Desgaste da soja

Entidades representativas dos produtores e da indústria estão divulgando os prejuízos diretos causados à economia do setor pelo embargo da China. Não são quntificados os de efeito indireto, como o estrago à imagem do Brasil - um país exportador e que depende muito do fator qualidade para conquistar compradores.

O fato de a China retomar as negociações não repara os danos à imagem da mercadoria brasileira; não ajuda a recompor o prestígio detonado. Igualmente não ameniza nem reabilita o governo. Atitudes amadoras do início ao fim, só podem desgastar a área econômica do governo notadamente os ministros, Furlan e Rodrigues.

O quadro fica ainda mais adversos a partir do que foi divulgado ontem pelas agências de notícias e que estará estampado nos jornais de hoje. O fim do embargo chinês à soja brasileira aconteceu após uma forte queda nos preços da commodity -causada, entre outros fatores, pelo próprio veto chinês ao produto brasileiro.

Essa informação elimina de fez a chance de o governo valorizar sua articulação com os dirigentes da China.

Mas o pior - e que a imprensa está chamando de ''ressaca da soja'', são os números divulgados ontem pelo governo e setor privado.

Projeções do Ministério da Agricultura e de associações ligadas aos produtores estimam que as perdas tenham superado US$ 1 bilhão. Segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a queda no preço da soja no período recuou de US$ 320 para US$ 260 a tonelada.


LEITURA DINÂMICA

- O Ministério da Agricultura suspendeu a etapa de 90 dias para ingresso e permanência de animais no Sisbov. A medida ocorreu devido à impossibilidade de as empresas de brinco (espécie de RG do boi) atenderem à demanda, segundo o governo.

- A medida mantém o prazo de 29 de novembro (de 40 dias) para o ingresso e permanência de bovinos e bubalinos na base de dados.


- A China quer vender aos brasileiros defensivos agrícolas produzidos por 22 empresas estatais daquele País.

- Fumcionários do governo chinês estão no Brasil para pedir o registro ao Ministério da Agricultura.

- É possível que a China condicione a importação de soja brasileira, ano que vem, à compra de insumos pelo Brasil.

 Do editorial deste jornal, sobre a ameaça de internacionalização da Amazônia: ''Não se entende como o governo não aciona as Forças Armadas para defender o patrimônio nacional''.


DROPS
Boas idéias na ACIL
Com boas idéias e cheio de entusiasmo o empresário José Augusto Rapcham assume hoje, às 19h30 horas, a presidência da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). É de família tradicional, que contribui com a cidade. E seu pai, Alberto Rapcham, já presidiu a entidade, nos anos 80.


Operador dos bons
Sérgio Luiz Favali, de Cambé, é o operador de colheitadeiras que ganhou troféu de campeão do 11º Concurso de Redução de Perdas na Colheita, promovido pela Emater com a participação de várias instituições públicas e privadas. A área por ele colhida apresentou a menor perda média avaliada nesta safra 2003/2004: 5,8 kg/hectare. Resultado é considerado expressivo se comparado à média estadual que passa de 60 kg/ha.


Plantio nos EUA
O plantio da safra de soja nos Estados Unidos já atingiu cerca de 95% da área. Está mais rápido do que o plantio do ano passado. O relatório do Usda, ontem, está sendo divulgado por empresas de consultoria que associam o desempenho - o melhor dos últimos cinco anos - às boas perspectivas de preços.


Mercado, ontem
Mais um dia calmo no mercado interno. As informações sobre o bom desempenho do plantio norte-americano não prejudicam, embora registradas na Bolsa de Chicago. Negócios ontem no Porto de Paranaguá, entre R$ 48,00 e R$ 48,320. Nas praças do interior, R$ 44,50 a R$ 45,50.


Médias no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 45,79/saca, alta de 0,90% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 14,61/saca, ganho de 0,90%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.


Agora é com a Argentina

Só para encerrar o assunto por hoje (Da Agência Folha, ontem): Após chegar a um acordo para liberar a importação de soja brasileira, o Ministério da Quarentena da China barrou a entrada de soja argentina no país - um lote equivalente a US$ 13,5 milhões.

A imprensa argentina afirma no noticiários veiculado ontem que o veto chinês foi uma ''clara pressão' para renegociar os contratos e reduzir seus preços.
''Tendem deprimir os preços. O estoque da China continua sendo insuficiente frente suas necessidades e eles fazem isso para evitar uma alta por conta do aumento da sua própria demanda'', informou um texto do jornal ''Ámbito Financiero'.

mockup