OSWALDO PETRIN
''Lógica do sequestro''
Em documento intitulado ''Carta aos Paranaenses'', várias entidades da agricultura, reunidas ontem na Faep, através da Comissão Estadual de Política Fundiária, denunciam o que chamam de ''lógica de sequestro em invasão de terra''.
No manifesto, os produtores denunciam o alinhamento dos órgãos governamentais, federal e estadual, ''com os métodos fascistas do MST, de se impor pela prepotência e pela intimidação''.
Um novo método de reforma agrária, o esbulho possessório que se assemelha às táticas de sequestro de pessoas, é denunciado pela Comissão da Faep. A comissão reúne representantes das cooperativas, dos sindicatos e das sociedades rurais.
Alguns pontos do documento que está sendo divulgado na página 8 desta edição:
Em entrevista à imprensa, o superintendente regional do Incra declarou que, em 2003, 177 propriedades rurais foram vistoriadas e somente em 4 delas foi possível propor a desapropriação.
Significa dizer, com toda segurança, que no Paraná a reforma agrária, via desapropriação de propriedades ''improdutivas'', está encerrada.
Paradoxalmente, o superintendente do Incra criou a expectativa, também em declaração à imprensa, de assentar 10 mil famílias até 2006, o que representa 150 mil hectares de terras e 1,2 bilhão de reais, aproximadamente.
Para tanto, o órgão federal tem declarado que pretende obter as novas terras para assentamento pela via da negociação.
Porém, reconhece que os produtores, em sua maioria, não querem vender suas propriedades nas condições de pagamento com Títulos da Dívida Agrária - TDA.
Por outro lado, os líderes do MST prosseguem comandando invasões, sob a justificativa de ''acelerar a reforma agrária''.
Pergunta o documento: por que o MST continua a promover invasões, se a Medida Provisória nº 2.183-56 penaliza os invasores? Se beneficia os produtores, não permitindo vistoria na área por 2 anos? Se, realisticamente, não há mais terras a desapropriar?
Segundo o documento, as invasões recentes evidenciam a forma pela qual o INCRA pretende contornar a recusa dos produtores em vender suas terras, e a forma pela qual o MST pretende contornar os efeitos Medida Provisória.
Com base na evidência - diz a carta - denunciamos à sociedade paranaense que está em execução um novo método de esbulho possessório, o qual conta com a conivência, como se orquestrado fosse, do governo estadual e do Incra.
Explica-se: ato continuo às invasões, quando da concessão das liminares de reintegração de posse, o Incra solicita ao governo estadual, e é prontamente atendido, a não execução da determinação judicial, tendo em vista o interesse em negociar a área invadida, a fim de promover a compra.
Tal método permite também que o governo do estado, por meio do secretário de segurança, continue em seu proseletismo de negociar até a exaustão a retirada dos invasores, desrespeitando o preceito de que determinação judicial é para ser cumprida e não para fazer parte de um balcão de barganhas.
Tal método tem como lógica a negociação de terras sob a coação do produtor que está com sua propriedade invadida. Guardadas as proporções, tal método em nada difere da lógica de negociação de sequestros de pessoas.
LEITURA DINÂMICA
- Denúncia da OAB é grave:
- Está nas páginas de política deste jornal (na verdade é um caso de polícia):
- O governo vai proteger os caras que deveriam ser investigados pela Polícia Federal, Ministério Público e/ou uma CPI séria.
- Quem denuncia? a OAB, instituição de respeito.
- O presidente nacional da OAB, Roberto Busato, disse ontem que, ao dar status de ministro ao presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, o governo tentou blindá-lo.
- Idêntica proteção tomada com relação ao Waldomiro Diniz, aquele das propinas.
- Diniz é ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil.
- ''Mais uma vez, ao invés de investigar a fundo (as denúncias envolvendo Meirelles), o governo tenta fazer uma blindagem e por meio de medida provisória (MP), o que é um absurdo'', afirmou Busato.
- Para ele, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um abuso.
- ''É completamente inapropriado, num momento desse da Nação, em que se apresentam denúncias contra o presidente do Banco Central'', disse.
- A Ordem dos Advogados é contra esta impropriedade, esta blindagem que se tenta fazer ao presidente do Banco Central'', acrescentou. (Fonte: Agência Estado, matéria de Mariângela Gallucci).
- Do jeito que as coisas andam neste país, não é estranho se a militância do PT em vez de exigir explicações do governo, resolva criticar a OAB.
DROPS
Mercado parado
O mercado agrícola continua lento para a soja, milho e gado. O preço do boi gordo estabilizou depois pequenas altas quase diárias na semana passada. Se não chegou a recuar também não evoluiu.
Soja na Bolsa
Apesar de os contratos futuros da soja terminarem o pregão de ontem na Bolsa de Chicago (CBOT) em alta de 11,00 a 16,25 centavos de dólar por bushel, o mercado interno não andou. Na semana passada o USDA apontava como 73% das
lavouras de bom a excelente, contra 69% desta semana.
Sob influência deles
O desempenho da safra norte-americana continua exercendo influência. Ontem houve forte onda de compra por parte dos fundos, baseada nas previsões de chuva para esta semana. Alguns apostam na recuperação das lavouras com as chuvas e outros prevêem uma dificuldade nas operações pré colheita (dessecação) e até na colheita das lavouras precoces.
Mercado de clima
Posição dos analistas da FNP: acreditamos mais em especulações do que propriamente em ''weather market''. Curiosamente, na época da colheita tudo começa a dar errado pelas análises do Usda, toda colheita constituí-se no mais perfeito cenário baixista para uma comodite, uma vez que num curto período de tempo se tem a máxima oferta de um determinado produto.
E na entressafra (período que a safra esta sendo cultivada no campo) tudo correu bem. No mercado interno registrou-se uma estabilização nos preços, com um baixo volume de negócios, caracterizando a retenção por parte dos produtores conforme estamos relatando a dias.





