OSWALDO PETRIN
Ingerência da China
Seis entidades representantes do agronegócio da soja no Brasil e no exterior estão questionando a postura do governo em relação à China. As associações são: Abiove, a North American Export Grain Association, a National Oilseed Processors Association, o Centro de Exportadores de Cereales, a Cámara de la Industria Aceitera de la República Argentina e a Associação dos Exportadores de Cereais.
Em carta ao Presidente Lula (e a presidentes de outros países, inclusive os EUA), as associações chamam a atenção ''aos crescentes abusos'' da República Popular da China às convenções internacionais.
''Nos preocupa que medidas tomadas pela Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena da China desrespeitem compromissos da OMC com relação a procedimentos fitossanitários e, em última análise, ameacem o comércio agrícola.
Estas medidas foram precedidas por abusos similares do governo brasileiro que, a pretexto de medidas de proteção à saúde, apoiaram ações do setor privado chinês, que visavam esquivar-se de obrigações contratuais.
''Infelizmente, estes não são os primeiros casos em que tentativas de administrar os fluxos de comércio através de barreiras não tarifárias -proibidas pela OMC - interromperam o comércio de grãos entre a China e as Américas. No ano passado, os chinesas, citando preocupações não divulgadas com relação à qualidade, ameaçaram colocar várias empresas em sua lista negra, impedindo-as de embarcar soja a partir de todos os principais países de origem''.
As ações tomadas nos últimos dois meses, contudo, foram ainda mais manifestas. A primeira, no início de maio de 2004, foi baseada na preocupação da China com relação à presença de Carboxim, fungicida para o tratamento de sementes. Esta ação aconteceu na forma de uma lista negra de empresas, que proibiu todos os embarques futuros de soja à China. Estas ações ficaram sob o abrigo da política não declarada da China de tolerância zero. A China não apresentou a notificação prévia e não foi transparente. A medida resultou em considerável inadimplência no mercado comercial chinês.
LEITURA DINÂMICA
- O texto ao presidente, usando de linguagem eufemista, deixa entrever que a China está interferindo em excesso no nosso comércio.
- E o Brasil aceita.
- Agora as indústrias querem uma posição dos governos dos países produtores.
- Elas acusam a China de impor barreiras técnicas para obstruir as exportações de soja e outros grãos oleaginosos.
- Mas o faz de forma autoritária sem respeitar princípios da Organização do Comércio.
DROPS
Ferrugem asiática
A ferrugem asiática provocou perdas de 4,5 milhões de toneladas de soja, na safra 2003/04. Associando o que deixou de ser colhido e os gastos com o controle químico, que é necessário, o custo ferrugem foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. Esses valores representam praticamente o dobro de prejuízo levantado na última anterior, calcula o presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.
Ela está presente
Antes da safra foi detectado o surgimento de uma nova raça do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem, o que provocou quebra de fontes de resistência. Isso inviabilizou o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Outro problema foi a presença contínua desse fungo na entressafra, em lavouras ''safrinhas'', no Cerrado (BA, GO, MA, MG, MT, SP e TO).
Controle preventivo
As chuvas irregulares e as temperaturas elevadas, no início da safra, evitaram a explosão da ferrugem. Além do mais, os produtores estavam de prontidão para fazer o controle químico, diz o pesquisador da Embrapa Soja, José Tadashi Yorinori. Sem esses fatores (prontidão dos agricultores para fazer o controle, e as temperaturas elevadas) as perdas talvez fossem maiores.
Pulverização
A ferrugem já se instaltou no Paraná, mas, na safra 2003/04, os estados mais atingidos foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No MT, lavouras com cultivares precoces foram pulverizadas até duas vezes. Em outras regiões, lavouras não tratadas ou tratadas com deficiência foram afetadas pela ferrugem, em diferentes graus de severidade.
Paraná tem que ficar atento
No Paraná a progressão da doença foi impedida pela estiagem e altas temperaturas, em janeiro. Os produtores controlaram adequadamente a doença. Dessa informação pode-se concluir que o Paraná tem que ficar atento na próxima safra pois se o clima correr normal pode haver ataque da doença.
Faltou fungicida
Em alguns Estados as perdas foram elevadas porque faltou informação aos produtores sobre os riscos da ferrugem e os métodos de controle. Segundo a Embrapa, no final da safra, quando o problema tornou-se grave, também houve falta de fungicida no mercado.





