Para abafar a crise

As ameaças que pairam sobre a economia em função de problemas internos e variáveis internacionais - muito mais por problemas internos - podem neutralizar medidas como a que o presidente Lula anuncia hoje, de desoneração dos encargos para investimentos produtivos.

Na verdade, a sociedade não está assimilando muito a medida. A Agência Estado afirma que a medida é uma tentativa de abafar a crise aberta com as denúncias de sonegação fiscal contra os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb.

As medidas já estavam em estudo, mas foram aceleradas. Trata-se de mais uma tentativa de pôr em pauta a agenda positiva do governo.

O anúncio será feito em grande estilo: um encontro de Lula com os 27 presidentes de confederações das indústrias, em Belo Horizonte.

Paradoxo: o governo anuncia incentivos para investimentos mas não consegue remover tributos autoritários como o Cofins e o PIS incidentes sobre ração animal. O custo é transferido para os alimentos de origem vegetal e animal.

LEITURA DINÂMICA
- Enquanto o governo e o PT defendem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, envolvido em problemas com o Imposto de Renda, as denúncias repercutem no mercado.

- E quando os escândalos respingam no mercado, muitos perdem; o País perde. Especuladores ganham.

- Mas o escândalo de Meirelles não contribui sozinho para a deterioração de cenário econômico.

- Ontem, o mercado de câmbio registrou a quarta alta consecutiva em agosto.

- As denúncias contra o presidente do BC podem causar um estrago ao mercado. O governo não pode escamotear o fato achando que foi apenas um mal-estar.

- Foi mais um um recorde no preço do petróleo e, naturalmente, a piora no cenário interno com novas denúncias contra o presidente do Banco Central,

- A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,071, com alta de 0,52%.

- Na máxima do dia, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,079.

- O barril do petróleo atingiu os US$ 44,41, a maior cotação desde que começou a ser negociado em Nova York.
- Veja mais neste caderno de Economia.

DROPS
Boi mantém alta no Paraná
A semana chega ao final com o preço do boi em alta. O mercado sustentou ontem o preço máximo de R$ 61,00 (US$ 20,1) para a arroba do boi gordo, descontando o Funrural. O preço foi praticado na praça de Maringá. O valor está bem acima de todas as regiões do Estado. Os preços estão sendo sustentados pela pouca oferta de gado nos últimos dias.

A 1.600 quilômetros
Em São Paulo, segundo a FNP Agroinformativo, os frigoríficos puxam boiadas de longe (mais de 1.600 km) para se abastecerem e aceitam lotes no Mato Grosso do Sul a R$ 61,50 por arroba do boi rastreado. As escalas em São Paulo oscilam de terça-feira que vem (compradores de mercado interno) ao dia 14 (exportadores).

Demanda no Paraná
''No Paraná, abatedouros necessitam de gado para matar amanhã (hoje) e os preços se mantém estabilizados'', informa a análise. No Triângulo (MG) a programação é de uma semana e meia na frente depois da abertura dos R$ 61,00. A firmeza dos preços no mercado físico aponta novas correções este mês.

Média nacional
O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou em R$ 61,74/arroba, em alta de 0,13%. A prazo, a cotação ficou em R$ 62,81/arroba, ganho de 0,03%.

Soja reage
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão de ontem na Bolsa de Chicago (CBOT) em alta impulsionado pela exportação e rumores de que a China agora sim iria realizar suas compras. O contrato agosto registrou alta de 19,50 centavos fechando a 6,0950 centavos de dólar por bushel, demais contratos registram altas de 5,25 centavos centavos por bushel.

China na parada
De novo foram as relações comerciais com a China que alteraram o comportamento do mercado. Ontem houve rumores de que a China pretende voltar a comprar grande quantidade de soja norte-americana. As boas condições para o desenvolvimento da safra norte-americana impediram alta significativas.

Relatório do Usda
Analistas da FNP Agroinformativos apontam para o relatório do Usda. O relatório de exportações do Usda surpreendeu o mercado assinalando 349,6 mil toneladas de soja, 10% acima do esperado.

Produção americana
O outro fator altista foi a divulgação dos números da Informa Economics, ex Sparks, balizando a safra americana de soja em 2.944 bilhões de bushels (80,123 milhões de toneladas). Os números anteriores eram 3,0 bilhões de bushels (81,648 milhões de t)

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