixa de que a relação com fornecedores e clientes se complicou foi de 62%. Entre os pequenos e médios, empresários, o porcentual é de 47%.

Dos empresários entrevistados, 77% disseram que não houve melhora alguma com as alterações. A pesquisa revela que o porcentual de descontentes aumenta para 79% entre os pequenos e médios empresários e fica em 70% entre os grandes. Fontes: CNI e Agência Estado (Neri Vitor Eich).

LEITURA DINÂMICA

- Sobre a pesquisa referente ao aumento da carga tributária:

- Entre os pequenos e médios empresários que perceberam melhorias, 50% consideraram que houve melhoria na distribuição da carga tributária.

- Entre os grandes empresários que apontaram melhora, a principal (57%) foi a desoneração das exportações.

- O porcentual de empresários a responder que não houve melhora foi superior a 60%. Nos setores de bebidas, material elétrico e mecânica, superou os 80%.

- Apenas no setor de mobiliário o porcentual é bem menor: 34%.

- Em relação a introdução do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, a maioria (52%) dos empresários ouvidos declarou-se contrária, e 16% se disseram favoráveis.

DROPS
Novilho precoce no Paraná
A Associação Brasileira de Novilho Precoce (ABNP) instalou sua representação no Paraná. A sede fica na rua Guararapes, 219, junto ao Instituto Nacional de Desenvolvimento (INDEP), em Londrina. A ABNP está abrindo subregionais da entidade em Paranavaí, Guarapuava, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Podem filiar-se, além de criadores, também os técnicos e fornecedores. O presidente da ABNP/PR é Marcelo Turquino Vezozzo; o vice é Luciano Penteado.
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Conselho Nacional de Pecuária
Vezozzo tomou posse quinta-feira como membro do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC). O Conselho reúne representantes de vários segmentos da pecuária e está se firmando como o canal entre o setor e os poderes políticos. É representante formal junto ao Congresso.

Previsão de demanda
O CNPC faz a seguintes projeção: se nos próximos 10 anos o PIB crescer a uma média superior a 3% ao ano, o rebanho brasileiro terá de chegar a 2015, com um aumento de 50% sobre os atuais 191 milhões de cabeças.

Valor agregado da carne
O Conselho está buscando adidos culturais das embaixadas no sentido de melhorar a participação no mercado em termos de valor agregado. O Brasil consegue converter U$$ 2,5 mil por tonelada; a Argentina, US$ 3,8 mil.

Soja/Chicago
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem de maneira mista. As posições mais próximas registraram baixa de 2 a 3 centavos de dólar por bushel, e as posições com vencimento mais distantes - outubro - registraram altas de 1,75 centavos de dólar por bushel.

Clima
O contrato de setembro, caiu 2,00 centavos fechando a 5,9825 centavos de dólar por bushel. Na semana passada as baixas temperaturas registradas nas principais regiões produtoras de soja, preocuparam o mercado com a possibilidade de reduzir a produtividade de algumas lavouras.

Tendência
Todavia as chuvas de quarta-feira e ontem reverteram estas perspectivas, ocasionando leves quedas nas cotações. As previsões são de continuidade de chuva para o final de semana. Os estoques de passagem continuam dando suporte as cotações de soja na CBOT.

Porto de Paranaguá
No mercado interno registrou-se uma leve queda nas cotações da soja, nas principais regiões comercializadoras. No Porto de Paranaguá também se verificou a mesma queda de aproximadamente R$ 0,50/sc. O produtor que estiver vendendo nestes picos de preço estará fazendo o correto em nossa visão, mas deixar de vender nestes próximos 30 a 40 dias será arriscado. No Porto de Paranaguá os prêmios continuam indicando +50/55 sobre o setembro.

Médias no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 39,74/saca, baixa de 0,10% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 13,30/saca, recuo de 0,23%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

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