Nova lição vem da Rússia

A Rússia, cujo trigo que exporta vem com impurezas que preocupam as indústrias brasileiras, foi exigente no caso da carne que importa do Brasil: suspendeu as compras ao saber de um foco de aftosa no Pará. (Entendeu que seria no Paraná, que é exportador, ao contrário do Pará, que não exporta). Ontem, o Brasil conseguiu reverter a situação.

O preço da carne não caiu no mercado interno só porque a Rússia suspendeu as importações, ela que nem é o principal comprador. Mas o mercado pode melhorar sua performance já que há projeções de aumento das exportações de carne bovina, este ano. No Paraná, o mercado está se ''sustentado'', apesar do período de pleno inverno (veja preços na página 2 desse caderno de Economia).

A Confederação Nacional da Agricultura, informou ontem que a suspensão das exportações para a Rússia teve um custo: o Brasil deixou de embarcar 8.450 toneladas para a Rússia desde o começo do embargo.

Se alguém pensa que o acordo com a Rússia - para suspender o embargo - ocorreu na pura competência dos negociadores brasileiros, está enganado. Na verdade o trigo vai para o sacrifício. Fontes do governo negam mas para vernder a carne o Brasil terá de importar trigo.

Especula-se que em troca da suspensão do embargo, o Brasil poderia oferecer a possibilidade de importar trigo russo. Ontem, o ministro Roberto Rodrigues sinalizou, entretanto, que esse acordo, caso seja fechado, só valeria a partir de 2005.

Segundo a agências de notícia, ontem, o ministro da Agricultura admitiu que pode ter havido falha na comunicação sobre aftosa no Pará. A obrigação de informar à Organização Internacional de Epizootias sobre o registro da aftosa no Pará foi cumprida no prazo previsto de até 24 horas. O governo poderia ter informado também aos países parceiros, ao invés de aguardar a comunicação da OIE.

Alguns países acabaram recebendo a informação sobre o foco da doença no Brasil por meio da imprensa, antes mesmo da tradução do comunicado da OIE. O episódio servirá como lição - segundo o próprio ministro da Agricultura - para que o Brasil, no futuro, comunique também também seus parceiros comerciais, além de comunicar à OIE.


LEITURA DINÂMICA

- Leitor de Curitiba criticou ontem a pequena participação do Paraná nas verbas para agricultura familiar, criticando o governo do PT e a falta de lideranças dos deputados ligados ao governo.

- O sistema Cresol conseguiu um bom volume para dividir entre os três Estados do Sul.

- Agricultores e agricultoras familiares da região Sul do Brasil, associados às cooperativas do Sistema Cresol, terão acesso a R$ 30 milhões de recursos do Pronaf Investimento, via Bndes.

- Até 15 de julho todo valor deverá estar disponível para os cooperados/as que tiveram as propostas de financiamento aprovadas nas cooperativas do PR, SC e RS.

- O recurso será diluído entre 5,5 mil famílias de 250 municípios da região Sul, área de abrangência da Cresol.

- Do total a ser liberado este ano, para as 78 singulares, R$ 10,9 milhões contemplam financiamentos no grupo ''C'' do Pronaf Investimento, R$ 19 milhões no ''D'' e R$ 26,2 mil no Agregar (específico para agroindústrias).


DROPS

Juros podem mudar a soja
Aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, ainda que em doses homeopáticas, pode exercer influência negativa no mercado da soja. Os fundos de investimento, que especulam com papéis negociados na Bolsa de Chicago, podem migrar para os mercados financeiro ou acionário que são mais convidativos. Neste caso o preço da soja cai. Mas isto só deve transparecer no mercado depois da primeia semana de julho.


Revisão na estimativa
Segundo a FNP Agroinformativos e outras agências de orientação do mercado, o USDA diminuiu ontem as estimativas da área de soja nos EUA. Agora a projeção é para 30,3 milhões de ha (300 mil a menos do que a previsão anterior). Na Agência Folha, o analista de mercado Fernando Muraro fez o seguinte comentário: Pode parecer pouco, mas é quase 1 milhão de toneladas a menos e torna, mais uma vez, inatingível a meta de 82 milhões de toneladas por lá''.


Preço médio no Paraná
A repercussão foi zero, ontem no mercado interno. O preço médio apurado pelo indicador de preços da Esal/BM&F ficou em R$ 44,20/saca, baixa de 2,08% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 14,32/saca, queda de 1,45%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.


Mercado indiferente
Mesmo com a redução de área, os preços da soja fecharam em queda. Em Chicago, o principal fator foi a divulgação, pelo Usda, de estoques maiores do que se esperava. No mercado brasileiro, a queda de 0,68% no dólar derrubou a soja em 0,78%.


Travado: câmbio cedeu
Análises da Granoeste apontam um mercado interno ''travado''. Além da forte queda em Chicago, o câmbio também cedeu, o que derrubou as indicações de compra entre R$ 1,00 e R$ 2,00/saca em todas as praças do Estado do Paraná. No Porto de Paranaguá houve indicações de compra a R$ 46,00. No Sudoeste e Norte, entre R$ 44,00 e R$ 45,00.


Milho terá muita oferta
Analisando ontem na Agência Folha o relatório do Usda, o economista Fernando Murado disse: ''Este não vai ser o ano do milho'', diz Muraro. Nos Estados Unidos, o Usda anunciou elevação de área. No Brasil, a safrinha deve bater nos 10 milhões de toneladas. Os reflexos são a boa oferta, poucos compradores no momento e preços baixos''.

mockup