Era só de mentira

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tinha definido um pacote de medidas que envolvia a redução de tributos sobre investimentos em bens de capital, aplicações financeiras e barateava a compra de equipamentos para os portos. O setor produtivo acreditou, então, que o governo não é tão voraz na sua fúria arrecadadora.

E ficou otimista porque a medida poderia prenunciar outras desonerações.

As boas notícias, porém - conforme a Agência Estado, ontem - além de serem de menor impacto estão adiadas temporariamente até que sejam redefinidas novas margens de redução de impostos, já que o governo decidiu pagar a dívida com os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social sem elevar a carga tributária.

O pacote previa, por exemplo, a redução imediata da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados sobre bens de capital. Ela cairia dos atuais 3,5% para 2,5%, já este mês e não apenas em janeiro de 2005, como previam os técnicos. Isso não significa dizer que o governo tenha deixado em segundo plano as medidas para estimular os investimentos. Mas terá de submeter os estudos a nova avaliação de perda de receita.

O ministro detectou a necessidade de ampliar a produção nacional, estimulando as empresas a realizarem novos investimentos. Palocci - conforme a Agência Estado - está preocupado porque muitos setores industriais já estão operando perto do limite de sua capacidade de produção. Se não investirem mais e a economia continuar a crescer, poderá ocorrer a falta de alguns produtos para atender a demanda doméstica, colocando o País no risco de enfrentar o chamado ''choque de demanda''. O resultado disso é a elevação dos preços e da inflação, o que, por sua vez, restringe o espaço para queda nos juros.


LEITURA DINÂMICA

- Outra medida que está sendo revista se refere ao programa de investimentos nos portos, o Reporto, que prevê a redução dos impostos cobrados sobre os equipamentos portuários.

- Uma parte das bondades, porém, foi preservada. Na conta de R$ 4,5 bilhões estava a redução de R$ 100 na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas.

- Será uma diferença a favor do contribuinte de até R$ 27,50, nos salários de agosto ao 13.º. Para isso, o governo abrirá mão de arrecadar R$ 500 milhões este ano.

- Atenção: O presidente Lula deve assinar hoje uma Medida Provisória criando o redutor.

- Vai chover: está prevista, ainda, a sanção presidencial à lei que isenta produtos da cesta básica das contribuições ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). As micro e pequenas empresas também deverão ser beneficiadas.

- O Ministério da Fazenda concordou com um dispositivo que prevê a renegociação das dívidas das empresas do Simples.


DROPS
Soja volta a ceder
A cotação da soja na Bolsa de Chicago voltou a ter forte queda ontem. O primeiro contrato recuou 7,1%, para US$ 6,575 por bushel (27,2 quilos). Relatório do Usda sobre exportação e clima favorável às lavouras norte-americanas impulsionaram a queda. Analistas de de Bolsa acham que a queda era previsível.

Relatório confunde
Pela análise da FNP, o dia foi agitado. Devido às previsões de que os estoques dos EUA estariam no menor nível em 27 anos e as quedas nos preços futuros, traders se perguntavam se os dados não estava errados. Mas no decorrer do pregão o Usda, declarou que os números não seriam revistos até o próximo relatório.

Performance
Sendo assim o mercado continuou registrando baixas na iminência de uma super safra americana. O índices de 68% das lavouras americanas em bom estado e as previsões de chuvas e temperatura ideais para a cultura contribuíram novamente para a continuidade destas desvalorizações.

Limite de baixa
O preço da soja está em queda há várias semanas. Ontem, quinta-feira, a Bolsa de Chicago fechou em limite de baixa para os contratos de agosto. O mercado interno sente os efeitos. Praticamente não houve negócios, ontem, nas Praças de Cascavel, Maringá, Campo Mourão e Cornélio Procópio. Alguns negócios em Ponta Grossa.Poucos.

Produtor mantém entusiasmo
Apesar dos preços baixos no momento, os agricultores não perdem o entusiasmo com a cultura. Tanto que o plantio vai aumentar. A safra brasileira 2004/05 deve atingir 22,7 milhões de ha, 6,6% a mais do que na safra anterior, segundo projeção de safra da Agência Rural, de Curitiba, citada pela Agência Folha (vaivém das commodities).

Expansão sem fronteira
O crescimento da área da soja deve ocorrer devido: a) abertura de novas áreas nas fronteiras, b) aumento da áreas originalmente dedicadas a pastagens, b) ganho de espaço sobre outras culturas. Com o aumento da área e da produtividade em 21%, a produção em 2004/05 deve somar 63,5 milhões de t (29% a mais que os 49,3 milhões de 2003/04).

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