Transferência de lucro

A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e o Cepea divulgam hoje pesquisa mostrando que no primeiro semestre houve aumento dos custos de produção da pecuária e queda no preço pago ao produtor pelo boi. E o setor já espera novo aumento de custos, devido ao veto presidencial em relação à isenção da cobrança do PIS/Cofins sobre rações e sal mineral. Os dados serão divulgados hoje muitos produtores estão sentindo isto na pele há algumas semanas.

''A agricultura transfere renda para outros setores, sempre que vai bem; e quando não vai bem... transfere até o que não tem''. (rima do produtor Anselmo P.S.Duarte, de Jardim Alegre).

Vale lembrar também o que afirma o presidente da Faep, engenheiro agrônomo Ágide Meneguette, num trecho do seu artigo enviado enviado à imprensa na smeana passada:

''O presidente da República sancionou a lei que isenta do PIS/Cofins os insumos agropecuários. Com isso, os produtores rurais de todo o país vão economizar algo em torno de R$ 4,7 bilhões anuais. Só no Paraná esta economia chega a quase R$ 1 bilhão. Infelizmente, o presidente da República vetou a inclusão das rações no rol das isenções, o que vai prejudicar principalmente, ainda que de forma parcial, os pequenos produtores de leite, suínos e aves.

O Departamento Econômico da CNA calculou a economia que esta isenção representa para algumas produções representativas. O custo de produção por hectare da soja na região de Londrina, de acordo com dados da Conab, é de R$ 1.045,07. Sementes, fertilizantes e defensivos somam R$ 461,86 em média, 44,2% do custo de produção. Se não houvesse a isenção do PIS/CONFINS, este custo aumentaria em 9,25% (R$ 42,72 por hectare). Isto significa que o produtor terá uma economia correspondente a 4,09% sobre seus custos operacionais.

Para o milho, a um custo insumos de R$ 816,67 (plantio direto no norte do Paraná) para um custo operacional de R$ 1.654,79, o produtor terá uma economia de 4,09%; no trigo de 6,02%, no feijão de 4,17%, na pecuária de corte de 2,35% e assim por diante, sempre em média. Para saber qual a economia que isso proporcionará nas suas despesas de produção, é só fazer a conta e verificar que é um bom dinheiro que deixa de gastar na lavoura ou na criação e que pode ser utilizado em outros itens: despesas pessoais, melhorar a casa, comprar um equipamento mais moderno, pagar as dívidas ou antecipar a compra de insumos. (O artigo de Ágide tem mais informações e números).

LEITURA DINÂMICA
- Uns querem produzir..outros atrapalham

- Dois tipos de manifestações expressam mentalidades frontalmente opostas. Em termos de Brasil (ontem), o protesto justo dos caminhoneiros, por melhores estradas.

- Estes querem produzir.
- Em Londrina (sábado) a manifestação dos que são contra a liberdade de funcionamento do comércio.

- Estes não querem produzir... e impedem que outros produzam. E dão carona para políticos em plena campanha.

- Entre os que atrapalham não estão apenas as velhas estruturas do sindicalismo, que parou no tempo. Mas o próprio governo.

- De que forma? Não dando condições para que o Brasil ande.

- A precariedade das estradas - apesar da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e tantos impostos - é um exemplo.

- Veja também editorial, na página 2, que expressa a opinião deste jornal.

DROPS
Políticos e aftosa
A política atrapalha o Brasil até no controle da aftosa. Entre o boi sadio e o virus da doença os políticos talvez ficariam com a doença. Exemplo? Vejam: matéria da Agência Folha, ontem: Por causa da lei que proíbe repasse de verbas para os Estados no período de 90 dias que antecedem as eleições, o dinheiro liberado pela União para defesa agropecuária não será repassado aos governos estaduais.

Políticos e aftosa 2
Diante do problema, uma verba de R$ 44 milhões que seria liberada esta semana, vai as delegacias federais da Agricultura e laboratórios. O Mapa optou por equipar laboratórios de referência do Mapa, como o de Campinas (SP), que faz diagnóstico de doenças da avicultura. Pergunta: o Mapa não poderia ter liberado a verba antes.

Semana começa em baixa
Os contratos futuros da soja terminaram o pregão desta segunda-feira em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato agosto foi o que menos baixou registrando queda de 0,50 centavos, registrando 6,690 dólares por bushel, novembro caiu 14.50 centavos por bushel, para 5,97 dólares por bushel.

Média no Paraná
Poucos negócios no Porto de Paranaguá, Ponta Grossa, Cascavel e Maringá. O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 38,28/saca, alta de 1,06% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,44/saca, ganho de 0,32%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Dólar/soja
Não é por falta de uma ajuda do câmbio que o preço da soja não reage no mercado interno. Ontem até que reagiu. Mas o dólar já acumula alta de 2,74% no mês. Desde que recuou abaixo dos R$ 3,00, há uma semana, o dólar só tem subido diante do real. Ontem foi vendido a R$ 3,077 (+0,69%), maior cotação do mês.
Comercial: R$ 3,075/R$ 3,077; paralelo: R$ 3,130/R$ 3,200; turismo:R$ 3,020/R$ 3,160.

Boi em alta
A semana se começou com sinais de altas de preços. ''Compradores de São Paulo puxam boiadas do Mato Grosso do Sul e pagam R$ 61/arroba do rastreado e no Estado do Mato Grosso do Sul os frigoríficos trabalham com programação média de uma semana'', informou ontem a FNP.

Em SP e Paraná
Alguns negócios em São Paulo ocorreram a R$ 61,50 a prazo e para descontar o imposto e os frigoríficos de mercado interno ainda precisam de mercadoria para esta semana. No Paraná, o maior preço foi mantido em R$ 61,00, ontem, na praça de Maringá.

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