OSWALDO PETRIN
Populismo X tecnologia
Se depender da futura lei de Biossegurança, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), um colegiado competente e sério, ficará a mercê de políticos populista que só sabem criticar a produção e o uso da tecnologia.
A assessora técnica da Câmara dos Deputados e advogada da Embrapa, Elza Brito Cunha, fez um alerta às autoridades do governo e às ''pessoas que querem manter o desenvolvimento econômico desse País''. É que a lei de Biossegurança (em tramitação no Senado) pode ser o maior entrave à tecnologia voltada para a produção de alimentos.
Se a lei for aprovada como está será um desserviço ao País. ''Os termos da lei são bizarros'', diz a advogada. Um dos principais problemas, segundo ela, é que a CTNBio deixa de ser técnica, pois os cientistas não serão mais a maioria na comissão.
Outro ponto negativo apontado por ela que é que a liberação comercial dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) precisa ser aprovada pelo Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 15 ministros. ''Do jeito que a lei está é muito pouco provável aprovar qualquer pesquisa e impossível o uso comercial dos transgênicos.
A técnica teve uma atitude corajosa e deve ser reconhecida.
LEITURA DINÂMICA
- Uma cooperativa do oeste paranaense fez levantamento das perdas no milho safrinha a com a geada: 8%.
- O lado positivo do levantamento - conforme a Agência Folha/vaivém das commodities - é que a cooperativa reavaliou a produtividade da região e espera colher 4.000 KG/HA. Se confirmados, esses números indicam safra acima de 4 milhões de toneladas para o Estado.
- O Deral prevê menos de 4 milhões.
- A nova estimativa do IBGE para a safra de grãos deste ano indica produção de 119,6 milhões de toneladas.
- Esse volume representa queda de 3,3% em relação à safra de 2003, quando o país produziu 123,6 milhões de t. Em abril, a previsão era de 121 milhões/t.
- Os novos dados do IBGE indicam quebra de produção de 9% na safra de milho de verão e de 19% na safrinha em relação ao volume do ano passado. Já a produção de soja recua 4%.
DROPS
Insegurança no campo
A Folha Rural do próximo sábado vai mostrar a insegurança na zona rural. Em algumas regiões são frequentes os roubos de gado, agrotóxicos, sementes e até tratores. Pequenos furtos não entram nas estatísticas porque as vítimas não vão à cidade para ''dar parte''.
Mamborê doa veículo
O Sindicato Rural de Mamborê, para facilitar o trabalho da Polícia, doou à PM uma camioneta que custou mais de R$ 70 mil. Ela foi equipada e agora é uma viatura policial que vai percorrer as estradas e carreadores do município. Pelo menos um produtor instalou dispositivo de segurança no galpão e na residência.
Bolsa de Chicago
O contrato futuro da soja grão, com vencimento para julho, fechou a liquidação em alta a US$ 9,9215/bushel (US$ 20,32 por saca de 60 kg), após uma sessão volátil por conta da proximidade da expiração do papel, tendo registrado assim um ganho de 0,44%. O comportamento, mais uma vez, não chegou a refletir no mercado interno que seguiu estável.
Dólar colabora
Em parte a calmaria também se deve ao câmbio comportado. O dólar foi vendido a R$ 3,094, baixa de 0,87%. O prêmio descontado pelo comprador ontem no Porto de Paranaguá variou em torno de US$ 230,00/bushel para entrega imediata sobre julho, refletindo o desinteresse dos traders, informou ontem análise da FNP.
Relatório do USDA
O relatório semanal do USDA de exportações norte-americanas de soja registrou o embarque de 96,3 mil t, volume idêntico àquele da semana passada. Os principais destinos da soja dos Estados Unidos foram nesta última semana o Japão e o Canadá.
China mais calma
O mercado já dava como certa, ontem, a confirmação da China de que aceita retomar as importações de soja brasileira. Mas o estrago já foi feito e os prejuízos são irreversíveis, conforme números divulgados no início da semana.
Traders desconfiam da China
Traders afirmam que os compradores (chineses) se aproveitam de uma brecha para recomprar a mercadoria a preços mais baratos e até desconfiam da saúde financeira das indústrias esmagadoras chinesas. O mercado de insumos volta ao normal depois de refletir sobre o estado de ânimo dos produtores.
Previsão da FNP
Após segurar a bronca da desvalorização dos preços da soja no mercado internacional e interno nos últimos dois meses, aqueles que ainda possuem alguma soja depositada para fixar preços se deparam atualmente com recuperações de preços que certamente colaborarão para a formação de um resultado médio da comercialização muito interessante.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 46,35/saca, baixa de 0,64% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 14,98/saca, ganho de 0,20%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. Veja também os indicadores, na página 2.





