Em busca de mercado

Como o mercado interno não decola, produtores de leite querem exportar. Segundo o presidente da Câmara de Leite da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Jacques Gontijo Álvares, o alvo principal é o mercado mexicano, o segundo maior importador de laticínios do mundo.

O México importa US$ 1 bilhão em laticínios por ano. Com a abertura para a exportação, o Brasil espera negociar com o México a venda de US$ 100 milhões desses produtos. Além do México, o Brasil também está tentando ganhar os mercados da Argélia, Líbia e Angola.

Álvares explicou que barreiras sanitárias impedem que o Brasil exporte laticínios para o México. Há um ano e meio um grupo de técnicos mexicanos aprovou as instalações brasileiras. Porém, até agora o governo mexicano não tomou qualquer posição oficial.

Lucro: A Sadia informou ontem que fechou o primeiro semestre com faturamento de R$ 3,41 bilhões e lucro líquido de R$ 198,5 milhões. O resultado reflete uma recuperação no mercado interno, notadamente no segundo trimestre, com as vendas somando R$ 1,7 bilhão, 16,7% acima do mesmo período de 2003. As exportações também aumentaram, beneficiadas pela chamada gripe do frango, que afetou especialmente os países asiáticos. Resultado: as vendas para o exterior chegaram a R$ 1,7 bilhão, um crescimento de 40,3% em relação ao primeiro semestre do ano passado, que representou 50% do faturamento bruto da Sadia no período.

No total, a Sadia vendeu no mercado interno 346,3 mil toneladas de alimentos no primeiro semestre, com os produtos industrializados crescendo 11% em volume e 17,9% em receita. Os produtos suínos cresceram 7,8% em volume e 16,6% em receita, enquanto as aves - com redirecionamento da maior parte da produção para o mercado externo - tiveram queda de 4,7% em volume, com crescimento de 8,7% em receita.

LEITURA DINÂMICA
- afirmou ontem que não irá se afastar do cargo.

- Me engane que eu gosto: O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a negar as acusações de que teria cometido irregularidades fiscais.

- Ele disse que não sonega Imposto de Renda. Houve uma falha técnica e ele deixou de declarar.

- O Brasil não está bem de bancos: o Banco do Brasil tenta negar que patrocinou evento do PT. E o presidente do Banco Central diz que não sonegou IR.

- Meirelles anunciou a demissão do diretor de Política Monetária do BC, Luiz Augusto Candiota. A decisão veio a público cinco dias após a revista ''IstoÉ'' ter publicado reportagem segundo a qual Candiota é suspeito de sonegação de impostos e evasão de divisas.

- Meirelles também é citado na reportagem como suspeito de irregularidades fiscais, mas afirmou que permanece no cargo.

- O presidente do BC é investigado pelo Ministério Público Federal.

- A irregularidade estaria no fato de Meirelles não ter entregue à Receita Federal sua declaração de Imposto de Renda relativa a 2001.


DROPS
Boi mantém alta
A alta média foi de meio por cento (0,50%). O preço da arroba do boi gordo voltou a subir ontem nos frigoríficos de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A arroba do boi rastreado foi comercializada, na maioria das praças paulistas - como Araçatuba, Barretos e Presidente Epitácio - por R$ 62,00 (o não rastreado se manteve nos R$ 59,00). A alta a partir de 0,49% foi considerada ''excelente'' pelos pecuaristas porque mantém os preços em ascensão desde o início da semana.

No Paraná
No Paraná, o preço máximo foi mantido em R$ 61,00 (US$ 19,7) na praça de Maringá. Este foi o preço máximo; nas demais praças os preços variaram muito. O analista de mercado, José Vicente Ferraz, da FNP Agroinformativos, disse ontem que as escalas de abaste estão se mantendo relativamente curtas - referindo-se aos frigoríficos do Estado de São Paulo.

Boi vem de longe
Os preços só não aumentaram mais esta semana porque alguns frigoríficos paulistas chegaram a buscar bois a uma distância de mil quilômetros. ''Mesmo com tudo isso já se sente no mercado uma pressão de alta'', disse o analista. Talvez a região Norte de Goiás seja a única exceção, ou seja mantém os preços inalterados.

No atacado
As análises também mostram que os preços estão em ascensão inclusive no atacado. As perspectivas são de um mercado mais enxuto, e portanto, fora do risco da pressão da oferta. Notícias sobre aumento das exportações ajudam a manter os preços em alta. Outra variável é a macroeconômica com dados sobre aumento do emprego nos grandes centros. Mas os pacuaristas não apostam muito nessa hipótese.

Carne no Japão
A FNP fez alusão ontem a um possível aumento da demanda do Japão. O estoque de carne bovina no Japão é o mais baixo desde 1993, e o segundo mais baixo de toda a história. O Japão está tendo dificuldade em importar carne dos Estados Unidos devido a um caso de ''vaca louca''. Os preços internso do Japão também são reocordes: a carne produzida no próprio país chega a valer US$ 60/kg; a importada, US$ 30/kg.

Enquanto o boi sobe...
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe é mais um indicador a mostrar a desaceleração dos preços dos alimentos ''in natura''. É em São Paulo mas vale para outras praças. Na terceira quadrissemana deste mês, os preços desses alimentos subiram apenas 0,30%, o menor aumento registrado deste a terceira quadrissemana de fevereiro.

Trivial acessível
O arroz, o feijão e o óleo de soja também estão em queda no IPC - e figuram entre os produtos que mais contribuíram para a desaceleração do índice nos últimos 30 dias. O arroz apresenta retração de 2,6%, o feijão, de 4,2% e o óleo de soja, de 4,7%. (Agência Folha).

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