Espantando o vírus

Se a compra de vacina é parâmetro aferidor de sanidade - partindo do raciocínio dedutivo que quem compra vacina faz uso dela -, então o rebanho bovino brasileiro está bem protegido pelo menos contra a aftosa. É que saiu ontem o relatório sobre disponibilidade e comercialização vacinas este ano. Indústria registra vendas de 168 milhões de doses nos sete primeiros meses e mantém estoques ''adequados'' à margem de segurança solicitada por lei.

As vendas de vacinas contra aftosa devem bater novo recorde, segundo o relatório.

Comparando: no mesmo período do ano passado foram comercializadas 157 milhões de doses. Os dados são da Central de Selagem de Vacinas (CSV), órgão constituído em parceria entre o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) e o Ministério da Agricultura.

O controle da aftosa passou a ser um fator econômico da maior importância nos últimos anos.

De acordo com a CSV, que centraliza o controle de qualidade e a distribuição das vacinas no País, no ponto alto da primeira fase da campanha oficial de vacinação contra febre aftosa, que acontece em maio, quando há imunização no Acre, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, São Paulo, Sergipe e Tocantins, foram comercializadas 107,8 milhões de doses de vacinas contra 104,5 milhões do mesmo período do ano passado.

Até agora, os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo foram os que mais adquiriram vacinas para imunizar seus rebanhos, com 23,1 milhões, 20 milhões, 16,8 milhões, 15,7 milhões e 15 milhões de doses, respectivamente.

Em 2003, a indústria veterinária comercializou 328 milhões de doses de vacinas contra febre aftosa, com crescimento de 8 milhões de doses em relação a 2002 e de 11 milhões de doses sobre as vendas de 2001. Para este ano, estimamos a comercialização de 340 milhões de doses, alcançando novo recorde nas vendas, segundo Emílio Salani, presidente do Sindan.

Para o Sindan, apesar do recente caso de febre aftosa no noroeste do Pará, precisamos ter o bom senso de reconhecer os avanços que estão sendo feitos em relação ao controle sanitário da produção no nosso país. Principalmente em relação à febre aftosa, que registra avanço sobre avanço.

Esses dados são interessantes mas não significam garantia de que o País está livre da doença. É frequente a reclamação de pecuaristas com relação à vulnerabilidade da fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, por exemplo. A fiscalização é frouxa.

LEITURA DINÂMICA
- Furacão no pomar dos outros é refresco.

- Atingido em cheio pelos efeitos do furacão Charley, que devastou zonas-chave de plantio de laranja na Flórida (EUA) na semana passada, o mercado de suco de laranja fechou ontem com alta de 11,6% na cotação do contrato com vencimento em setembro em Nova York.

- Os produtores do Noroeste do Paraná não queriam isto, mas já que aconteceu, eles gostaram.

- Subiu para 69,5 centavos de dólar por libra-peso.

- Segundo comunicado da Flórida Citrus Mutual, entidade que reúne os produtores de laranja daquele Estado norte-americano, o furacão arrasou três das principais áreas da indústria cítrica.

- ''Os produtores dessas áreas viram como seus laranjais, equipamentos e prédios foram destruídos. Isso terá um impacto enorme nessa temporada de colheita de cítricos'', informou a associação em comunicado.

- Ducha fria: a Abecitrus não considerou que, a princípio, o país (maior produtor e exportador mundial de sucos) possa ser beneficiado com os estragos causados pelo Charley.

DROPS
Soja/Chicago
A soja iniciou a semana em queda na Bolsa de Chicago, depois das altas de quinta e sexta-feira motivadas pelo relatório do Usda, que corrigiu previsões de julho. A soja fechou em queda ontem na Bolsa de Chicago. A redução foi de 1,8% tanto para o contrato de março como para o de maio, meses de maior comercialização no Brasil. Indicações de clima bom nos EUA provocaram a queda.

Médias no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 38,46/saca, baixa de 1,36% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,79/saca, queda de 0,93%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Hoje, novo relatório
Os contratos futuros terminaram o pregão em queda considerável, conforma a FNP. O contrato setembro registrou baixa de 10,75 centavos fechando a 5,7550 centavos de dólar por bushel. As demais baixas foram de 9 a 12 centavos por bushel. Especulou-se muito sobre as condições das lavouras de soja norte americana, que será divulgado oficialmente hoje pelo USDA.

Porto de Paranaguá
No mercado interno registrou-se uma queda de até R$ 1,50/sc no Porto de Paranaguá nos piores momentos do pregão de ontem. As regras de todo mercado é a oferta e a demanda, este ano neste momento o que temos é excesso de oferta e pouca demanda - analisa a FNP Agroinformativos. Super safra americana, e retração da China são os atores principais desta cena.

Momento desfavorável
Os produtores nacionais que ainda andam retendo sua safra para explorar preços melhores na entre safra, devem se ater a este detalhe, principalmente pelo fato de as vendas de semente até este momento estarem consolidando as estimativas de aumento de plantio. O bom momento de vender já passou, foi um ou dois meses atrás. Quem não vendeu deve deixar mudar esse cenário.

Milho: sem chance
A agência Céleres, de Uberlândia (MG), informou ontem que a boa oferta de milho no mercado interno dificulta a recuperação dos preços. Isto no mercado interno e os dados recordes da produção norte-americana devem inibir ainda mais essa recuperação, já que os preços internacionais são os patamares mínimos de queda para o produto brasileiro.

Milho 2
Dois fatores básicos impedem a valorização dos preços do milho exportado pelos brasileiros, conforme a Céleres, ontem na Agência Folha: os valores praticados pelo mercado internacional e a recente valorização do real. Hoje, o dólar fechou a R$ 3. Em maio, estava a R$ 3,20.

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