OSWALDO PETRIN
Encontro de Rolândia
A idéia da criação da Agência de Desenvolvimento e Promoção Regional do Norte do Paraná - lançada ontem em Rolândia - tem tudo para dar certo e atuar na vinda de investimentos estrangeiros ao Paraná. Em primeiro lugar porque emerge de pessoas que gostam da região; são lideranças do setor produtivo. E também porque num processo desses há pouco espaço para políticos, o que confere seriedade aos objetivos.
Outro ponto forte - e sem dúvida o mais importante - é que o interesse parte, também, de uma autoridade internacional: o secretário de Estado do Ministério da Fazenda da Alemanha, Caio Koch-Weser, é filho de Rolândia.
Vale observar as palavras de Caio Koch-Weser à repórter Jacira Werle,
deste jornal: ''O Brasil vive um bom momento e essa é a hora para buscar investimentos''. Segundo ele, a estabilidade monetária, fiscal e nas contas externas possibilitam que o Brasil se ofereça como um destino 'interessante' para os recursos dos investidores. Mesmo grande e cheio de potencialidades, o Brasil recebe pouco investimento estrangeiro, avaliou ele.
Sempre ligado ao setor monetário, Koch-Weser não deixou de mencionar o alto percentual dos juros internos e a pesada, ainda que sob controle, dívida pública.
Agora vejamos o que diz outro grande personagem da economia neste momento, o sr. Reinhard Nordmann, presidente da Hexal no Brasil. ''Vamos transferir a nossa sede do Brasil de São Paulo para o norte do Paraná. Com a agência (esta que foi criada ontem) os investidores terão auxílio para saber como direcionar os investimentos para a região, tornando a mais fácil a vinda dos recursos''.
Nordmann dirige a Hexal, indústria farmacêutica alemã de produtos genéricos que será inaugurada em setembro, no município de Cambé.
Reportagem na 1 página deste caderno. Veja também nosso editorial, na pág.2.
LEITURA DINÂMICA
- Papelão do governo com relação a Lei 10.925, aquela das isenções.
- A própria indústria de rações não se conforma com o veto à isenção do impostos aos insumos para o setor de origem animal.
- Ainda ontem analistas do mercado comentavam pela FNP: Causou profunda decepção junto ao setor de bovinocultura de corte, o veto presidencial ao inciso da Lei 10.925, que isentava as rações e o sal mineral da lista de insumos isentos da cobrança de PIS e COFINS.
- Estima-se que este veto vai encarecer estes insumos em cerca de 9,25% e terá um reflexo no custo de produção dos pecuaristas de até 1,3%.
- Este encarecimento de insumos básicos para a pecuária de corte acontece quando os mesmos já acumulavam fortes altas neste ano e logicamente afeta a rentabilidade dos produtores.
- Veja mais na Folha Rural deste sábado.
DROPS
Boi gordo
Mercado estável depois de sucessivas altas. Mas as ofertas não aumentaram nesta quinta-feira. Segundo a FNP, é provável que as novas altas de preços fiquem para o início do próximo mês uma vez que, aparentemente, ainda há frigoríficos que tentam resistir em pagar mais pelo boi neste momento. O preço máximo no Paraná foi mantido ontem na praça de Maringá em R$ 61,00 (US$ 19,9).
Ferrugem da soja
A ferrugem asiática está preocupando os produtores de soja do Paraná, antes mesmo do plantio da nova safra de verão, em setembro/outubro. No ano passado, técnicos alertavam que em 2004 o Paraná poderia ser a bola da fez em termos de ataque da doença fúngica que, pelo terceiro ano consecutivo, causou prejuízos enormes em Mato Grosso e Goiás. Eles acertaram na previsão porque o fungo chegou ao Paraná, como foi constatado no início do ano. No entanto, as perdas não foram maiores porque o clima não ajudou a profileração da doença.
Prevenção
Mas este ano, se o virus encontrar clima favorável, o Paraná pode sofrer as consequências. Detalhe: a ferrugem asiática é disseminada pelo vento, sua propagação ocorre muito rapidamente. O controle tem que ser rápido, preventivo.
Demanda por fungicida
O fungo da ferrugem asiática, que atacou com maior intensidade as lavouras de soja no início deste ano, foi o principal responsável por um salto de 90% das vendas no Brasil de defensivos da empresa alemã Bayer CropScience nos primeiros seis meses de 2004, em comparação com o primeiro semestre de 2003.
Média da soja
Os indicadores que formam os preços da soja, elaborados pela Esalq, ficaram ontem em R$ 38,41/saca, baixa de 1,94% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,65/saca, queda de 1,40%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Mercado de lotes
Mas esses indicadores geralmente expressam um preço abaixo dos praticados no mercado de lotes. Estes ficaram em torno de R$ 40,00 nas praças de Cascavel, Ponta Grossa, Maringá e Campo Mourão. No Porto de Paranaguá, apesar da paradeira do mercado, os preços estavam mais altos ontem: R$ 41,00.
Soja: renda e liquidez
As indústrias ainda não entraram comprando soja neste segundo semestre. Isto só deve acontecer dentro de 30 dias. O mercado ainda terá um período de estabilidade. Mas isto não vai alterar em nada o ânimo do produtor para a próxima safra. Os analistas de mercado negam que haja recuo nas compras de insumos, pelo contrário a soja será um grande ativo real, um produto de grande liquidez e o produtor sabe disso.





