OSWALDO PETRIN
Tratamento amador
Menos de 10 dias depois que uma pesquisadora da Embrapa divulgou como avanço da ciência a descoberta de algodão transgênico - e a ''vantagem'' da redução de herbicida e fungicida - o Ministério da Agricultura informa que intensifica a fiscalização para evitar a presença algodão transgênico.
A fiscalização do Ministério ''encontrou a presença'' de organismos geneticamente modificados em amostras de algodão coletadas em três propriedades na região sudeste do estado de Mato Grosso. O Ministério informou que isto não pode acontecer.
Segundo a Agência Folha, o ministro Roberto Rodrigues, determinou a destruição de todas lavouras clandestinas no País, em qualquer propriedade e em qualquer extensão. Além disso, mandou estender a fiscalização para os outros 15 Estados produtores de algodão do país.
O ministério também comunicará o fato aos demais órgãos de fiscalização e à CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). O infrator poderá, além de ter a lavoura irregular destruída, responder criminalmente e perder benefícios de crédito.
O Ministério da Agricultura informou que vai agir com rigor.
O algodão geneticamente modificado é autorizado para produção comercial na China, Índia, Indonésia, Japão, Austrália, Canadá, EUA, México e Argentina. Segundo estimativas de 2003, a área plantada com algodão transgênico chegou a 7,2 milhões de hectares, o equivalente a 21% da área total plantada com a cultura em todo o mundo.
LEITEURA DINÂMICA
- A Comissão do Senado aprovou ontem a lei dos transgênicos.
- A Comissão de Educação do Senado aprovou ontem o substitutivo apresentado pelo senador Osmar Dias (PDT-PR) para o projeto da Lei de Biossegurança.
- Os pontos mais polêmicos do projeto são a regulamentação da plantação de transgênicos no Brasil e a utilização de células-tronco na engenharia genética.
- A matéria ainda precisa passar por outras três comissões antes de seguir para o Plenário e voltar para a Câmara.
DROPS
Apreensão em Cascavel
O sentimento de apreensão e crescente revolta dos produtores rurais ''face à atuação impune de invasores'', começa a provocar reações do setor produtivo. Reunidos na noite de segunda-feira na Sociedade Rural do Oeste do Paraná, em Cascavel, produtores da região avaliaram alternativas para enfrentar as ameaças.
Sindicatos são solidários
O encontro, coordenado pelo presidente da Sociedade Rural do Oeste, Levy C. Dittrich, contou com a presença de dirigentes de Sindicatos que manifestaram apoio. Cerca de 100 lideranças participaram à reunião, conforme informa nota da Assessoria de Imprensa da Sociedade Rural do Oeste do Paraná divulgada ontem.
Do medo à dignidade
Depois que um fazendeiro paulista recebeu invasores à bala, na semana passada, a diposição de reação parece brotar nos produtores do Oeste do Paraná. Fechamento de rodovias e manifestação no Palácio Iguaçu, são algumas das propostas a serem acionadas, se o quadro permanecer inalterado'', diz o presidente da Rural.
O melhor caminho, porém, é o da prudência e diálogo, segundo o presidente da Rural.
Informações (Levy): (45) 228-2526 ou (45) 226-6062
Calma só na soja
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem na Bolsa de Chicago (CBOT) em alta para a posição de safra velha e em baixa para a safra nova. O contrato agosto registrou alta de 16,00 centavos fechando a 6,3050 centavos de dólar por bushel.
Boi gordo
Mas a calmaria de mercado só ocorre na soja. Boi gordo, com mercado em expectativa, conseguiu se manter no mesmo patamar da semana passada, apesar da ameça de geadas.
Contratos de novembro
Contrato de novembro caiu 8,75 centavos, fechando a 5,62 centavos por bushel. Os motivos para este comportamento de mercado continuam sendo as boas condições das lavouras e estoques de passagem, conforme análise da FNP Agroinformativos.
Segurar é um risco
No mercado interno, cada dia que passa a retenção dos produtores torna-se mais arriscado ainda. O Brasil mantêm ainda 20% da safra nacional retida nas mãos dos produtores que tentam preços melhores no pico da entressafra. Acontece que o relatório da Secex apresentou os registros de exportação até dia 31 julho de 2004, 306,6 mil toneladas contra 547,5 mil t no mesmo período do ano passado.
Não conte com a China
O farelo e óleo de soja mostraram redução de embarque na mesma proporção que o grão se comparado ao mesmo período. A falta de uma demanda externa assídua está sendo responsável pela falta de perspectiva em recuperação de preços, não só no Brasil como no mundo. Seguramente a China, maior consumidor não vai se posicionar de maneira agressiva.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 37,55/saca, baixa de 1,21% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,40/saca, queda de 0,80%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





