OSWALDO PETRIN
Governo não quer ver o povo comprando
Das duas uma: ou a pequena recuperação da economia (que já estão chamando de ''aquecimento'') é algo muito efêmero que não resiste ao próximo aumento das tarifas públicas... ou o Banco Central não acredita nesses números ufanistas da retomada econômica divulgados pelo IBGE.
Ora, se a economia está indo bem, segundo os indicadores do governo - e confirmados por números setoriados da economia -, por que o Banco Central tem medo de reduzir os juros básicos (taxa Selic)?
A mesma questão: por que inibir o consumo, atráves dos juros altos, se estamos - como dizem autoridades do governo - começando a crescer com sustentabilidade?.
O governo não acredita nos números que divulga.
Todos sabem que a taxa Selic não interfere no varejo de forma direta. Mas ela sinaliza o grau de confiança na estabilidade econômica. Juros altos, estabilidade em baixa. O consumo recua, independente o preço do dinheiro.
Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 16% ao ano e isto indica que o Banco Central ainda tem medo da pressão inflacionária e não acredita na reversão dessa tendência. Preferiu manter juros defensivos.
Nem a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao partido que está no poder, aguenta mais. Em nota divulgada ontem à noite, num rasgo de lucidez, a CUT afirmou que o Copom, ao manter a Selic em 16% ao ano, ''prossegue na lógica perversa de transferir recursos do setor produtivo para o setor financeiro, elevando a dívida pública, inibindo os investimentos e o crédito e, na ponta deste processo, prejudicando os trabalhadores e a população como um todo''.
Com exceção dos economistas do governo e aqueles que estão nas univesidades federais - o que é a mesma coisa -, ninguém concorda com a manuteção dos juros em taxas tão altas.
O professor do Ibmec Business School, Carlos Thadeu de Freitas, a Selic já poderia estar em 14% ao ano. Disse ele à Agência Estado: ''O BC teve espaço para derrubar a taxa no começo do ano, mas perdeu o trem. Agora estamos num momento diferente, com pressão inflacionária por causa dos preços administrados''.
Na verdade o governo só sabe elever os impostos e abocanhar os ganhos do setor; ganhos míseros porque o Estado leva tudo. Por estado deve-se entender as prefeituras, as máquinas estaduais e a federal.
Manchete de ontem desse jornal foi o aumento da arrecadação. Hoje estamos dizendo que a ''malha fina do IR está mais rigorosa''.
LEITURA DINÂMICA
- Governo beneficia os banqueiros, dizem os sindicalistas.
- O Banco Central, pela decisão de ontem do Copom, em manter os juros em 16%, levou pau de todo mundo.
- Para Força Sindical, o governo optou por ''privilegiar banqueiros''.
- ''O governo já fez a sua escolha'', comentou o presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, em nota divulgada à noite.
- É lamentável que o governo Lula não tenha tido coragem de continuar a promover a queda na taxa básica de juros, disse.
- Ele acusa a administração federal de ter optado ''novamente'' por privilegiar os banqueiros .
DROPS
Paranavaí alerta
O produtor Carlos Roberto de Arruda e Silva, de Paranavaí, está mandando o seguinte recado: ''A hora em que o governo ou as lideranças da agropecuária fizerem as contas, vão ter uma grande decepção com essa história de crescimento do agribusiness.
Agronegócio forte
Ele diz que não duvida que o bolo cresce, mas não a ponta fornecedora de matéria-prima está ''em baixa''. Nada de lucro exagerado: todo dinheiro que entra na conta do agricultor após uma safra, desaparece antes de começar a próxima, porque os aumentos do adubo, semente, diesel, etc ''levam tudo''.
Produtor fraco
Nosso leitor relaciona uma série de insumos cujos preços aumentaram acima de qualquer indicador. No ano passado, ''de uma safra para a outra, não foi diferente. O lucro não está com o agricultor, está entre a indústria e os exportadores. O que não fica com esses dois setores, é abocanhado pelos bancos.
Nova queda
Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago voltaram a cair ontem e a causa foi a ausência de motivo para especular. O clima favorável no meio-oeste dos EUA, beneficiando as lavouras de soja que estão entrando no período de floração e formação de grãos, é fator baixista.
Mercado interno também
O contrato agosto perdeu 17,50 centavos para US$ 7,0750/bushel. No mercado interno, houve quedas de preços devido à baixa da CBOT. Portanto, o mercado interno acompanhou apesar de haver exceções.
Preços médios
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 38,44/saca, alta de 2,07% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,70/saca, ganho de 1,36%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





