Imposto e desdentados

Já não é novidade que o brasileiro paga o imposto mais caro do mundo, para não receber quase nenhum benefício. Este jornal está estampando na 1 página desta edição fotos de pessoa que não tem acesso ao tratamento de dentes. Uma vergonha, para uma cidade que tem universidade pública e outras estruturas de governo. Aliás forte e onerosa estrutura de serviço público.

Que vergonha para o Estado do Paraná. E para Londrina.

Mas a carga tributária realmente incomoda e inviabiliza empresas e pessoas. Inviabiliza cidadãos e cidadania. Ainda ontem, um novo estudo aponta uma carga tributária recorde de 40,01% do PIB.

Aumentou para 40,1%.

Não pode ser feliz, não pode caminhar um país cujo governo abocanha tudo. De cada R$ 10 produzidos no primeiro trimestre deste ano, o governo embolsou R$ 4 na forma de impostos, contribuições e taxas.

''O resultado decorre do aumento da carga tributária, que atingiu o recorde de 40,01% do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros três meses do ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT)'', divulgado ontem pela Agência Estado.

A mudança na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cuja alíquota saltou de 3% para 7,6%, pesará mais no segundo trimestre. Isso porque a nova Cofins, não cumulativa, passou a vigorar em fevereiro, mas o primeiro recolhimento ocorreu em março.

A mudança no Cofins é aquela que o minsitro Palocci disse que viria para reduzir a carga tributária.

Leia mais sobre este assunto neste caderno de Economia.

Mas não deixe de associar este fato àquela foto de capa, do cidadão que, não suportando a dor, extraiu o dente com uma alicate, depois de esperar um tempão na fila do serviço público de saúde.

LEITURA DINÂMICA
- Ainda sobre impostos: os cofres dos governos estaduais e municipais também ficaram mais cheios.

- Segundo o levantamento, a arrecadação das prefeituras cresceu 17,27%, saltando de R$ 7,99 bilhões, no primeiro trimestre de 2003, para R$ 9,37 bilhões em 2004.

- A explicação é o aumento do IPTU em alguns municípios e a entrada em vigor das novas alíquotas de Imposto sobre Serviços (ISS), que passou a taxar atividades antes isentas, como desenvolvimento de sistemas de informática e algumas atividades bancárias.

- Mas tudo isso é pouco, muito pouco pare atender o seco-sem-fundos da estrutura governamental.

- Frase:
- Do presidente da FAEP, Ágide Meneguette, em resposta a ataques feitos pelo governador Requião à entidade:

- ''O governador não sabe do que está falando. O motivo alegado pelos chineses para rejeitar os carregamentos foi a contaminação com ''carboxin'' e ''captam'', princípios ativos encontrados em fungicidas usados para preservar sementes de soja. Nada a ver com glifosato, nem com transgênicos''.

DROPS

Preço médio da soja
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 44,21/saca, alta de 0,02% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 14,38/saca, ganho de 0,42%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.

Na Bolsa
Os preços futuros da soja terminaram o pregão de ontem sem direção comum na Bolsa de Chicago (CBOT). Os estoques apertados de soja nos EUA sustentaram os contratos mais próximos, e o clima favorável no Meio-Oeste pressionou os contratos mais distantes.

Fechamento
O fechamento ficou entre alta de 40,5 e queda de 4 centavos de dólar por bushel. O contrato para julho subiu 40,50 centavos para US$ 9,335/bushel. O USDA informou que na semana passada foram exportadas 206,8 mil t de soja, acima das estimativas do mercado, que iam de 50 a 100 mil t.

Mercado interno
No mercado interno, continua a situação de pouca movimentação e baixa liquidez. A alta em Chicago durante o dia de ontem não compensou as perdas proporcionadas na segunda-feira. As indicações de preços para o Porto de Paranaguá aumentaram para R$ 47,50/saca de 60 kg, e foi observada realização de negócios.


Produção
De acordo com o quinto levantamento da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção brasileira de grãos 2003/4 deve chegar a 119,4 milhões de toneladas, 3% a menos da que foi colhida no ano passado e um pouco menor (0,2%) que o último levantamento realizado em abril, de 120,1 milhões de toneladas.

Estimativa é menor
A soja, apesar de ser uma das que apresentaram aumento de área plantada, foi a cultura mais afetada pelas adversidades climáticas. A previsão é de 49,7 milhões de t, quando em fevereiro, no 3º levantamento, havia uma expectativa de 57,7 milhões de t.

Diferença
Em comparação com os 52 milhões de t da safra 2002/3, a redução é de 4,4%. A diminuição da produção se deu basicamente no RS, que apresentou uma redução de 43,5% em relação ao ano passado, caindo para 5,4 milhões de t.

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