Oswaldo Petrin
-Um dos pontos de que se tem clareza desde o anúncio do pacote econômico é que o ajuste, que é recessivo, não gera inflação. Portanto, achar que o pacote de medidas do governo começa a transparecer na inflação, ou responsabilizá-lo pela mudança de alguns índices aferidores seria, neste momento, no mínimo, um equívoco. Porém, os primeiros diagnósticos sobre a tendência dos preços, apontam para alterações decorrentes de um único agente, os combustíveis, cujo aumento á- ainda - vai acontecer (neste sábado). Estamos tratando de tendências que geram expectativas e especulações. A inflação saltou de 0,22% em outubro para 0,37% na primeira quadrissemana de novembro (30 dias terminados no dia 7) em comparação com o período anterior, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fipe.
-Há quem não possa repassar. Ainda ontem o presidente da Faep, Ágide Meneguette, em entrevista à imprensa nacional (ver matéria da Agência Folha nesta página), observava que a produção de alimentos será imediatamente prejudicada pela alta dos combustíveis e não terá como repassar este custo aos alimentos. Portanto, a agricultura não será inflacionária. O aumento de custo (sem repasse) pode chegar a 10%. Segundo Meneguette, 60% dos agricultores do Paraná têm financiamentos a taxas de mercado, portanto, vão sofrer o impacto da elevação dos juros. O diesel também vai onerar a produção. Sem chance de repasse.
-Se ajuste econômico nada tem a ver com esse aumento do custo de vida, pelo menos já está provocando divergências nas previsões de inflação. Com exceção de vestuário e habitação, os demais itens tendiam à estabilidade antes do anúncio do pacote, e a inflação deveria ficar em 0,2% no mês. Mas com o reajuste dos combustíveis em 6%, a inflação vai ficar entre 0,4% e 0,5%. Pelo menos dois técnicos no assunto estão admitindo. Para o presidente da Fipe, Juarez Rizzieri, a inflação pode ficar acima de 0,5% no mês, mas para Heron do Carmo, coordenador da pesquisa, deve ficar pouco acima de 0,4%. Na previsão mais pessimista, a variação no ano poderá chegar perto de 5%.
-O impacto do aumento do gás será de apenas 0,04% que será dividido entre novembro e dezembro. Os técnicos divergem também nas previsões para o ano. Segundo Rizzieri, a inflação deve ficar pouco abaixo de 5%. Mas para Heron do Carmo, a inflação no ano pode não atingir os 4,5%.
-Ainda sobre os índices conhecidos ontem: a recuperação dos preços do vestuário combinada com o reajuste dos combustíveis deverá levar o IPC em novembro para mais de 0,5%. Este mês, o impacto do aumento dos preços do álcool e da gasolina será de 0,13 ponto percentual no índice. Esse percentual mais a variação da primeira quadrissemana do mês já daria uma alta no custo de vida de 0,5%. Mas o recuo em alguns itens, como móveis e aluguéis pode neutralizar o efeito do aumento dos combustíveis. Teríamos, então, uma inflação de 0,4% a 0,5%.Varejo





