OSWALDO PETRIN
Amadorismo ou omissão?
Depois de correr atrás do prejuízo no episódio da rejeição da soja brasileira pela China, ontem foi a vez do governo correr atrás de outro embargo, desta vez praticado pela Rússia.
A Rússia suspendeu temporariamente as importações de carne bovina brasileira após receber informações sobre a descoberta de um caso de febre aftosa no Pará, na semana passada.
Agora é esperar que a Rússia volte atrás na suspensão. Ainda que os técnicos brasileiros consigam persuadir os técnicos russos, fica sempre uma ponta de suspeição que compromete.
Afinal ninguém é obrigado saber que o Estado do Pará está fora da área de exportação. Tudo é Brasil. O motivo para reduzir o poder de negociação está mais do que caracterizado.
O Brasil, ao invés de ampliar seu mercado, está correndo atrás para limpar sua imagem, como se para isto basta que o parceiro reconsidere sua decisão. Ora e a imagem comprometida?
Na questão da soja, ainda que Brasil e China tenham fechado ontem um acordo que permita a retomada das exportações de soja para aquele País, vale refletir sobre as trabalhadas do governo.
Mais do que isto. Como disse o professor Pio Martins, de fato a China queria um motivo para barganhar preços e condições. E o Brasil deu esse motivo porque a fiscalização falhou.
O governo negligenciou. No mais, tradings, cooperativas e segmentos exportadores são coniventes com a falha. Ou, no mínimo, omissos. Perdedores são o País e a agricultura.
O amadorismo se manifesta na idéia de achar que um telefonema do Presidente Lula é suficiente para demover a China de sua decisão. Seria, convenhamos, muita pretensão.
Do lado de lá negociadores espertos e, todos concordam, espertos demais. Do lado de que um governo bem intencionado mas desprovido de assessores competentes.
Os ministros da Agricultura e da Indústria e Comércio, Rodrigues e Furlan falharam ao buscar esse diálgo, amistoso, com um Estado formal e com objetivos comerciais bem definidos.
A China concordou em negociar?
O Brasil, definitivamente, tem mais sorte do que juízo.
Leia também o editorial, a opinião deste jornal.
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LEITURA DINÂMICA
- O governo não pode estufar o peito e dizer que conseguiu sensibilizar a sisuda China.
- O estrago já foi feito. O episódio refletiu na Bolsa de Chicago. Bolsa vive de especulação convertida em dinheiro.
- Tanto que Chicago reagiu positivamente à suspensão do embargo.
- A China embargou ao menos cinco carregamentos de grãos de soja brasileiros sob a alegação de que eles estavam misturados a sementes tratadas com fungicidas.
- E ninguém pode negar. É verdade que o embarco comercial tem nome de barreira sanitária. Mas o Brasil mostrou sua fraqueza.
- É preciso ter cuidado para que o mesmo não ocorra com a aftosa.
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DROPS
Mamborê: insegurança
Hoje, às 16 horas, o Sindicato Rural de Mamborê (36 km ao Sul de Campo Mourão) vai doar uma viatura para que a Polícia Militar do Paraná faça a segurança na zona rural. Os agricultores não aguentam mais tantos assaltados. Eles saem para trabalhar e os ladrões invadem. Os roubos também acontecem à noite.
Bandidos invadem
Os ladrões não escolhem local. Invadem fortemente armados. Pegam os agricultores de surpresas. Isto está ocorrendo em vários municípios. Mamboré não é o único a reclamar.
Chicago reage
A disposição da China de retomar as negociações para compra da soja brasileira repercutiu na Bolsa de Chicago. Não houve tempo para o mercado interno reagir a àltura. Há outros fatores inibindo o mercado. Mesmo assim, preços no Porto de Paranaguá voltaram ao patamar de R$ 48,00/saca, conforme dados da Granoeste, de Cascavel.
Chicago reage 2
O mercado de soja teve um dia de alta hoje. Dois fatores justificaram essa elevação de preços, segundo Seneri Paludo, da AgRural: a retomada das importações de soja brasileira pelos chineses e o aumento das exportações norte-americanas. Ou seja, o mercado continua se mostrando comprador.
Chicago reage 3
O fim das sanções chinesas foi ''um alívio para o mercado'', diz Paludo, à Agência Folha. É muito difícil negociar quando não se tem claras as posições do mercado internacional, acrescenta. Segundo o analista, o mercado ficava incerto porque não sabia qual seria o próximo passo dos chineses.
Nem tanto
É, mas no interior Paraná o entusiasmo não foi tão retumbante. A julgar pelos dados da Granoeste e pelo que a nossa sucursal de Curitiba apurou, as perdas são grandes: os preços no mercado físico recuaram mais de 20%. O embargo chinês não foi a única causa, mas foi uma delas.
Comercialização
O ritmo da comercialização, no entanto, é mais veloz do que o do ano passado. Segundo a consultoria Céleres, 69% da soja brasileira da última safra já foi comercializada. Na mesma época, ano passado, o percentual de vendas era de 62%.





