OSWALDO PETRIN
Velhacaria no mercado
O mercado internacional é cheio de velhacos. O que a China fez com a soja - prevalecendo-se das falhas do governo brasileiro - ainda vá lá. Mas a Argentina, nossos vizinhos, suspender as importações de carne. Teria que haver um motivo plausível. Não houve.
Não houve porque a Argentina conhece bem a geografia brasileira e deve saber que a aftosa no Pará seria como afirmar que focos na Colômbia comprometem o rebanho argentino.
E, de novo, houve falhas do governo brasileiro, a julgar pelo que a Argentina alegou ontem, segundo a Agência Folha:
As autoridades sanitárias argentinas informaram que a medida extrema foi adotada por causa da falta de iniciativa do governo brasileiro em informar o parceiro sobre a dimensão do problema detectado e as medidas adotadas para combater o foco.
Dias atrás, pecuaristas alertaram através deste jornal: a ausência de uma fiscalização rigorosa na fronteira seca com o Paraguai ainda vai criar problemas ao mercado brasileiro.
LEITURA DINÂMICA
- É um abssurdo! Assim se manifestou o ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro Camargo Neto, com relação à proibição do governo argentino de importar animais (e seus derivados) brasileiros suscetíveis à febre aftosa.
- ''Parceiros comerciais não fazem isso'', disse Camargo.
- ''Eles são nossos vizinhos e sabem que o Pará está muito distante das áreas livres de aftosa'', acrescenta.
- ''Isso só ocorre porque o Brasil sempre cede em todas as pendências comerciais com eles e essa atitude foi adotada para prejudicar o Brasil'', diz Camargo. (Agência Folha).
- Analistas de mercado não diagnosticaram indícios de queda nos preços do boi gordo, por conta dos problemas nas exportações para a Rússia e a Argentina.
- O Ministério da Agricultura acha que o impasse será superado ainda esta semana e tanto Argentina como Rússia vão retomar as compras.
DROPS
Embalagem hortifruti
Diante das exigências do Programa de Rotulagem e Embalagem de hortaliças e frutas, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) colocou uma especialista no assunto para orientar os produtores. A engenheira agrônoma Elisangeles Baptista de Souza vai realizar palestras nas regiões produtoras. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone (41) 2169-7930 para o agendamento de data.
Segurança alimentar
Segundo a nova legislação, os rótulos identificarão produto, peso líquido, origem e produtor responsável. Trata-se de iniciativa para melhorar e valorizar a produção de hortigranjeiros, diz a Faep. A rastreabilidade está relacionada à segurança alimentar. Ela também começa a ser exigida na pecuária de corte e leite, tal como acontece no Primeiro Mundo. Com isto, o consumidor saberá a origem do alimento.
Para mais informações acessar: www.faep.com.br Telefone: (41) 2169-7930 ou no Sindicato Rural mais próximo.
Alta espetacular na Bolsa
As cotações do complexo soja fecharam com acentuada alta, ontem, em meio à forte demanda do mercado físico e também a uma onda especulativa que aposta em novos ''rallies'' por causa da escassez de produto disponível nos Estados Unidos. A posição de julho voltou a fechar acima dos US$ 9,00/bushel o que não ocorrida desde maio.
Mercado calmo
Mesmo com a forte recuperação dos preços da soja em Chicago, onde a alta foi de 3,4%, ontem, a soja se manteve estável no Paraná. A estabilidade se deve à queda do dólar (0,4%) no mercado interno. O primeiro contrato de soja foi negociado ontem a US$ 9,18 por bushel em Chicago. No Porto de Paranaguá houve negócios a R$ 49,00. No Oeste, Noroeste e Norte do Estado, cotações variram entre R$ 45,00 e R$ 46,50. Veja também nos indicadores da página 2.
Preço médio Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 46,65/saca, alta de 1,88% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 14,95/saca, ganho de 2,33%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Corol aposta
O empresário Eliseu de Paula, produtor de soja e presidente da Corol - uma das cooperativas mais fortes e organizadas do País -, faz previsão otimista para a soja: ele aposta num longo período (até 2008) de preços compensadores, pela importância do complexo soja - grão, farelo e óleo - na alimentação humana e animal. Mesmo diante da recente queda de preços e do episódio da China, o preço ainda é remunerador para os agricultores. Quem usa tecnologia, tem lucro. Bons lucros.
Exportações de soja
Os registros de exportações de soja em grão somaram 18 milhões de toneladas até 15 deste mês. A previsão da Abiove é de exportações de 20,2 milhões de t neste ano.





