OSWALDO PETRIN
Juros do coércio
A pequena bolha de crescimento do consumo manifestada nas últimas semanas e os sinais de aquecimento, ainda que tímidos - mas que estão sendo comemorados como a redenção da economia brasileira - demonstram pelo menos um efeito no comércio: as lojas de departamento estão dilatando os prazos de financiamento de algumas mercadorias.
Outro fator que encoraja esta elasticidade no comércio é a queda do índice de inadimplência. Embora tenha como causa a redução da demanda de bens duráveis - e o pavor do endividamento em uma situação tão adversa - a redução da inadimplência é uma realidade. Mas isto soa como a redução da emissão dos cheques sem fundo em época de fim de ano.
O risco de inadimplência mais baixo registrado neste mês pode ter ajudado nas promoções de taxas de juros, diz a Associação Comercial de São Paulo. Na verdade, o consumo poderia ganhar uma força maior se o Banco Central tivesse a boa vontade de reduzir a taxa de juro básico. Ele não exerce influência sobre o comércio (crédito ao consumidor) mas sinaliza o grau de risco da economia. Juros altos são sinal vermelho que impede o comércio de vender e o consumo de avançar nas compras.
Resumo: a economia deixou de andar de ré para a andar de lado.
LEITURA DINÂMICA
- Pode ser chantagem da indústria. Mas, de qualquer forma, é o imposto que está em questão...
- Ontem, o setor de rações informou que deve aumentar os preços em 10% caso o Governo vete um artigo de um novo projeto de lei, já aprovado pelo Congresso, que prevê isenção de PIS/Cofins para insumos agropecuários, segundo o Sindirações.
- A medida teria impacto no preço da cesta básica, que seria pressionada pelo aumento de ovos e leite.
- O governo, segundo promessas feitas pelo Planalto à CNA não vai votar; pelo contrário deve reduzir alíquota. É o mínimo.
- Mesmo assim, os impostos continuam comendo o setor produtivo pela perna. Não é por acaso que há protestos em São Paulo.
DROPS
Novo fungicida
A Bayer CropScience apresentou ao Paraná (em Cambé, no Village Praça de Eventos, quinta-feira) seu novo fungicida para a soja, indicado para o controle de ferrugem asiática, DFC e oídio. É o Sphere, fungicida mesostêmico de alta performance. Duzentos convidados, entre empresários, técnicos e prescritores, participaram do evento. Também foi apresentado o projeto SOS Soja - Centro de Diagnóstico, que prevê a implantação, em todo o País, de 35 laboratórios e centros de diagnóstico da doença.
Beef Expo da Escócia
O técnico Ian David Hill, da Pecuária Jacarezinho, vai falar no seminário no Beef Expo 2004, feira internacional da cadeia da produção de carne, em agosto, na Escócia, promovido pelo Meat and Livestock Comission. Hill falará sobre a indústria brasileira de carnes.
Receita da carne
O Brasil produziu 7,6 milhões de toneladas de carne bovina em 2003 e exportou 1,26 milhão de t. Esses números devem ser maiores em 2004, como apontam as previsões. O País deverá embarcar 1,5 milhão de t, para uma receita de pelo menos US$ 2 bilhões. Inúmeros são os fatores entre eles o profissionalismo dos produtores.
Transgênicos
A área global de cultivo de transgênicos cresceu 15% em 2003 e a perspectiva é de que essa taxa de crescimento será mantida. Os transgênicos ainda encontram resistência no mundo inteiro mas é mais de cunho ideológico. E os governos impõem restrições porque isso rende voto já que a sociedade não tem informações a respeito e acha que os transgênicos são prejudiciais.
Transgênicos 2
O presidente do Conselho Diretor do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações na Agrobiotecnologia (da sigla em inglês ISAAA), Clive James, projeta que a área cultivada em todo o mundo chegará a 100 milhões de hectares, envolvendo 10 milhões de agricultores em 25 países. Ele falou ontem
na FGV e deu entrevista à Agência Estado. Veja nesta página.
Transgênico 3
Mas ainda tem gente lúcida: a bióloga Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP) alertou ontem que se o Senado não modificar o projeto da Lei de Biossegurança, aprovado na Câmara, o Brasil vai ficar para trás nas pesquisas com células-tronco embrionárias.
Arroz mercado
Os cerealistas de Apucarana que se cuidem. E os consumidores também. É que o Rio Grande do Sul, responsável por quase metade da produção nacional, está providenciando a exportação. Apesar da grande safra prevista, isto pode implicar em aumento de preços. Um grupo de 200 produtores já negociam a venda de 300 mil t.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 37,34/saca, queda de 1,27% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,47/saca, baixa de 1,03%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Influência dos EUA
Houve pequena melhora nas bases de preços, mas ainda assim, muito tímida. A Granoeste atribui a atual situação do mercado ao bom desempenho da safra norte-americana. No Porto de Paranaguá, preço máximo de R$ 40,00/saca. Veja mais nos indicadores da página2.





