Oswaldo Petrin
-Em termos de juros, indústrias de esmagamento e fornecedores de matéria-prima foram separados compulsoriamente e já não falam a mesma linguagem de mercado. O ajuste do plano provocou a divisória do antes e depois. Se para as matérias-primas os juros incomodam, para as exportadoras, as taxas são atraentes. Parte dessas empresas vai praticar a Antecipação dos Contratos de Câmbio (ACC), mas só vai adquirir os produtos agrícolas na safra. Com isso, nos próximos cinco meses as empresas vão aplicando o dinheiro no mercado financeiro interno, com ganhos médios de 3% ao mês. O custo pelo ACC é de apenas 1,7% ao mês, em média. Falamos sobre este assunto aqui, nesta coluna, ontem. O governo facilita o atalho.
-Por falar em juros, o Banco Central quer provar que o dinheiro a 9,5% não desapareceu com o pacote anunciado esta semana. Só porque a Confederação Nacional da Agricultura, Sociedade Rural Brasileira e outras entidades previram que dinheiro a 9,5% nunca mais, o Banco do Brasil libera hoje R$ 350 milhões para custeio da safra agrícola 97/98, destinado a grandes e pequenos produtores. Até a Fetaep, que representa os trabalhadores e pequenos produtores, deu como certo o fim do fluxo de dinheiro a taxas diferenciadas: 9,5 para o médio e grande e 6,5% para os pequenos e mini, enquadrados no Pronaf.
-Em tempo de ajustes na economia, as críticas à restrição ao crédito chegam antes mesmo de esmiuçado o novo regulamento. Sempre foi assim, porque sempre houve motivos suficientes para manter o desconfiômetro ligado. A taxa de juros dos empréstimos que estão sendo feitos à agricultura, são mesmo de 9,5% ao ano, garantiu ontem o diretor de crédito rural em exercício, Biramar Nunes. A última liberação, no valor de R$ 400 milhões, chegou às agências do Banco na última quinzena de outubro, totalizando, no mês passado, uma liberação de crédito de R$ 700 milhões.
-Uma nota oficial informa, a propósito, que o BB já liberou este ano para o custeio agrícola R$ 2,7 bilhões, contra os R$ 2 bilhões disponibilizados aos produtores rurais entre janeiro e outubro do ano passado. Do total já liberado este ano, R$ 1,7 bilhão foram destinados a médio e grandes produtores e cerca de R$ 1 bilhão para mini e pequenos produtores. Biramar Nunes, segundo assessoria do Banco do Brasil, avaliou que as medidas de contenção de gastos, anunciadas segunda-feira pelo governo, não afetarão o crédito rural.
-Sempre na defensiva, o banco, inclusive, afirma que retomará, ainda esta semana, as operações de captação de recursos no exterior, conhecidas como 63 caipira, aquelas vinculadas à resoluçoão 2148 do Banco Central. Estas operações foram suspensas há duas semanas quando o governo decidiu dobrar as taxas de juros. A assessoria do Banco garante que as liberações de crédito para custeio agrícola na safra 97/98 estão normais e uma prova disto é a liberação de mais R$ 350 milhões.Pacote
Ainda é cedo para se avaliar o efeito do pacote sobre o agribusiness, diz um operador de mercado à Agência Folha. Em princípio, é ruim, pois inibe a demanda. Com vendas menores, a tendência é de preços achatados.
Pacote 2
As medidas vêm em um momento de baixa de preços. Os agricultores,
pressionados pelos vencimentos da securitização e do custeio do trigo,
acabam de promover fortes vendas no mercado.
Pacote 3
Essa tendência de queda se soma à tradição de que sempre após um plano
econômico os preços recuam na agricultura. O retorno aos patamares normais deve ocorrer após 30 dias.
Pacote 4
As taxas de câmbio não beneficiam a agricultura. Elas apenas encarecem o produto nacional, quando exportado, e expõem o mercado interno aos produtos externos.
Milho/atacado
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,15/saca. Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,38/saca. O valor a prazo foi de R$ 8,19/saca.





